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Opiniões # 76 – Minha mãe é uma peça (Brasil, 2013)
Por Marlon Fonseca
Algo que vem se tornando comum no cenário do cinema
nacional são as adaptações de peças teatrais de sucesso. Nessa esteira, era
questão mesmo de tempo para que Minha mãe
é uma peça, que já conta com mais de um milhão de espectadores, tornar-se
filme.
Ainda mais pelo brilhante trabalho de seu autor e
intérprete, Paulo Gustavo, que, inspirado em sua mãe e situações e pessoas da
sua infância e adolescência criara algo genuinamente engraçado.[1]
No filme, co-dirigido pelo próprio comediante, Dona
Hermínia, após uma decepção com os filhos, muda-se para a casa de sua tia Zélia
(Suely Franco, ótima) e relembra com ela os momentos e agouras de ser mãe.
Trata-se de um filme inegavelmente engraçado onde as
tiradas da protagonista são o ponto alto. Os personagens de apoio,
principalmente os filhos, cada um com seus defeitos e manias também contribuem
para as risadas. O mais incrível é que mesmo em momentos de surrealidade, fica
impossível não se identificar com uma ou outra situação seja pelo lado da mãe,
seja pelo lado dos filhos.[2]
D. Ermínia e suas tiradas vão te fazer rir
A produção do filme é bastante simples, inclusive
trazendo falhas bobas de continuidade e uma ou outra falta de capricho[3]. E há algumas cenas
forçadas e fora do tom.
Mas como filme de comédia num todo ele funciona muito bem
e será impossível sair do cinema sem dar muitas boas risadas. Ele foge,
inclusive, do padrão de comédias que o cinema nacional tem apresentado,
saindo-se mesmo que em sua simplicidade, como um dos melhores do gênero nos
últimos tempos.
"Padecendo no paraíso" ao lado de seus filhos.
Dona Hermínia realmente é uma “peça” e sua presença no
cenário cinematográfico nacional com certeza será tão marcante como nos palcos.
Diversão certeira para toda a família, mesmo trazendo algumas falhas bobas em
sua execução.
Nota: Assista a cena final
antes dos créditos e veja a “musa inspiradora” do autor num dos melhores
momentos do filme.
Cotação: 8,0
Ficha Técnica: Minha mãe é
uma peça (Brasil, 2013). Comédia. Direção: Andre Pellenz. Elenco: Paulo
Gustavo, Rodrigo Pandolfo, Mariana Xavier, Suely Franco, Ingrid Guimarães e
Herson Capri
[1] A
Cidade onde se passa o filme, Niterói, é a cidade natal do autor (e também do
autor desse texto) e conforme apuração feita pelo blog, muitos dos personagens
são inspirados mesmo em sua experiência de vida.
[2]
Como experiência ainda mais bacana, se possível, assista-o com sua mãe ao lado.
Vale á pena.
[3] Em
dada cena, por exemplo, Juliano, filho de Dona Hermínia, estaria mexendo no
computador mas quando olhamos ele está visivelmente desligado.
Opiniões # 75 – O Homem de Aço (The Man of Steel, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
O Homem de Aço marca
o retorno do Superman aos cinemas trazendo um novo tom ao personagem nas mãos
da mesma equipe que brilhou na trilogia O Cavaleiro das Trevas.
Trata-se de um reinício e uma nova roupagem ao “primeiro
dos super heróis” onde acompanhamos o jovem Clark Kent (Henry Cavill) tentando
encontrar sua posição no mundo ante as qualidades únicas que possui. Quando uma
ameaça de seu extinto planeta natal vem à Terra ele finalmente percebe para que
fora destinado.
Sem a menor sombra de dúvidas é no aspecto intimista e contemplativo
que o filme tem de melhor. David Goyer e Cristopher Nolan (que aqui assume a
função de co-roterista e produtor) mais uma vez acertam a essência de um super
herói e o adaptam a partir dela.
Ciente da sua condição de alienígena e do que pode
representar seus poderes, Clark percorre o mundo em busca de respostas não
conseguindo saber onde se encaixar em um planeta que não é seu. O paralelo a
Jesus Cristo e ao seu caráter messiânico, outro ponto forte da mitologia do
herói, também é claramente enfocado.
Um herói contemplativo e solitário buscando seu lugar
Outro aspecto importantíssimo e muito bem desenvolvido no
roteiro é a forma que seus pais, tanto os biológicos como adotivos, moldaram
seu caráter. Os diálogos frequentes com ambos ao longo de todo o filme são
emblemáticos. Para isso as presenças e atuações de Kevin Costner como Jonathan
Kent e Russel Crowe como Jor El foram acertadíssimas. São responsáveis pelos
momentos mais tocantes do longa.
Mesmo sendo o mais realista possível, o filme também
expande a mitologia de Krypton não somente no interessante prólogo que a
apresenta, mas em tudo que se segue na trama e provavelmente continuará nas
sequências.
Os ensinamentos paternos como essenciais para a formação do caráter
O aspecto mais
incômodo da trama foi a mudança da dinâmica entre Clark e Lois o que acabou por
enfraquecer demais o aspecto romântico que o personagem sempre carregou. Se nos
atentarmos para a trilogia do Batman notaremos que realmente esse aspecto
também fora diligenciado por Nolan. Assim, a icônica personagem ganha outra
importância valorizando a sua intérprete, a sempre ótima Amy Adams, ainda que seja
exatamente com ela onde ocorrem as maiores forçadas de barra do roteiro.[1]
Mudança na dinãmica entre Clark e Lois pode incomodar
Zack Snyder, que já apresentará excelentes trabalhos no
gênero com 300 e Watchmen, foi o escolhido para a direção e não decepciona. Mesmo
apresentando a direção mais “convencional” de sua carreira, abandonando o seu
estilo característico, se sai muito bem tanto nas sequências dramáticas quanto
nas de ação.
Estas últimas, aliás, são excepcionais e muitíssimo bem
executadas, numa escala de grandiosidade incomparável, trazendo ao personagem
um nível de ação nunca apresentado em suas outras encarnações cinematográficas.
A brutal batalha final está entre umas das sequências mais bacanas do gênero[2].
A
trilha sonora de Hans Zimmer pode não ser icônica como a de John Wiiliams, nem
mesmo repetir a sua própria excelência como fora seu trabalho nos filmes do
Batma, mas é interessante e bonita.
A escala de ação é grandiosa
A
atuação de Henry Cavill, que por muitos anos viu seu nome cotado para ostentar
o manto do herói e precisa. Sua versão do personagem é mais sisuda, contida,
séria e até mesmo sofrida. Ele, assim, consegue passar a densidade desenvolvida
para essa nova visão do Superman.
Do
outro lado da moeda, temos Michael Shannon (que havia brilhado em dois
personagens surtadíssimos nos ótimos O
Abrigo e Possuídos)apresentando sua faceta de vilão com um
General Zod frio, determinado e insano. Reflexo dos tempos atuais o personagem
é apresentado como um sujeito que faz de todo para defender seu povo nem que
tenha que destruir outro para isso. Seu braço direito, Faora (Antje Traue) tem
bons momentos e apresenta ainda mais frieza e crueldade do que seu comandante.
O elenco de apoio é tão qualificado que ainda temos Laurence Fishburne como
Perry White.
Michael Shannon e seu obcecado Zod
Assumidamente
a Warner pretende fazer com que O Homem
de Aço seja o pontapé inicial para o inevitável encontro dos heróis DC em
um filme da Liga da Justiça[3]. Algumas referências a
este universo de fato estão presentes, ainda que discretas, e procura-las vai
ser um passatempo a mais para os fãs. E muita coisa do próprio cânone do herói
foi deixada para a confirmada sequência.
Marcando
o retorno de um ícone e estabelecendo caminhos para sua futura reunião com os
demais colegas de Liga, O Homem de Aço não decepciona. Ganha muitos pontos pelo
caráter intimista e contemplativo no qual apresenta o personagem o honrado e o
densificando. As cenas de ação extremamente bem feitas farão o público delirar,
pois o colocam em ação de forma nunca apresentada no cinema e que certamente
fará o público delirar.
Cotação:
9,0
Ficha
técnica: O Homem de Aço (The Man of Steel,
USA, 2013). Ação. Aventura. Drama. Direção: Zack Snyder. Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon,
Kevin Costner, Russel Crowe, Laurence Fishburne. Duração: 143 min.
[1] Em
um dado momento Zod chama Lois para ingressar em sua nave sem motivo algum, mas
que acaba sendo importante para a personagem descobrir informações importantes.
[2] E
a destruição gerada por ela consegue superar a vista em Os Vingadores e até
mesmo nos Transformers de Michael Bay.
[3] Na
verdade a Warner já fizera isso em Lanterna Verde, mas o fracasso de público e
crítica do filme o levaram a ser ignorado e o estúdio ainda não sabe o que
fazer com o personagem.
Opiniões # 74 – Guerra Mundial Z (World War Z, USA,
2013).
Por Marlon Fonseca
Os
zumbis estão dominando o mundo há um bom tempo. Definitivamente eles são a
“bola da vez” como os vilões e ameaças apocalípticas, seja nos games, televisão
e, claro, no cinema.
Brad
Pitt estrela e produz essa adaptação livre do livro homônimo de Max Brooks[1] onde ele interpreta Gerry
Lane um ex-investigador da ONU que tem que voltar a ativa e atravessar o mundo
para tentar descobrir a cura para uma pandemia que passou a transformar as
pessoas em terríveis zumbis.
Dirigido
por Marc Forster (de grandes trabalhos como A
Ultima Ceia, O Caçador de Pipas e do mediano 007- Quantum of Solace) a produção passou por diversos problemas
que colocaram a qualidade do filme em xeque antes mesmo de ele estrear.
Primeiramente, surgiram vários boatos sobre desentendimentos entre o diretor e
Pitt durante as filmagens. O mais grave, porém, foi a necessidade de se refazer
todo o terceiro ato do filme o que atrasou o lançamento e estourou o já alto
orçamento do filme.
Mesmo
com todos esses problemas o resultado é plenamente satisfatório apresentando-se
um filme bem-feito, divertido, com genuínos momentos de tensão em um ritmo, em
sua grande maioria, ágil.
Correria, desespero e tensão.
Claramente
dividido em três atos a trama apresenta primeiramente o personagem de Pitt no
meio ao surto pandêmico tentando proteger sua família. No segundo ato, sua
volta ao mundo buscando o “paciente zero” e tentando entender melhor o que
aconteceu, para no último ato chegar ao seu objetivo ou parte dele.
Curiosamente,
o último ato ainda é o mais problemático com uma quebra moderada do ótimo ritmo
estabelecido nos dois anteriores. Mesmo que apresente bons momentos de tensão
ficou evidente que destoa do resto, apesar de apresentar uma conclusão
satisfatória
.
A
infabilidade do protagonista também incomoda um pouco mesmo levando em conta
que o roteiro o apresenta como um especialista no seu ramo, certas situações
são difíceis de engolir causando, ocasionalmente, risos na plateia[2].
O tom do filme e sério.
Tirando
esses dois aspectos, o resultado ainda é positivo e o filme se sai muitíssimo
bem como peça de entretenimento.
Os
zumbis apresentados aqui, além de bem maquiados e bem realizados quando em
computação gráfica metem realmente medo em dados momentos e são extremamente
perigosos por sua violência, agilidade e forma de adaptação ao ambiente.
.
Forster, em entrevista[3], afirmou que o objetivo
era mostra-los como um “enxame de abelhas” em razão da situação de
superpopulação em que o mundo se encontra. E se no trailer tal fato se mostrara
exagerado no filme em si funciona muito melhor.
Um verdadeiro "enxame" de zumbis
O
diretor que começara a carreira ganhando destaque na forma sensível que lidava
com seus filmes se desprende desse aspecto e mostra domínio técnico nas
inúmeras e ótimas sequências de ação e correria. O roteiro até tenta incluir
algo intimista na trama, principalmente na relação do protagonista com a sua
família, mas o foco mesmo e na alternância entre sequências de adrenalina e de
tensão e é isso que o longa tem de melhor. Também não há muito espaço para piadinhas dando ao filme um tom bastante sério.
.
Como
virou costume dentre os blockbusters,
o filme foi convertido para 3D e infelizmente vemos mais uma vez uma utilização
fraca do formato. Assisti-lo dessa forma, portanto, é plenamente dispensável.
Brad
Pitt, que andava propositadamente sumido de produções desse porte, mostra que de
fato evoluiu como ator e mostra-se um “astro de ação” muito acima da média do
que se tem visto. No elenco de apoio, atores e atrizes não tão conhecidos do
grande público, mas que cumprem seu papel (o mais conhecido Matthew Fox, o Jack
de Lost, acabou sendo prejudicado pelo
refazimento de parte do filme, sendo relegando a apenas uma breve sequência no
início do filme).
Guerra Mundial Z,
portanto, consegue sair de forma satisfatória do turbilhão de problemas que
fora sua produção. Entregando um bom produto de entretenimento com doses
satisfatórias de ação e tensão. Forster e Pitt podem ficar sossegados. Até
porque o bom resultado de bilheteria desse ultimo fim de semana já garantiu uma
continuação. Os zumbis ainda vão dominar o mundo por muito tempo.
Cotação:
8,0
Ficha
técnica: Guerra Mundial Z (World War Z, USA, 2013). Ação. Terror. Direção: Marc
Forster. Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz. Duração: 116 min.
[1] Do
autor também recomendamos o divertidíssimo
O Guia de Sobrevivência a zumbis.
[2]
Mas nada foi mais risível do que a morte de um personagem que aparentava ser
importante.
[3]
Lida na revista Previw do mês de Junho de 2013.
Opiniões # 73 – O Grande Gatsby (The Great Gatsby, USA,
2013)
Por Marlon Fonseca
A obra de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, vem sendo ao longo das décadas adaptada para o cinema.
Agora é a vez de o diretor Baz Luhrman apresentar sua versão.
Na trama, acompanhamos o veterano de guerra e aspirante a
escritor, Nick Carraway(Tobey Maguire), que se muda para Nova York para
trabalhar na bolsa de valores e acaba se envolvendo no mundo de festas e
mistérios de seu excêntrico vizinho.
Luhrman traz para a sua visão estilizada da obra suas
características marcantes: o visual belíssimo auxiliado por uma direção de arte
deslumbrante e a utilização de musicas pop atuais para filmes de época (a história
se passa por volta da década de 20). As sequências contendo as exóticas festas na mansão também são muito bem dirigidas.
O desenrolar da trama padece de um ritmo irregular e
confunde os espectadores em alguns momentos, mas é extremamente gratificante
quando no fim tudo se revela e encaixa trazendo á tona o verdadeiro caráter dos personagens e do meio social no qual estão inseridos. O caráter crítico à alta sociedade
oriundo da obra literária objeto da adaptação é encontrado, ainda que em alguns
momentos. Há por trás da trama, também, uma ingênua história de esperança.
Bem-vindos ao mundo de Gatsby
A utilização do 3D para um filme desse tipo pode soar
estranho, mas logo no início demonstra-se a boa utilização do formato que se
faz presente principalmente no título de abertura, nas neblinas, fumaças e
chuva, nas sequências das exageradas festas promovidas na mansão de Gatsby e em
algumas tomadas mais elaboradas executadas pelo diretor.
Maguire traz densidade ao seu personagem que é
prejudicado quando Gatsby entra em cena, passando a ser um mero figurante e
espectador dos acontecimentos para somente ganhar força novamente no final. Leonardo
Dicaprio, portanto, toma conta do filme com mais um personagem marcante e
repleto de camadas em sua carreira com uma atuação minuciosa utilizando-se o
gestual, a voz e olhar para compor o personagem e suas nuances.
Carrey
Mulighan e Joel Edgerton, outras vertentes importantes da história, mostram a
competência habitual. Isla Fischer, mais habituada em comedias românticas tem a
oportunidade de mostrar uma personagem diferenciada ainda que com pouquíssimo
tempo de presença.
Dotado de um visual espetacular e atuações fortes, essa
nova adaptação de O Grande Gatsby resulta em um filme muito bem resolvido ainda
que sofra por uma ou outra oscilação em seu ritmo.
Cotação:
8,5
Ficha Técnica: (The Great Gatsby, USA, 2013). Drama.
Direção: Baz Lurman. Elenco:
Leonardo Dicaprio, Tobey Maguire, Carey Mullighan, Joel Edgerton, Isla Fischer.
Duraão: 142 min.
Nesses tempos de protestos e manifestações em todo o
país, uma icônica máscara passou a integrar e ser um dos símbolos desse
momento. Mas será que as pessoas realmente sabem o seu significado?
Em V de Vingança,
tanto na Graphic Novel, como no filme inspirado por ela, o protagonista, V,
utiliza-se uma máscara de Guy Fawkes (Guido Fawkes) na composição de seu uniforme. O inglês
Fawkes[1] era um dos participantes
do movimento conhecido como a conspiração da pólvora, cujo objetivo era
assassinar o rei protestante Jaime I e todos os membros do parlamento durante
uma sessão no ano de 1605. Guy, por ser especialista em explosivos, era o responsável por
guardar os barris de pólvora que seriam utilizados no ato, além de ser o
responsável pela detonação que nunca ocorreu.
Ilustração de Guy Fawkes
Preso, torturado e executado, Fawkes tornou-se uma lenda
na história inglesa. E no dia 05 de novembro, data de sua captura, há na
Inglaterra a tradicional “noite das fogueiras” para relembrar o “único homem
que entrou no parlamento com intenções honestas”.[2]
No filme, lançado em 2006, produzido pelos irmãos
Wachawski de Matrix e dirigido por James McTiegue, apesar de inúmeras
alterações com relação ao material original, acompanhamos V (Hugo Weaving) em
sua luta contra o governo e pela liberdade ao mesmo tempo em que se envolve com
uma garota da classe trabalhadora (Natalie Portman).
O mais importante que fica da obra é a noção de que um
homem pode mudar o mundo com seus atos (evidenciada na “antológica cena do
dominó” mostrada abaixo). Seja, portanto você, caro leitor, a mudança que
queira ver no mundo. Para isso não há a necessidade de bombas nem atos
violentos e, sim, ações de honestidade e civilidade.
Nota: Nós
aqui do blog apoiamos as manifestações, principalmente sai ideologia e sua
possibilidade de mudança na mentalidade do povo brasileiro. Refutamos, porém,
qualquer ato de violência praticado contra pessoas e propriedades públicas e
privadas.
[1]
Lembrando-se que a obra original escrita por Alan Moore se passa em uma
Inglaterra alternativa.
Opiniões # 72 – Universidade Monstros (Monsters University, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Um
dos primeiros e mais queridos filmes da Pixar, Monsrtros S.A, tem seu universo
de sustos retomado, 12 anos depois, com uma prequel
nesse Universidade Monstros. Nele,
enfim sabemos como começa a amizade e parceria entre Mike (voz de Billy Cristal
no original) e Sully (John Goodman) dentro da universidade de monstros,
formadora de potenciais assustadores.
Antes de tudo, insta dizer que esta animação não tem a
maturidade de Valente, o lirismo de Wall-E, nem fará o espectador
transbordar em lágrimas como em UP-Altas
Aventuras e Toy Story 3. É um
filme galgado única e exclusivamente na diversão e em um tom bem leve.
Ainda assim, há espaço para o forte das animações da
Pixar, as subtramas que no filme em questão se apoiam na busca por um sonho e
na determinação para alcança-lo.
É bastante interessante enxergar, durante a animação,
como o estúdio “brinca” com os clichês de filmes ambientados em escolas ou
faculdades. Está tudo lá, logicamente e de forma muito bacana, adaptado ao universo estabelecido desde o primeiro
filme.
O divertido e tumultuado começo de uma amizade
Além da dupla principal, (sendo que Mike é “o coração e
alma” do filme – algo percebido, inclusive, pelo próprio Sully) o filme nos brinda
com personagens secundários extremamente simpáticos o que beneficia ainda mais
o filme. A parte final também, onde se define o futuro dos personagens, sai do
óbvio o que é muitíssimo bem vindo.
No quesito técnico a animação impressiona com pelos e
texturas extremamente bem feitos dando a impressão que aqueles personagens
estão realmente vivos. Trata-se de um exercício interessante comparar o
primeiro com este e ver o salto dado nesse aspecto em mais de uma década. Já o
3D está bem aquém do apresentado em outras animações, aparecendo de fato apenas
pontualmente e em pouquíssimas ocasiões.
Com Universidade
Monstros, a Pixar volta a focar primeiramente na diversão afastando-se de
uma abordagem mais profunda do que nos seus últimos filmes. Com isso, deixa
espaço para o seu simpático elenco de personagens brilhar e entreter o público
em um dos universos mais bacanas e curiosos que criou.
PS: Como de costume, há um
curta de animação antes do filme. Não cheguem atrasado à sessão, pois O Guarda-chuva Azul é belíssimo e merece
ser conferido. Desde a exuberância da animação ao lirismo em sua execução, é um
primor.
Cotação: 8,0
Ficha técnica: Universidade
Monstros (Monsters University, USA, 2013).
Animação. Aventura. Comédia. Direção: Dan Scanlon. Com s vozes originais de: Billy Cristal (Mike), John
Goodman (Sully), Steve Buscemi (Randy), Helen Mirren (Dean Hasrdscrabble).
Duração: 110 min.
Opiniões # 71- Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek
Into Darkness, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
Durante algum tempo em Hollywood, o cinema de
entretenimento de qualidade, filmes voltados para a diversão do público, mas
que traziam um “algo a mais” como os de Spielberg e outros cineastas,
apresentava-se acéfalo e barulhento, sem um pingo de inventividade e energia de
seus criadores. Felizmente, uma nova leva de talentosos diretores trouxe á tona
novamente essa vertente. Cristopher Nolan com sua trilogia do Cavaleiro das Trevas e A Origem foi um deles. J. J Abrams aparece também como um dos nomes
fortes.
Em 2009, foi dado a Abrams, após seu sucesso como um dos
criadores e produtores do seriado Lost e sua segurança na direção do terceiro
episódio de Missão Impossível 3, a tarefa de revitalizar uma das franquias mais
queridas, Star Trek, que já fora
chamada por aqui de Jornada nas Estrelas.
O Diretor, ao lado dos seus colaboradores habituais,
Roberrto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof (roteiristas e produtores) e
Michael Giachino (que cuida da trilha sonora de seus filmes) e de um elenco
formidável, reinventou a franquia de forma a apresentar-se como um recomeço
para a série, sem desrespeitar seus cânones. O resultado conseguiu agradar aos
fãs antigos e trazer novos ao lado dos intrépidos tripulantes da U.S.S
Enterprise em um filme muito bem feito e divertido.
Abrams sentado à frente do excelente elenco que reuniu
Agora, passados quatro anos, era chegada a hora da tão ou
ainda mais difícil tarefa de apresentar uma continuação. E Abrams e sua equipe
conseguiram não só manter as qualidades do filme anterior como trazer novos e
bem-vindos elementos, resultando em um filme ainda melhor que seu antecessor se saindo mais sombrio e denso, sem perder o humor e o ritmo de aventura.
Em Além da
Escuridão: Star Trek, o Capitão Kirk e seus comandados precisam combater um
terrível terrorista, antigo membro da Federação, em um embate muito mais
complicado e perigoso do que se apresenta.
Todo o elenco
original está de volta, apresentando aquela química perfeita estabelecida no
primeiro filme, e com a possibilidade de trazer novas camadas em seus
personagens. A relação de amizade e diferença de postura ante a uma situação
entre Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto) continua sendo a espinha
dorsal nesse sentido, mas todos os demais personagens têm seus momentos e a
chance de brilhar. A Uhura de Zoe Saldana é um achado e equilibra o grupo ao
lado do rabugento e divertido “Magro” de Karl Urban. Até Simon Pegg, habitual
comediante inglês bastante festejado, é presenteado com uma cena mais séria do
seu Scotty. Alice Eve é a nova adição é tem participação importante na trama
assim como o eterno Robocop Petter Weller, que há tempos não tinha um papel de
destaque.
Vilão perigoso e imprevisível
Mas o “algo a mais” do filme reside na interpretação
magnética de Benedict Cumberbatch como o vilão John Harrison. Quem acompanha o
ator na excelente série Sherlock da
BBC sabe que nele reside um grande talento, mas mesmo assim pode se surpreender
com o que ele apresenta no filme. Há tempos não, só na franquia, mas no cinema
em geral não se vê um vilão tão perigoso em uma atuação tão brilhante[1]. Sua voz grave, seu olhar
oscilando entre a frieza, a raiva e a loucura são alguns dos pontos altos de
sua composição. Mesmo quando, enfim, se
descobre seu objetivo fica difícil prever seu próximo passo.
O roteiro é redondo, apresentando uma ou outra
reviravolta, ainda que não tão imprevisíveis, mas prende o espectador do começo
ao fim. Não há espaço nos 132 minutos de projeção para quebra de ritmo, nem
mesmo nas cenas mais calmas. Os cânones da série clássica, quando utilizados, e
ainda que reinventados, não ofendem o material original e agregam qualidade ao
filme à mitologia de toda a série.
Os efeitos especiais e o 3D completam o espetáculo
Contrário à utilização da conversão em 3D no início das
filmagens, Abrams acabou cedendo à pressão do estúdio e, mesmo assim,
apresentou a melhor utilização do formato nos últimos tempos. A divertidíssima
e movimentada sequência inicial do filme é um grande exemplo disso. Os efeitos
especiais estão formidáveis e dá até para perceber em alguns momentos efeitos
sonoros da série clássica.
Assim, Além da
Escuridão: Star Trek alcançou todos os seus objetivos. Fortaleceu a
retomada da franquia e brindou a todos com um espetáculo de entretenimento de
qualidade com cérebro e coração. E mais trouxe aos cinemas um vilão que há
tempos não se via e catapultou de vez ao estrelato um talento que ainda vai
render muito.
Cotação:
9,0
Ficha Técnica: Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into
Darkness, USA, 2013). Aventura, Ficção Científica. Direção: J.J Abrams. Elenco:
Chris Pine, Zachary Quinto, Benedict Cumberbatch, Zoe Saldana, Simon Pegg, Karl
Urban, Anton Yelchin, Peter Weller, Bruce Greenwood. Duração 132 min.
Depois de revitalizar Star Trek, dirigir o tão aguardado episódio VII de Star Wars é a próxima missão espacial de Abrams.
Após a aquisição dos direitos da Lucasfilm pelos estúdios
Disney, imediatamente fora anunciada uma leva de filmes da saga espacial,
inclusive com uma nova principal trilogia contendo os episódios VII, VII e IX.
Rapidamente a Disney ofereceu a Abrams, fã confesso das trilogias anteriores, a
direção.
As filmagens acontecerão em breve e o filme tem previsão
de estreia para 2015. Mark Hamill, Carrie Fischer e Harrison Ford estão
confirmados para retornar como Luke, Leia e Han solo respectivamente. Ainda não
se sabe o teor da trama.
[1] O
último que vem a mente nesse sentido é o brilhante Coringa de Heath Ledger.