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Opiniões #85 – Sem dor, Sem ganho (Pain e Gain, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
Acostumado a fazer produções caríssimas e repletas de
explosões – e ser duramente criticado por isso – o diretor Michael Bay viu na
história verídica de um grupo de “marombeiros” que se voltaram para o cirme. a
chance de fazer um filme “menor” e em tom assumidamente cômico.
Em Sem dor, sem
ganho, título em alusão a uma frase bastante conhecida no meio das
academias, acompanhamos essa história onde três fisiculturistas arquitetam e
executam um plano de extorsão que sai completamente errado.
Puxando muito mais para a comédia do que para a ação, o
filme peca por idiotizar demais os personagens tornando-os meras caricaturas. Mesmo
que consiga fazer graça em alguns poucos momentos, trata-se de um filme muito
bobo.
Os melhores momentos são os inspirados no universo das
academias que estourou na década de 90 (época onde se passa a trama),
principalmente os pensamentos em off do
personagem de Mark Whalberg.
Anthonie
Mackie tem o personagem mais simpático e que também rende algumas boas
situações. Ver “The rock” atrapalhado como nunca também vale. Mas no fundo
nenhum personagem consegue passar qualquer noção de carisma.
Criminosos e atrapalkhados
Bay tentou aqui trazer uma fábula distorcida sobre
realizações e a busca do “sonho americano”. Por falar nisso sua conhecida
patriotada sai mais do tom do que de costume com frases grosseiras definindo uma
ou outra atitude como sendo ou não “americana”.
Dotado de uma inegável habilidade técnica, o diretor as
utiliza no filme alguns joguetes de Câmera apenas para exercício de estilo
empregando-os em momentos desnecessários.
Assim como a busca por realizações de seus protagonistas,
Bay não alcança grandes sucessos com Sem dor, sem ganho. Em alguns momentos até
parece ter alcançado mas o resultado não é satisfatório.
Cotação: 5
Ficha Técnica: Sem dor, Sem ganho (Pain e Gain, USA, 2013). Comédia. Policial. Direção: Michael Bay. Elenco: Mark Whalberg, Dwayne “The Rock” Johnson,
Anthony Mackie, Tony shaloub, Ed Harris. Duração 129 min.
Opiniões # 84 – Indie Game – The Movie (USA, 2012)
Por Marlon Fonseca
Com a popularidade de jogos em smartphones e a distribuição digital por redes como PSN (Família
Playstation), Live (Família Xbox) e Steam (Computadores), os criadores
independentes nunca tiveram tanto espaço para a criação e publicação de suas
obras. E até uma contraposição em um mercado que vem recebendo críticas em
relações a pouca criatividade e excesso de continuidade de franquias em seus
jogos mais populares.
Disponível aqui no Brasil por meio do sistema Netflix,
Indie Game-The Movie, mostra os bastidores da produção de jogos independentes e
da vida de alguns de seus criadores em busca do término se seus jogos e
aceitação no mercado.
O filme foca basicamente a criação e criadores de três jogos
em três momentos diferentes: o já lançado Braid,
um dos sinônimos de sucesso no segmento, a metade do desenvolvimento para o
final de Super Meat Boy e a luta do
criador de Fez para termina-lo.[1]
O documentário serve
tanto para o público gamer como para qualquer
outro tipo de espectador. Para os entusiastas em jogos, é interessante
acompanhar e conhecer um lado um pouco mais romântico da indústria, onde
somente uma ou duas pessoas passa pelo desenvolvimento de um jogo todo.
O árduo e solitário trabalho
Enquanto os jogos publicados e desenvolvidos pelas
produtoras gigantes envolvem milhares de funcionários, os jogos independentes
são frutos da imaginação e trabalho única e exclusivamente de seus criadores.
Para o espectador médio que não se interessa muito por
jogos eletrônicos, serve como uma história de luta por um ideal e todos os
percalços enfrentados por um objetivo.
Ao mesmo tempo em que os espectadores se comovem com as
histórias pessoais desses programadores, sentem ao lado deles os problemas
enfrentados no caminho, como o aperto financeiro, a pressão dos prazos e a
incerteza de seu sucesso.
O criador de Braid confessa ter sofrido de depressão após o lançamento do game.
É curioso e até alarmante notar, que todos em algum
momento do processo sofrem de depressão em razão dos problemas enfrentados e se
sentem inseguros a todo o tempo, algo normal em qualquer pessoa que abraça um
empreendimento.
Em seus aspectos técnicos, o filme apresenta-se como um
documentário padrão sem nenhuma invencionice ou trucagem desnecessária, focando
nos seus personagens e conseguindo de forma bastante competente apresentar seus
dramas.
Ainda consegue, também, passar uma geral no mercado de
games, até mesmo na relação complicada que os desenvolvedores têm com os gamers pela internet.
Enfim, Indie Game-
the movie é uma visão sincera sobre pessoas que sacrificam suas vidas pela
busca de um sonho e que mostra de forma simples e competente seu cotidiano e
boa parte do mercado em questão. Vale a conferida.
Cotação: 8,5
Ficha Técnica: Indie Game –
The Movie (USA, 2012). Documentário. Direção: Lisanne Pajot, James Swirsky. Elenco: Jonathan Blow, Phil Fish, Edmund Mcmillen,
Tommy Refenes. Duração: 100 min.
[1]
Este último foi lançado após o documentário e alcançou grande sucesso.
Opiniões # 83 – Círculo de Fogo (Pacific Rim, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
O Fascínio do diretor e produtor Guillermo Del Toro por
monstros é nítido. Basta percorrer sua interessante filmografia e atestar tal
fato. Mas é com Círculo de Fogo que
ele presta sua apaixonada homenagem ao seu gênero preferido.
Inspirado nos filmes de monstros como os de Godzilla, nos
seriados japoneses, os tokusatsus, tipo
Jaspion, Changeman e demais, além de animes//mangãs como Evangellion, Robotech[1], Gundam, o filme
transporta as batalhas entre robes gigantes e criaturas abissais para as telas
com tudo que a tecnologia atual tem a oferecer.
E
engana-se quem tenta compara-lo com os filmes de Transformers, que, infelizmente, tornaram-se sinônimo de barulheira
e destruição desenfreada e descerebrada em razão do seu diretor e a duvidosa
qualidade do segundo e terceiro filmes.
Na trama, ambientada em um futuro não tão distante, a
Terra passa a ser assolada por ataques dos Kajui (“monstros” ou “fera estranha”
em Japonês), criaturas surgindo do oceano e para combatê-los são criados os
Jaegers (“caçadores” em alemão). Após anos de combates os ataques passam a ser
mais intensos e o programa e a humanidade estão ameaçados. É chegada, a hora,
portanto de uma última iniciativa. E dois pilotos, um ex-combatente desacredito
(Charlie Hunnam, competente) e uma jovem e novata cadete (Rinko Kikuchi,
excelente) são a esperança.
Para controlar os Jaegers são necessários dois pilotos em uma conexão neural
Tanto a história como o roteiro são executados de forma
bastante simples. A maior inventividade é a forma como os Jaegers são
controlados. São necessários dois pilotos conectados psiquicamente para
fazê-los funcionar.
Tal fato seria o catalisador no roteiro paras as
situações dramáticas do filme, mas elas pouco ocorrem. Mesmo sendo um filme
feito de alma e coração pelo seu diretor e nitidamente “abraçado” pelo
competente e dedicado elenco, o aspecto emocional é o que há de mais fraco no
filme. Todas as relações entre os personagens são rápida e superficialmente
estabelecidas.[2]
O Visual é deslumbrante
Outrossim, a dupla de cientistas (interpretados por
Charlie Day e Burn gorman) ás voltas com um experimento que pode mudar o rumo
da batalha e sua aventura no submundo comandado por um traficante estilo
cafetão americano (interpretador pelo figuraça Ron Pearlman, o Hellboy dos dois ótimos filmes do
personagem dirigidos por Del Toro), não conseguem atingir a comicidade
esperada.
Mesmo esses aspectos não tiram a espetacularidade do
filme. As (muitas) batalhas entres Kajui e
Jaegers são empolgantes e
extremamente bem executadas. É até curioso identificar na “coreografia” de suas
lutas golpes já vistos em Ultraman e etc.
Outro aspecto interessante a ser destacado é o cuidado da
produção em mostrar o impacto cultural e físico de anos de batalhas nas cidades
atingidas. Ao contrário de filmes recentes como Os Vingadores, Homem de Aço, e Transformers, as destruições são
“sentidas” e passam a incorporar os cenários resultando em um belíssimo
trabalho de direção de arte.
O Estrago dos terríveis Kajui é sentido no ambiente e na sociedade
Aliás, é no aspecto visual que o filme se sobressai. Os
efeitos especiais estão impecáveis e o design dos mechs e dos monstros muito
bacanas.
A fotografia alternando entre o azul e o cinza, a
constate e forte chuva caindo servem para ambientar o espectador no aspecto
apocalíptico e oprimido em que o mundo se encontra.[3]
Inicialmente avesso em converter o filme para o 3D, o
diretor acabou cedendo á pressão do estúdio e o filme acabou sofrendo uma
conversão para o formato muito bem feita, agregando ainda mais qualidade ao seu
visual. Círculo de Fogo, inclusive, é
para ser assistido na maior e melhor tela e sons possíveis.
Os confrontos são fantásticos
Em contraposição, e não se garantindo apenas nos efeitos,
Del toro e sua equipe entregaram cenários reais gigantescos e bem trabalhados,
como, por exemplo, as “cabines dos pilotos” dos Jaegers.
Empolgante, apaixonado e bem executado Círculo de Fogo é
uma homenagem sincera e um entretenimento de primeira. A sua simplicidade e
superficialidade na história e personagens não prejudicam em todo o seu ótimo
resultado final.
Nota: Há
uma cena após os belíssimos créditos finais.
Cotação: 9,0
Ficha Técnica: Círculo de Fogo (Pacific Rim, USA, 2013). Aventura. Ficção Científica. Direção:
Guillermo Del Toro. Elenco: Charlie
Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Ron Pearlman.
Duração: 131 min.
[1]
Que ganhará um filme em breve protagonizado e produzido por Leonardo dicaprio
[2] Há
até uma rivalidade entre pilotos ao estilo Top
Gun
[3]
Reparem que o céu só fica claro na sequência final do filme.
Opiniões # 82 – RED 2 – Aposentados e ainda mais
perigosos (RED 2, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Lançado em 2010, o primeiro RED, adaptação de uma minissérie
em quadrinhos criada por Warren Ellis e Cully Hammer, fez relativo sucesso de
público e crítica ao trazer um elenco interessante composto por veteranos em
situações de ação e comédias. Afinal, quem não se lembra da emblemática cena em
que a grande dama Helen Mirren portava uma imponente metralhadora?
Nessa continuação, todo o elenco do anterior retorna e
ainda conta com as adições de Anthony Hopkins e Catherine Zeta Jones. Dessa
vez, Frank Moses (Bruce Willis), Marvin (John Malkovich) e Sarah (Mary-Louise
Parker) são envolvidos em uma operação para rastrear um dispositivo nuclear
portátil.
Assim como no primeiro, o elenco é o principal atrativo. Além
de conter nomes importantes, tarimbados, premiados e conhecidos do cinema, é
nítido que todos estão se divertindo muito fazendo o filme. Impossível não se
deliciar com as sandices de Marvin, o ponto alto nesse quesito. As trapalhadas
de Sarah também rendem bons momentos.
O trio central. Filme funciona mais na comédia
Já a
ação vem ainda mais exagerada e apesar de apresentar cenas bem feitas, não
empolga. Assim como a história que não consegue prender a atenção e o roteiro
tem lá seus furos habituais.
Seguindo
as características de seu antecessor, mas com menos brilho, RED 2 resulta em um
desequilíbrio entre os gêneros que contém. Ao mesmo tempo em que consegue
arrancar algumas risadas da plateia nos momentos de comédia, não consegue ser
eficiente ao despertar interesse na trama e em suas cenas de ação.
Cotação: 6,5
Ficha Técnica: RED 2
– Aposentados e ainda mais perigosos (RED 2, USA, 2013). Ação. Comédia. Direção: Dean Parisot. Elenco: Bruce
Willis, John Malkovich, Mary-Louise Parker, Helen Mirren,Anthony Hopkins,
Catherine Zeta Jones, Byung-Hun Lee, Brian Cox e Neal McDonough. Duração: 116
min.
Opiniões # 81 – Truque de Mestre (Now You See Me, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
Segundo os próprios personagens de Truque de Mestre um número mágico e composto basicamente de
artifícios para distrair a atenção a fim de se atingir o resultado pretendido:
surpresa, admiração e aplausos. E o
filme usa dos mesmos artifícios em busca dos mesmos resultados mesmo que
trapaceie para tanto.
Na trama, quatro ilusionistas, atraídos por um estranho,
se juntam para realizar apresentações pelos palcos dos Estados Unidos. Após uma
delas resultar em um audacioso furto, um obstinado agente do FBI e uma novata
agente da Interpol passam a persegui-los.
Trata-se
de um thriller bastante interessante, com elenco de primeira qualidade e um
final daqueles que será discutido em várias rodas de amigos e fóruns de
discussões internet afora.
Seu maior trunfo é o eficiente jogo de “gato e rato”
durante todo o longa e a ambientação no mundo da mágica, utilizando várias
referências desse universo particular.
Quarteto suspeito.
Louis Leterrier, diretor egresso de bons filmes de ação
como Cão de Briga, Carga Explsiva 2, Fúria de Titãs, e O
Incrível Hulk, traz do gênero a montagem acelerada e os cortes abruptos
como um dos expedientes do filme para manter a atenção constante do espectador.
O roteiro, porém, apresenta situações forçadas o tempo
todo para atingir o final pretendido sem se importar com os furos que vai
deixado no meio do caminho. As constantes reviravoltas, muitas previsíveis,
acabam cansando o espectador em algumas ocasiões. E o romance é sem graça.
Mark Rufalo lidera a caçada aos ilusionistas
Valendo-se de elenco, ambientação e alternâncias constantes
de situações, Truque de Mestre tem o
suficiente para manter a plateia entretida e atenta. O final surpresa é
enfraquecido em razão da forçada de barra do roteiro para alcança-lo, mas mesmo
assim é bacana.
Cotação: 7,5
Ficha técnica: Truque de
Mestre (Now You See Me, USA, 2013). Suspense. Thriller. Direção: Louis Leterrier. Elenco:
Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco,
Mélanie Laurent, Morgan Freeman e Michael Caine. Duração: 115 min.
Opiniões # 80 –
Wolverine: Imortal (The Wolverine,
2013)
Por Marlon Fonseca
Mesmo tendo sido catapultado nos últimos anos como um dos
maiores personagens dos quadrinhos na Marvel e tornando-se protagonista da
trilogia X-Men nos cinemas, não foi o suficiente para Wolverine escapar da bobeira
que fora seu primeiro filme solo lançado em 2009. Agora, o mutante canadense
retorna em sua segunda tentativa de ganhar uma adaptação decente nos cinemas. E
conseguiu.
Inspirada
livremente em um arco de histórias que depois se tronou o encadernado Eu, Wolverine de Chris
Claremon, em Wolverine: Imortal,
acompanhamos Logan após os eventos de X-Men
3- O confronto Final, vagando sem destino pelo mundo lutando contra seus
demônios internos. Ao receber com o pedido de retornar ao Japão e reencontrar um
velho amigo, depara-se com um perigo que pode mudar seu destino
.
O
filme acerta muito ao estabelecer nos seus dois terços iniciais os conflitos do
protagonista, a trama e os demais personagens. Ali temos um filme de drama com
pontuais cenas de ação.
O fato
de ter seus poderes de regeneração atenuado no decorrer da história, que lembra
vagamente Superman 2 de Richard Donner, apresenta sensações novas ao
anti-herói, como dor prolongada e cansaço[1].
Letal, dramático e vulnerável
Com
isso, Hugh Jackman, em sua sexta aparição como Wolverine, consegue exprimir
ainda mais camadas ao personagem que sempre dominou, apresentando seu melhor
desempenho com o mesmo. O roteiro, assim, exprime a melhor faceta de sua
essência. O samurai sem mestre, o caubói errante, o soldado que não descansa.
Adicionando
ainda maior carga dramática ao filme, temos uma disputa familiar na trama
envolvendo a jovem Mariko (Tao Okamoto), um romance bem construído e uma
personagem secundária que agrada muito em Yokio (Rila Fukushima). A discussão
entre mortalidade e imortalidade travada com Yashida (Hal Yamanouchi) encerra
o “pacote dramático”.
Já o
terço final do filme apresenta uma rápida conclusão para tudo que antes
estabelecera cadenciadamente, onde as boas cenas de ação dominam.
Para
esse equilíbrio entre drama e ação essencial a direção de James Mangold que já
apresentou bons trabalhos nos gêneros mais variados como no Western Os Indomáveis, no policial Copland e nos Dramas Johnny e June e Garota, intemrrompida, seus melhores filmes.
O Terço final do filme é voltado para a ação
Insta
salientar que eventuais reviravoltas que o roteiro tenta apresentar são
facilmente desvendas pelo espectador mais atento, tornando-se previsíveis. Por
fim, os vilões não são marcantes.
A
conversão em 3D é vergonhosamente imperceptível sendo dispensável assistir o
filme nesse formato.
Wolverine: Imortal é o
filme solo que o personagem precisava. Equilibrando drama e ação e trazendo
mais nuances ao personagem acaba por respeita-lo e ao público. Recomendado
tanto para fãs como para espectadores ocasionais.
Nota: Não
deixem de conferir a cena pós-créditos. Além de sensacional ela é a ponte entre
este filme e o vindouro e ambicioso X-men
– Dias de um Futuro Esquecido que estreia no ano que vem e juntará o elenco
da trilogia original e a equipe de primeira
classe.
Cotação: 8,0.
Ficha
Técnica: Wolverine: Imortal (The Wolverine, 2013). Drama. Ação. Direção: James
Mangold. Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hal Yamanouchi.
Duração: 126 min.
[1]
Reparem em uma cena na expressão de surpresa e até uma certa alegria de Logan
ao descobrir-se cansado após uma tarefa.
Dentre os gêneros trabalhados atualmente no cinema
nacional a comédia e o mais rentável e, diante disso, o que mais apresenta
produções ao longo do ano. Isso logicamente acarreta em produções de qualidades
das mais variadas. E “O concurso” se insere no rol dos de fraca execução.
Danton
Melo e Fabio Porchart que nesse ano mesmo se saíram melhor em Vai que dá certo
retornam ao lado de Rodrigo Pandolfo (do maior sucesso do gênero no ano Minha mãe é uma peça) e Anderson de
Rizzi. Os quatro são os finalistas à uma
vaga de Juiz Federal e passa um final de semana intenso no Rio de Janeiro antes
do último exame.
Todos os personagens no filme são extremamente
estereotipados. O Gaúcho filhinho de papai reprimido, o estudioso virgem do
interior, o advogado carioca malandro e o nordestino cheio de mandingas
completam o quarteto principal. Sem contar com a tal alardeada participação de
Sabrina Sato como uma ninfomaníaca.
Se o filme falha no desenvolvimento dos personagens
também não se sai melhor na trama. Uma tentativa malfadada de emular a
estrutura de Se Beber não Case, mas
sem a mesma qualidade.
Os protagonistas apresentem-se como personagens estereotipados
Diante disso, sobra muita pouca coisa para aproveitar no
filme, pois além dos problemas citados acima, são poucas as cenas e situações
que realmente arrancam risos da plateia.
Em um cenário favorável aos filmes de comédia nacionais O
Concurso apresenta-se como um dos piores exemplares lançados. Sem graça, raso,
resulta em um filme pouco interessante e tedioso.
Cotação: 3,0
Ficha técnica: O Concurso
(Brasil, 2013). Comédia. Direção: Pedro Vasconcelos. Elenco: Danton Mello,
Fabio Porchart, Rodrigo Pandolfo Anderson de Rizzi, Carol Castro, Sabrina Sato.
Duração: 86 min.
Opiniões #78 – O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger,
USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Tentando emular o arrasador sucesso de Piratas do Caribe, a Disney chamou
grande parte do time das aventuras de Jack Sparrow[1] para adaptar o clássico
personagem o cavaleiro solitário, egresso dos seriados televisivos e de rádio
da década de 30.[2]
A produção, de quase 300 milhões de dólares, era desejo
antigo do estúdio e passou por vários percalços como adiamentos, alterações constantes
no roteiro e mudanças no decorrer das filmagens.
Na trama, acompanhamos o idealista e “homem da lei” John
Reid (Armie Hammer) que após retornar à sua cidade natal e sofrer uma
emboscada, se alia ao nativo americano Tonto (Jhonny Depp) para se tornar um
justiceiro.
O que mais chama a atenção no filme é a forma que ele
trata o momento histórico da fundação dos EUA, e de como os índios eram vistos.
Ainda que de forma bem velada, por tratar-se de uma produção voltada
basicamente para o entretenimento, observa-se claramente uma crítica social
contundente sobre o tema, o que é louvável e até mesmo corajoso. Sem contar com
a sátira ao próprio gênero western.
A improvável dupla
Porém, o filme padece de um problema gravíssimo que é a
sua falta de ritmo e sua duração excessiva e inexplicável. Sua metade é muito
arrastada, chegando a momentos aborrecidos e desnecessários.
Sua meia hora final, entretanto, é um verdadeiro e
divertido espetáculo de ação absurda bem dirigida e executada alternando
momentos de coragem e humor pastelão embalados pelo clássico tema do
personagem.
Do elenco Johnny Depp que ganhou uma fortuna para viver o
icônico Tonto e repete sua parceria com o diretor Verbinski[3] acaba tomando o filme para
si, como era de se esperar. Armie Hammer, como o protagonista que acaba se
tornando coadjuvante, tanto nas cenas de ação como nas quais seu personagem
mostra sua persona atrapalhada, se sai melhor do que sua péssima atuação em Espelho, espelho meu, mas ainda
permanece como uma promessa desde sua participação em A rede social. Tom Wilkinson e William Fichtener dão conta da
vilania e Ruth Wilson, Bryant Prince e Helena Bonham Carter estão corretos
ainda que em pouco tempo em tela e com personagens deslocadas pelo roteiro,
principalmente esta última.
A ação, quando engrena, é divertida
Alternando entre decisões corajosas e maduras e problemas
de ritmo e roteiro, O Cavaleiro Solitário
acaba ficando no limiar entre o aborrecimento e divertimento. Assim, como em, Principe da Pérsia e John Carter (esse
sim um ótimo filme que fora subestimado) não foi dessa vez que a Disney
encontrou outro Piratas do Caribe.
Cotação: 7,0
Ficha Técnica: O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger,
USA, 2013). Ação. Aventura.
Western. Comédia. Direção: Gore Verbinski. Elenco: Johnny Depp, Armie Hammer,
Tom Wilkinson, William Fichtener , Ruth Wilson, Helena Bonham Carter, James
Badge Dale, Bryant Prince e Barry
Pepper. Duração: 149 min.
[1] O
diretor Gore Verbinski, os roteiristas Ted Elliot e Terry Rosio, o megaprodutor
Jerry Brucheimer e Johnny Depp como chamariz de bilheteria e credibilidade.
[2] O
personagem já teve 3 filmes anteriores respectivamente em 1956, 1968, e 1970
[3]
Além dos 3 primeiros Piratas do Caribe, Depp fez a voz do protegonista na
animação Rango que ganhou o oscar de melhor filme da categoria em 2011.
Opiniões #77 – Meu Malvado Favorito 2 (Despicable me 2, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Gru, seus minions e suas adoráveis filinhas estão de
volta aos cinemas em mais uma aventura. Recém-aposentado e levando uma vida
honesta como empresário do ramo de gelatinas, Gru é recrutado pela liga
anti-vilões para investigar o desaparecimento de uma tecnologia e desvendar o
surgimento de um novo vilão.
Ao Tentar estabelecer várias situações ao mesmo tempo, a
animação se perde entre elas não sabendo ao certo o tom que carrega e em qual
delas dar mais ênfase.
São ao menos essas: o aumento de importância e tempo e
tela dos minions ante o grande sucesso alcançado no primeiro filme e espaço que
vêm ganhando na cultura pop desde então[1]. A continuidade da relação
de Gru com as meninas[2], o surgimento de um
interesse amoroso e a trama com o vilão em si.
Mesmo assim, o filme apresenta-se como passatempo
divertido, movimentado e agradável, assim como fora o primeiro.
Gru enrolado novamente
Se o longa anterior foi uma das primeiras animações a
utilizar e encantar com o 3D, principalmente nas brincadeiras pós-créditos com
os minions, esta sequência traz uma conversão bastante decente, com
profundidade e efeitos bacanas, ainda que meramente cosméticos.
Ainda que tenha problemas ante a irregularidade ao
tratamento às circunstâncias que tenta estabelecer, Meu Malvado Favorito 2 é uma animação divertida e carismática.
Cotação: 7,5
Ficha Técnica: Meu Malvado
Favorito 2 (Despicable me 2, USA,
2013). Animação. Comédia. Aventura. Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud. Com
as vozes de: Steve Carrel/Leandro Hassum (Gru), Kristen Wiig/Maria Clara
Gueiros (Lucy), Benjamin Bratt/Sidney Magal (Eduardo/El macho). Duração: 98
min.
[1] Há
a previsão de uma animação somente deles, aos moldes dos pinguins de
Madahascar.