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O
diretor e produtor Guillermo Del Toro é fascinado pelo sobrenatural. Quando se
deparou com o curta metragem Mamá[1], dirigido por seu
conterrâneo Andres Muschietti, viu potencial em transformá-lo em um longa
metragem.
O filme conta a história de um tio (Nikolaj
Coster-Waldau, o regicida Jaime Lannister do seriado Game of Thrones) e sua namorada (Jessica Chastain) que, após 5 anos
de busca, encontram as sobrinhas desaparecidas. Com sua custódia, tentam
cria-las e readaptá-las ao mundo, mas tem algo sinistro à espreita.
Dirigido pelo mesmo Andrés Muschietti, o filme entrega
uma atmosfera tensa e momentos genuínos de suspense sustos. De certa forma,
tanto a sua história como alguns de seus elementos, com o a fotografia escura,
o visual do fantasma, por exemplo, remetem aos bons filmes asiáticos de terror
feitos no fim da década de 90 e começo dos anos 2000 e, principalmente, a
refilmagem americana de um deles, o excelente O Chamado.
Família atormentada
Além de filmar os corredores de forma claustrofóbica[2] o diretor ainda entrega
uma cena inspiradíssima onde no mesmo plano vemos dois acontecimentos ao mesmo
tempo.
Mesmo que muito velada, esse ótimo conto de terror,
também traz a jornada de amadurecimento de sua protagonista. E Jessica
Chastain, trazendo mais uma personagem diferenciada em sua carreira, se sai
muitíssimo bem em seu primeiro filme de terror. As meninas, Megan Carpenter e
Isabelle Nelisse, se saem muito bem ante a importância que tem na trama,
principalmente esta última ante as peculiaridades de sua personagem.
Seguindo com o ritmo cadenciado de suspense e
investigação, o filme é acometido em seus 30 minutos finais de uma carga maior
de tensão, sustos e correria e um final muito longe do convencional. Muita
gente vai até reclamar que essa parte do filme tem um tom contrastante com o
resto do filme, mas assisti-la em uma sessão lotada com o público aos berros
mostra a sua eficácia[3].
Os minutos finais são de pura tensão e sustos
Em um gênero que anda, infelizmente, combalido, Mama traz
um frescor e apresenta muita qualidade, inclusive técnica. Bem realizado,
envolvente, com certeza agradará (ou aterrorizará) aos fãs e não fãs do terror.
Cotação: 9,0.
Ficha Técnica: Mama (USA, Canda, Espanha, 2013). Terror. Direção: Andrés Muschietti.
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Carpenter e Isabelle
Nelisse. Duração: 100 min.
A
“Mama” do filme é interpretada por um ator. Javier Botet, que, pelo seu currículo[4],
é especialista em personagens bizarros. Já a voz de Mama é de Jane Moftat que
no filme ainda faz Jean, uma tia das crianças que rivaliza pela guarda delas.
Opiniões # 59 Os Miseráveis (Les Miserables, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca
Os Miseráveis é
uma das obras mais celebradas e premiadas de todos os tempos. O livro do
Escritor francês Victor Hugo (o mesmo de O
corcunda de Notre-Dame) já passou por várias adaptações teatrais,
televisivas e cinematográficas.
Na esteira da revitalização do gênero musical que vem
sendo feito anualmente por Hollywood era chegada a hora de apresentar ao mundo
uma adaptação suntuosa da obra.
Em sua trama acompanhamos a trajetória de Jean Valjean
(Hugh Jackman), dentre os períodos históricos na França da Batalha de Waterloo
(1815) e os motins de Junho de 1932, e seus encontros com a sofrida Fantim
(Anne Hathaway), sua filha Cosette (Isabelle Allen e Amanda Seinfried), o jovem
Marius (Eddie Redmayne) e o temível e obstinado Inspetor Javert (Russel Crowe).
Trata-se de uma história densa e emocional, onde os
personagens passam toda a sorte de sofrimentos e indagações morais sobre suas
condutas e sentimentos.
Os personagens sofrem fisica, emocional e moralmente
Em termos de produção temos algo impecável. Direção de
arte, figurinos, maquiagem e elenco do mais altíssimo nível e refinamento.
Bastante
seguro após o oscar por O discurso do Rei,
o diretor Tom Hooper tomou decisões criativas que caracterizaram ainda mais o
filme e o seu trabalho.
A primeira delas foi o fato de que os atores não se
utilizam de playback nas cenas de cantoria. Esse aspecto trouxe mais realismo
ás cenas e abrilhantou ainda mais o trabalho dos atores.
A utilização de close excessivos em momentos chaves
também destacou o trabalho do elenco em detrimento da grandiosidade de seus
cenários. Para compensar, o diretor alterna entre ângulos belíssimos em
determinadas cenas e ainda abre o longa com um travelling espetacular.
O diretor apresenta enquadramentos elegantes...
O filme como um todo é espetacular, mas possui cenas que
entraram para a história do cinema. O que dizer do estupendo e premiadíssimo desempenho
de Anne Hathway cantando visceralmente I
Dreamed a Dream?[1]
Anne impressiona e comove em I dreamed a dream
A sequência em que o povo se encontra na rua iniciando o
motim ao som de do you hear your people
sing?[2] é grandiosa e emocional. A
saudação do inspetor Javert a um corajoso rival. Além do final do filme,
lindíssimo e emocionante.
Além de Hatwhay todo o elenco dignifica a obra. A atuação
perfeita de Hugh Jackman não surpreende. O Ator está muito longe de ser apenas
o Wolverine. Para quem não sabe, Jackman já atuou em outros musicais na
Broadway e em sua terra natal a Austrália, ganhando, inclusive premiações por
isso. Russel Crow, por sua vez, é o que mais alterna irregularidade. Em alguns
momentos do filme percebe-se o esforço que ele faz para cantar. Mesmo assim,
seu Inspetor Javert consegue ser marcante.
Do elenco mais jovem, Eddie Redmayne (que já havia se
saído bem em Sete dias Com Marilyn) se mostra afiadíssimo e afinadíssimo como
Marius. Amanda Seyfried, que ganhou fama com o musical Mamma Mia tem pouco
tempo de tela, mas se sai bem. A jovem Samantha Barks que já havia interpretado
a apaixonada Éponine em um especial, repete sua ótima performance.
Complementando o elenco. Sacha Baron Cohen e Helena Bohan
Carter[3], repetem a “parceria” no
Sweeny Tood de Tim Burton, como um casal trambiqueiro. E não tem como não se
emocionar com o corajoso menino Gravoche de Daniel Huttlestone.
A produção é suntuosa
Além da irregularidade de Crowe, o que podemos destacar
como negativo do filme, é a queda ocasional em seu ritmo em determinados
momentos. Mas nada, nada que possa deturpar a grandiosidade que o filme
alcança.
Uma bela história de sofrimento, amor, redenção, repleta
de cenas emblemáticas e belas canções. Um filme que honra a todos os talentos
envolvidos, a obra que adapta e ao gênero que representa.
Cotação:
9,5
Ficha Técnica: Os Miseráveis (Les Miserables, USA, 2012).
Musical. Direção: Tom Hooper. Elenco:
Hugh Jackman, Anne Hathway, Russel Crowe, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Samantha
Barks,Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter. Duração: 158 min.
Conforme já falado em nossa cobertura do Oscar desse ano[4], houve uma ato em
homenagem aos musicais e apresentação do elenco de Os Miseráveis foi um dos
pontos altos da noite:
Opiniões #58 – Jack O Caçador de Gigantes ( Jack, The
Gian Slayer, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Em Jack O Caçador de Gigantes (sim, a produtora nem teve
o capricho de adaptar ao nome nacional) temos mais uma adaptação de um conto de
fadas. Trata-se da história de João e o pé-de-feijão com verniz de aventura
épica.
João, ou melhor, Jack, um jovem e pacato camponês acaba
se envolvendo, acidentalmente, em uma aventura envolvendo gigantes, feijões e
uma princesa a ser resgatada.
O que salta aos olhos na produção é seu aspecto visual.
Direção de arte, fotografia com uma iluminação caprichada que utiliza
decentemente os efeitos em 3D[1] e os efeitos especiais,
principalmente no visual e movimentação dos gigantes.
Curioso, em se tratando de um filme dirigido por Bryan
Singer, é que, dessa vez, não há um cuidado em torno do aprofundamento dos
personagens e história. Singer, assim, entrega um filme visualmente espetacular
e um passatempo razoável apenas.
Visual...
...direção de arte...
As cenas envolvendo as batalhas contra os gigantes são
muito bem elaboradas e o clímax movimentado e interessante.
O elenco recheado de grandes nomes nos papéis secundários
reforça o interesse no filme. Temos Ewan Mcgregor como o destemido Elmont, Ian
Mcshane como o rei, Stnaley Tucci como o cínico Roderick e Bill Nighy
emprestando sua voz ao gigante Fallon. Há também uma participação especial do
eterno Willow, Warrick Davis. O casal principal é vivido por Nicholas Hoult que,
como Jack, emplaca seu segundo mocinho desajeitado no ano[2] e a pouco conhecida e bela
Eleanor Tomlinson que dá conta do recado como a princesa Isabelle.
... e efeitos dos gigantes são o ponto alto do filme
Visualmente espetacular e muito movimentado, Jack O
Caçador de Gigantes segue na média das adaptações de contos de fadas que vêm
aportando aos cinemas[3] se saindo um bom filme,
mas longe de ser inesquecível.
Cotação: 7,5
Ficha Técnica: Jack O Caçador de Gigantes ( Jack, The Gian
Slayer, USA, 2013). Aventura, Fantasia. Direção: Bryan Singer. Elenco: Nicholas Hoult, Eleanor Tomlinson, Ewan
McGregor, Stanley Tucci, Ian McShane, Bill Nighy. Duração: 114 min.
[1]
Principalmente os raios de sol entre nuvens e florestas
Opiniões # 57- G.I Joe – A Retaliação ( G.I Joe Retaliation, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
Se tem uma palavra que define a, agora franquia, baseada
nas action figures e animações dos Comandos em Ação é a descrença.
O primeiro filme, lançado em 2009, causou preocupação aos
fãs com o lançamento do seu primeiro trailer. Era cheiro de “bomba” certa.
Curioso que, essa própria descrença acabou por ajudar o filme, pois ele se
apresentou “melhor do que aparentava”.
Com o razoável sucesso do primeiro, uma continuação foi
imediatamente encomendada e hoje, quatro anos após ganhou a luz do dia. Mas
também enfrentou problemas com descrença. E tudo novamente por causa de seu
trailer.
Na verdade, esse G.I
Joe – A Retaliação era para ter sido lançado no ano passado. Seu adiamento
teve como justificativa inicial o fato de o filme ter sido levado para uma
conversão em 3D. Mas, o que se fala nos bastidores, foi a recepção morna nas
sessões testes e o fato de o personagem de Channing Tatum (que do primeiro
filme para cá vem em ascensão) ser aparentemente limado logo no início do
filme. Os boatos contam, ainda, de que novas cenas teriam sido rodadas e
algumas refeitas.
Duke (Channing Tatum) morre ou não?
Bom, agora é chegada a hora de conferir se a continuação
também conseguirá vencer a tal descrença.
Na trama, que respeita os acontecimentos do final do
primeiro filme, os Joes são submetidos a uma emboscada letal. Os poucos
sobreviventes vão atrás dos responsáveis (a organização Cobra...quem mais?)
para tentar desmantelar seu plano maligno e para vingar seus companheiros
mortos.
O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick é extremamente
simplório. A história se apresenta como dita no parágrafo acima. É isso e nada
mais. São poucos os desdobramentos em torno dela, bem como não esperem
desenvolvimentos dos personagens. O único que se salva é o ninja Storm Shadow
que, inclusive é o responsável pela volta da utilização do recurso de flashback[1].
Essa simplicidade incomoda em alguns momentos,
principalmente no fato de Roadblock (Dwayne “The Rock” Johnson) ter tão
rapidamente descoberto quem estava por trás da emboscada. Os diálogos
explicando a trama a todo o momento também irritam. O ritmo ágil, no entanto,
ameniza as falhas e torna o filme palatável.
A
direção de John M. Chu, outro fator de descrença ante seus trabalhos anteriores[2]·, acaba por ser a grande
surpresa do filme. O cineasta mostra certo domínio nas cenas de ação e de luta.
Elenco e cenas de ação salvam um pouco o filme
E a
tal conversão em 3D? Nada de espetacular. Dentro da média de irregularidade das
conversões que aportam aos cinemas constantemente.
Do mais, temos um filme mais sério do que o anterior,
ainda que tenha uma ou outra cena ou diálogo “engraçadinhos”. A entrada de Bruce Willis (ainda que com
pouco tempo de tela) e Dwayne Johnson ao elenco ajudou no crédito do filme e
lhe acrescenta carisma. Jhonathan Pryce é o que se sai melhor em termos de atuação
como o Presidente dos EUA. Adrienne Palicki entrega beleza e coragem à sua Lady
Jaye.
As tomadas de ação são bem elaboradas e os armamentos e
veículos são bacanas. Os ninjas Snake
Eyes (vivido novamente por Ray Park – o eterno Darth Maul)e Storm Shadow (além de mais uma nova ninja, Jinx), continuam roubando as cenas. Já o subaproveitamento de
vilões icônicos como o Comandante Cobra[3] e Destro vão decepcionar
os fãs de longa data.
Comandante Cobra: infelizmente não foi bem aproveitado
Se estiver descrente com o longa, não desanime. Ele
consegue ser uma forma de divertimento superficial ainda que não honre o
material original no qual foi inspirado. Entre altos e baixos consegue se
manter tendo em vista principalmente as cenas e ação e o bom e carismático
elenco.
Obs: Mais uma vez não há o tradicional grito de guerra da equipe, sendo substituído pelo já batido "Urra"
Cotação:
6,5
Ficha Técnica: G.I Joe – A
Retaliação (G.I Joe Retaliation, USA,
2013). Ação. Direção: John
M. Chu. Elenco: Channing Tatum, Dwayne “The Rock” Johnson, Bruce Wiilis, Jonhatan
Pryce, Adrianne Palicki, Ray Park. Duração: 110 min.
Opiniões # 56 - O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca
Existe
uma linha bastante entre tênue entre o que supomos ser convencional ou
desajustado. Se encaixar na vida, seguir padrões considerados normais e/ ou
aceitáveis pode ser algo dificultoso ou tortuoso para determinadas pessoas.
O
caminho para se encontrar no mundo é diferente para todos. Para uns ele chega
facilmente. Para outros vem através de curvas sinuosas e inesperadas. Uns
desistem de encontrá-lo, outros fingem já ter encontrado, mas vivem em uma
mentira, em uma redoma.
O Lado Bom da Vida é
um daqueles raros filmes que, ao fugir do convencional, do lugar comum,
torna-se único e marcante. Nele, temos a história de Pat (Bradley Cooper) retomando
a vida após oito meses internado em um manicômio. Diagnosticado com transtorno
bipolar, teve um verdadeiro surto após descobrir a traição de sua esposa. Ao
conhecer Tiffany (Jennifer Lawrence), uma viúva que percorreu a ninfomania para
aplacar sua tristeza, ambos passam a desenvolver uma amizade e se ajudar
mutuamente.
Mais
do que uma drama leve ou uma comédia dramática, trata-se de uma verdadeira ode
aos desajustados. Quase todos os personagens, senão todos fogem ao
convencional. Temos um protagonista completamente surtado, seu par que mente,
xinga a torto e a direito mas possui um algo mais a se desvendar, um senhor
viciado em apostas e extremamente supersticioso com manias estranhas para
assistir ao jogo de seu time de futebol americano, uma maníaca por controle que
sufoca seu esforçado marido. Esse casal, interpretado pela sumida Julia Stiles
e Paul Herman, inclusive, mostra o quanto o “convencional” pode ser tão
sufocante quanto uma vida “desajustada”.
Personagens "desajustados" dão o tom.
Aliás,
todo o filme. Seja na sua estrutura e desenvolvimento que nos mantém sempre
focados, pois não sabemos o que surgirá a seguir, seja nas emoções alternantes
que ele nos passa a cada minuto. As relações entre os personagens são complexas e muito bem trabalhadas. Os diálogos são um deleite de tão inteligentes e bem inspirados. A leveza de como tudo é tratado o torna muito
agradável.
Essa
fuga ao convencional ecoa principalmente no elenco. Bradley Cooper que, ora
alterna papéis de galã ora de comediante, foge do seu próprio convencional com
um personagem mais denso do que aparenta. Seu olhar distante em alguns momentos
é típico de pessoas que passam ou passaram por essas situações e o ator soube
muito bem alternar as emoções e sentimentos de seu personagem. Muito bom também
ver Robert De Niro saindo do seu lugar comum e voltando a entregar uma atuação
brilhante como o pai do protagonista, um senhor cheio de superstições em torno
do seu time de futebol americano. Detalhe para a participação de Chris Tucker,
o comediante falastrão da trilogia A Hora Do Rush surpreendentemente contido e
elegante. Jacki Weaver completa o elenco com chave de ora como a mão do
protagonista.
O casal perfeito mais imperfeito dos últimos tempos
Mas
o filme é de Jennifer Lawrence. Falar de sua atuação depois de todos os prêmios
que ela conquistou pode ser complicado ou redundante, mas deve ser destacado.
Aos 22 anos, a atriz mostra uma segurança de veterana em uma personagem
extremamente complexa e com nuances. A bela e talentosa atriz dança, xinga,
grita, chora, ri com tamanha intensidade e veracidade que impressiona. Lawrence
e Bradley nos apresentam o casal imperfeito mais perfeito dos últimos tempos.
Méritos
também para o diretor David O. Roussel que pela segunda vez consecutiva emplaca
um filme com indicações para melhor filme, diretor e elenco no Oscar. Não é
pouco.[1]
A
lição que fica é clara. Existe de fato um convencional? É ele o caminho único e
correto para a felicidade? Independente da resposta, todos procuram seu espaço
no mundo. E cada um tem seu caminho para percorrer e acha-lo. Mas o mais
importante: todos possuem um algo a mais a ser desvendado e desenvolvido. Basta querer e correr atrás.
Ficha
técnica: O Lado Bom da Vida (Silver
Linings Playbook, USA, 2012). Comédia. Drama. Direção: David O. Roussel.
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris
Tucker. Duração: 122 min.
Cotação: Nota 10 para um filme que deixa a lição
que uma nota 5 ás vezes pode ser o suficiente
[1]Ele mesmo que também já foi
considerado um desajustado ante ao infame vídeo no qual vocifera grosserias
para com a atriz Lily Tomlin
Fora celebrada ontem à noite apresentação do 85º Oscar
Awards. Repetindo a postagem de sucesso do ano passado vamos fazer uma
ponderação sobre a cerimônia e os premiados.
A
Cerimônia:
O Oscar desse ano foi
um dos mais equilibrados dos últimos tempos e mesmo a esmagadora maioria do
prêmio ter sido previsível algumas surpresas aconteceram.
McFarlane mostrou talento mas teve uma apresentação morna...
...tendo sido superado pela sua própria criação
O jovem roteirista, comediante e diretor Seth McFarlane
foi o encarregado pela apresentação e não empolgou nem o público nem a plateia
apesar de mostrar-se à vontade e tendo, inclusive, se mostrando bem nos números
musicais. Curioso que quando sua criação, o urso boca-sujo Ted (personagem
dublado por ele próprio) subiu ao palco ele se saiu muito melhor.
Por falar neles, a cerimônia deste ano investiu pesado
nas apresentações que agradaram. O número em homenagem aos musicais mostrou uma
Catherine Zeta Jones maravilhosa repetindo suas atuação em Chicaco bem como
Jennifer Hudson relembrando Dreamgirls. Mas foi a entrada e o núemero do elenco
de Os Miseráveis responsável pelo momento mais emocionante da noite. Magnífico.
Digna de nota, também, a homenagem aos cinquenta anos de
James Bond no cinema com um clip musicado e a posterior apresentação da música
Goldfinger por sua intérprete Shirley Bassey.
No geral foi uma cerimônia sem emoção inclusive nos
discursos dos apresentadores salvando-se apenas a espiritualidade de Daniel
Day-Lewis e o desabafo elegante de Bem Affleck. A apresentação do oscar de
melhor filme pelo doidão Jack Nicholson e pela surpresa de Michelle Obama em um
discurso piegas e sem sal destoaram.
Michelle Obama em um discurso piegas e sem sal foi uam das supresas.
Há muito tempo não se
via uma disputa tão equilibrada, havendo uma distribuição paritária de
premiações dentre os filmes considerados favoritos.
Ator
Coadjuvante: Embora seja ótimo ver Robert De Niro saindo
de sua zona de conforto e sendo indicado por isso, a vitória de Christopher
Waltz era dada com certa e foi o que aconteceu. Seu Doutor Schultz de Django
Livre foi um dos personagens mais carismáticos e divertidos do ano passado.
Waltz consegue sua segunda estatueta na categoria, ambas em trabalho com Tarantino.
Atriz
Coadjuvante: Depois de tantas indicações chegou a hora da
vitória da talentosa e simpática Anne Hathway. Apesar de pouco tempo em tela,
sua comovente atuação em Os Miseráveis já
havia lhe garantido diversos outros prêmios. Visivelmente emocionada Anne,
enfim, alcançou sua tão sonhada vitória. Menções mais que honrosas para o
retorno de Sally Field e Helen Hunt dentre as indicadas.
Ator:
Assim como Meryl Streep, que entregou o prêmio da categoria, deveria ser
proibido a indicação de Daniel Day-Lewis. É covardia. O ator é um dos maiores
da história e reafirmou isso ao ganhar sua terceira estatueta. Seu discurso
simpático e espirituoso foi um dos melhores da noite. Foi bom ver o talento de
Hugh Jackman enfim reconhecido com a indicação. Muitos o conhecem apenas como o
Wolverine, mas quem acompanha o ator de perto sabe que ele é cheio de recursos
tendo inclusive já vencido um prêmio Tony (premiação ligada aos espetáculos da
Broadway). Bradle Cooper que até então era subestimado ganha fôlego em sua
carreira pela sua primeira indicação.
Atriz:
Outra
“barbada” da noite foi a vitória da excelente Jennifer Lawrence. Com pouco
tempo de carreira a jovem atriz já vem mostrando um talento nato. Jessica
Chanstain em um ano desses leva o prêmio,é só ter paciência e continuar com seu
ótimo trabalho. Assim como Naomi Watts que teve uma atuação visceral no ótimo e
pouco assistido O impossível. Menções
honrosas para Quevenzhané Wallis que aos 09 anos é a indicada mais jovem da
categoria e mostrou uma espontaneidade única na premiação e para a veterana
Emanuelle Riva por Amor.
Roteiros:
A
premiação de roteiro adaptado para Argo já estava dando sinais para sua
vitória como melhor filme. Ágil, direto e bem explicado é um trabalho correto
assim como sua também premiada montagem.
Já em roteiro
original não tinha para ninguém. Justiça para Quentin Tarantino que é ainda
melhor como roteirista do que diretor. Suas tramas rocambolescas, referências, a ruptura de
padrão e seus deliciosos personagens e diálogos chegaram ao máximo em seu
recente trabalho.
Diretor:
A
categoria responsável pela maior controvérsia e pela maior surpresa da noite. A
ausência de Bem Affleck dentre os indicados desagradou a público e críticos.
Vencedor em várias premiações pelo seu trabalho em Argo, Affleck era
considerado “barbada” ante do anúncio dos indicados. Sua ausência, que foi
lembrada e “cutucada” pelo apresentador McFarlane, deixou espaço para toda
margem de apostas de quem se sagraria vencedor. Muitas consideravam Spielberg
como favorito. Nós aqui ficamos entre David O. Russel ou Michael Heneke, mas
quem venceu mesmo foi Ang Lee pelo belíssimo a Vida de Pi.
Lee é um diretor de sensibilidade e talentos ímpares e
seu trabalho em Pi foi de genuína competência inclusive com a ótima utilização
da tecnologia em 3D. Surpresa sim, mas não sem merecimento.
Filme:
Todos
os indicados possuíam qualidade neste Oscar onde, pelo menos, 3 dos
concorrentes possuíam viés político forte. A ausência de Affleck como indicado
ao diretor também refletiu na expectativa na categoria de melhor filme.
A Hora Mais Sscura
foi perdendo muito terreno ao longo dos últimos meses e chegou enfraquecido. A vida de PI também foi perdendo força,
mas apesar de não ter ganhado o prêmio máximo foi o que conquistou um maior
número de estatuetas. O Impossível mereceu
a lembrança e deve ser assistido assim como Indomável Sonhadora e Amor (que
venceu em melhor filme estrangeiro) Lincoln[2], apesar do esforço de
Spielberg teve alguns problemas e ganhou o que merecia Ator e Direção de arte. Os Miseráveis é um trunfo e mostra que
os musicais merecem lugar de destaque no cenário cinematográfico, algo que a
própria cerimônia quis mostrar. O Lado
Bom da Vida era o azarão e parecia ser o “plano B” da academia.
Mas apesar de tudo deu a lógica e a vitória de Argo acabou fazendo justiça ao trabalho preciso de Affleck, que se mostrou muito elegante
em seu discurso vitorioso. O filme, ignoremos os tão criticados aspectos políticos
por trás, é extremamente bem feito. Ágil, graças ao seu roteiro e montagem premiados,
e a direção segura de Affleck, interessante, e, em determinados momentos tenso,
é um filme muito “redondo” e agradável.
Affleck mostrou sobriedade e elegância na consagração de seu filme
Amanhã
teremos a nossa parte 2 sobre a cobertura. Não percam. Mas por enquanto deixem
as suas impressões sobre a cerimônia e os vencedores nos comentários.