sábado, 6 de abril de 2013

...CINEMA. Opiniões #60 - Mama


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Opiniões # 60 – Mama (USA, Canda, Espanha,  2013)

Por Marlon Fonseca


           O diretor e produtor Guillermo Del Toro é fascinado pelo sobrenatural. Quando se deparou com o curta metragem Mamá[1], dirigido por seu conterrâneo Andres Muschietti, viu potencial em transformá-lo em um longa metragem.


         O filme conta a história de um tio (Nikolaj Coster-Waldau, o regicida Jaime Lannister do seriado Game of Thrones) e sua namorada (Jessica Chastain) que, após 5 anos de busca, encontram as sobrinhas desaparecidas. Com sua custódia, tentam cria-las e readaptá-las ao mundo, mas tem algo sinistro à espreita.

            Dirigido pelo mesmo Andrés Muschietti, o filme entrega uma atmosfera tensa e momentos genuínos de suspense sustos. De certa forma, tanto a sua história como alguns de seus elementos, com o a fotografia escura, o visual do fantasma, por exemplo, remetem aos bons filmes asiáticos de terror feitos no fim da década de 90 e começo dos anos 2000 e, principalmente, a refilmagem americana de um deles, o excelente O Chamado.

Família atormentada

            Além de filmar os corredores de forma claustrofóbica[2] o diretor ainda entrega uma cena inspiradíssima onde no mesmo plano vemos dois acontecimentos ao mesmo tempo.

            Mesmo que muito velada, esse ótimo conto de terror, também traz a jornada de amadurecimento de sua protagonista. E Jessica Chastain, trazendo mais uma personagem diferenciada em sua carreira, se sai muitíssimo bem em seu primeiro filme de terror. As meninas, Megan Carpenter e Isabelle Nelisse, se saem muito bem ante a importância que tem na trama, principalmente esta última ante as peculiaridades de sua personagem.

            Seguindo com o ritmo cadenciado de suspense e investigação, o filme é acometido em seus 30 minutos finais de uma carga maior de tensão, sustos e correria e um final muito longe do convencional. Muita gente vai até reclamar que essa parte do filme tem um tom contrastante com o resto do filme, mas assisti-la em uma sessão lotada com o público aos berros mostra a sua eficácia[3].

Os minutos finais são de pura tensão e sustos

            Em um gênero que anda, infelizmente, combalido, Mama traz um frescor e apresenta muita qualidade, inclusive técnica. Bem realizado, envolvente, com certeza agradará (ou aterrorizará) aos fãs e não fãs do terror.

                    Cotação: 9,0.

            Ficha Técnica: Mama (USA, Canda, Espanha,  2013). Terror. Direção: Andrés Muschietti. Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Carpenter e Isabelle Nelisse. Duração: 100 min.
           


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                Curiosidade:
                A “Mama” do filme é interpretada por um ator. Javier Botet, que, pelo seu currículo[4], é especialista em personagens bizarros. Já a voz de Mama é de Jane Moftat que no filme ainda faz Jean, uma tia das crianças que rivaliza pela guarda delas.



[1] VocÊ pode conferi-lo na íntegra aqui: http://www.youtube.com/watch?v=1Knnz2vzXpQ
[2] Fato este colocado na introdução de Del toro ao mostrar o curta (como viram acima)
[3] Isso aconteceu na minha sessão e adorei.

terça-feira, 2 de abril de 2013

...CINEMA. Opiniões # 59 - Os Miseráveis


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Opiniões # 59 Os Miseráveis (Les Miserables, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca

                
             
 Os Miseráveis é uma das obras mais celebradas e premiadas de todos os tempos. O livro do Escritor francês Victor Hugo (o mesmo de O corcunda de Notre-Dame) já passou por várias adaptações teatrais, televisivas e cinematográficas.

            Na esteira da revitalização do gênero musical que vem sendo feito anualmente por Hollywood era chegada a hora de apresentar ao mundo uma adaptação suntuosa da obra.

            Em sua trama acompanhamos a trajetória de Jean Valjean (Hugh Jackman), dentre os períodos históricos na França da Batalha de Waterloo (1815) e os motins de Junho de 1932, e seus encontros com a sofrida Fantim (Anne Hathaway), sua filha Cosette (Isabelle Allen e Amanda Seinfried), o jovem Marius (Eddie Redmayne) e o temível e obstinado Inspetor Javert (Russel Crowe).

            Trata-se de uma história densa e emocional, onde os personagens passam toda a sorte de sofrimentos e indagações morais sobre suas condutas e sentimentos.

Os personagens sofrem fisica, emocional e moralmente

            Em termos de produção temos algo impecável. Direção de arte, figurinos, maquiagem e elenco do mais altíssimo nível e refinamento.

                Bastante seguro após o oscar por O discurso do Rei, o diretor Tom Hooper tomou decisões criativas que caracterizaram ainda mais o filme e o seu trabalho.

            A primeira delas foi o fato de que os atores não se utilizam de playback nas cenas de cantoria. Esse aspecto trouxe mais realismo ás cenas e abrilhantou ainda mais o trabalho dos atores.

            A utilização de close excessivos em momentos chaves também destacou o trabalho do elenco em detrimento da grandiosidade de seus cenários. Para compensar, o diretor alterna entre ângulos belíssimos em determinadas cenas e ainda abre o longa com um travelling espetacular.

O diretor apresenta enquadramentos elegantes...


            O filme como um todo é espetacular, mas possui cenas que entraram para a história do cinema. O que dizer do estupendo e premiadíssimo desempenho de Anne Hathway cantando visceralmente I Dreamed a Dream?[1]
Anne impressiona e comove em I dreamed a dream

            A sequência em que o povo se encontra na rua iniciando o motim ao som de do you hear your people sing?[2] é grandiosa e emocional. A saudação do inspetor Javert a um corajoso rival. Além do final do filme, lindíssimo e emocionante.

            Além de Hatwhay todo o elenco dignifica a obra. A atuação perfeita de Hugh Jackman não surpreende. O Ator está muito longe de ser apenas o Wolverine. Para quem não sabe, Jackman já atuou em outros musicais na Broadway e em sua terra natal a Austrália, ganhando, inclusive premiações por isso. Russel Crow, por sua vez, é o que mais alterna irregularidade. Em alguns momentos do filme percebe-se o esforço que ele faz para cantar. Mesmo assim, seu Inspetor Javert consegue ser marcante.

            Do elenco mais jovem, Eddie Redmayne (que já havia se saído bem em Sete dias Com Marilyn) se mostra afiadíssimo e afinadíssimo como Marius. Amanda Seyfried, que ganhou fama com o musical Mamma Mia tem pouco tempo de tela, mas se sai bem. A jovem Samantha Barks que já havia interpretado a apaixonada Éponine em um especial, repete sua ótima performance.

            Complementando o elenco. Sacha Baron Cohen e Helena Bohan Carter[3], repetem a “parceria” no Sweeny Tood de Tim Burton, como um casal trambiqueiro. E não tem como não se emocionar com o corajoso menino Gravoche de Daniel Huttlestone.

A produção é suntuosa

            Além da irregularidade de Crowe, o que podemos destacar como negativo do filme, é a queda ocasional em seu ritmo em determinados momentos. Mas nada, nada que possa deturpar a grandiosidade que o filme alcança.

            Uma bela história de sofrimento, amor, redenção, repleta de cenas emblemáticas e belas canções. Um filme que honra a todos os talentos envolvidos, a obra que adapta e ao gênero que representa.

Cotação: 9,5

Ficha Técnica: Os Miseráveis (Les Miserables, USA, 2012). Musical. Direção: Tom Hooper. Elenco: Hugh Jackman, Anne Hathway, Russel Crowe, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Samantha Barks,Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter. Duração: 158 min.



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Elenco no Oscar 2013.
            Conforme já falado em nossa cobertura do Oscar desse ano[4], houve uma ato em homenagem aos musicais e apresentação do elenco de Os Miseráveis foi um dos pontos altos da noite:


sábado, 30 de março de 2013

Opiniões #58 - Jack: O Caçador de Gigantes


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Opiniões #58 – Jack O Caçador de Gigantes ( Jack, The Gian Slayer, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca

          
                 
  Em Jack O Caçador de Gigantes (sim, a produtora nem teve o capricho de adaptar ao nome nacional) temos mais uma adaptação de um conto de fadas. Trata-se da história de João e o pé-de-feijão com verniz de aventura épica.

            João, ou melhor, Jack, um jovem e pacato camponês acaba se envolvendo, acidentalmente, em uma aventura envolvendo gigantes, feijões e uma princesa a ser resgatada.

            O que salta aos olhos na produção é seu aspecto visual. Direção de arte, fotografia com uma iluminação caprichada que utiliza decentemente os efeitos em 3D[1] e os efeitos especiais, principalmente no visual e movimentação dos gigantes.

            Curioso, em se tratando de um filme dirigido por Bryan Singer, é que, dessa vez, não há um cuidado em torno do aprofundamento dos personagens e história. Singer, assim, entrega um filme visualmente espetacular e um passatempo razoável apenas.


Visual...

...direção de arte...

            As cenas envolvendo as batalhas contra os gigantes são muito bem elaboradas e o clímax movimentado e interessante.

            O elenco recheado de grandes nomes nos papéis secundários reforça o interesse no filme. Temos Ewan Mcgregor como o destemido Elmont, Ian Mcshane como o rei, Stnaley Tucci como o cínico Roderick e Bill Nighy emprestando sua voz ao gigante Fallon. Há também uma participação especial do eterno Willow, Warrick Davis. O casal principal é vivido por Nicholas Hoult que, como Jack, emplaca seu segundo mocinho desajeitado no ano[2] e a pouco conhecida e bela Eleanor Tomlinson que dá conta do recado como a princesa Isabelle.

... e efeitos dos gigantes são o ponto alto do filme


            Visualmente espetacular e muito movimentado, Jack O Caçador de Gigantes segue na média das adaptações de contos de fadas que vêm aportando aos cinemas[3] se saindo um bom filme, mas longe de ser inesquecível.

Cotação: 7,5

Ficha Técnica: Jack O Caçador de Gigantes ( Jack, The Gian Slayer, USA, 2013). Aventura, Fantasia. Direção: Bryan Singer. Elenco: Nicholas Hoult, Eleanor Tomlinson, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Ian McShane, Bill Nighy. Duração: 114 min.





[1] Principalmente os raios de sol entre nuvens e florestas
[2] Ele estrelou também o divertido Meu Namorado é um Zumbi: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2013/02/cinema-opinioes-54-meu-namorado-e-um.html
[3] convenhamos, poucas conseguiram emplacar de verdade.

quinta-feira, 28 de março de 2013

...CINEMA. Opiniões #57 - G.I Joe - A Retaliação


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Opiniões # 57- G.I Joe – A Retaliação ( G.I Joe Retaliation, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca

           

              Se tem uma palavra que define a, agora franquia, baseada nas action figures e animações dos Comandos em Ação é a descrença.

            O primeiro filme, lançado em 2009, causou preocupação aos fãs com o lançamento do seu primeiro trailer. Era cheiro de “bomba” certa. Curioso que, essa própria descrença acabou por ajudar o filme, pois ele se apresentou “melhor do que aparentava”.

            Com o razoável sucesso do primeiro, uma continuação foi imediatamente encomendada e hoje, quatro anos após ganhou a luz do dia. Mas também enfrentou problemas com descrença. E tudo novamente por causa de seu trailer.

            Na verdade, esse G.I Joe – A Retaliação era para ter sido lançado no ano passado. Seu adiamento teve como justificativa inicial o fato de o filme ter sido levado para uma conversão em 3D. Mas, o que se fala nos bastidores, foi a recepção morna nas sessões testes e o fato de o personagem de Channing Tatum (que do primeiro filme para cá vem em ascensão) ser aparentemente limado logo no início do filme. Os boatos contam, ainda, de que novas cenas teriam sido rodadas e algumas refeitas.
Duke (Channing Tatum) morre ou não?

            Bom, agora é chegada a hora de conferir se a continuação também conseguirá vencer a tal descrença.

            Na trama, que respeita os acontecimentos do final do primeiro filme, os Joes são submetidos a uma emboscada letal. Os poucos sobreviventes vão atrás dos responsáveis (a organização Cobra...quem mais?) para tentar desmantelar seu plano maligno e para vingar seus companheiros mortos.

            O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick é extremamente simplório. A história se apresenta como dita no parágrafo acima. É isso e nada mais. São poucos os desdobramentos em torno dela, bem como não esperem desenvolvimentos dos personagens. O único que se salva é o ninja Storm Shadow que, inclusive é o responsável pela volta da utilização do recurso de flashback[1].

            Essa simplicidade incomoda em alguns momentos, principalmente no fato de Roadblock (Dwayne “The Rock” Johnson) ter tão rapidamente descoberto quem estava por trás da emboscada. Os diálogos explicando a trama a todo o momento também irritam. O ritmo ágil, no entanto, ameniza as falhas e torna o filme palatável.

A direção de John M. Chu, outro fator de descrença ante seus trabalhos anteriores[2]·, acaba por ser a grande surpresa do filme. O cineasta mostra certo domínio nas cenas de ação e de luta.
Elenco e cenas de ação salvam um pouco o filme

E a tal conversão em 3D? Nada de espetacular. Dentro da média de irregularidade das conversões que aportam aos cinemas constantemente.

            Do mais, temos um filme mais sério do que o anterior, ainda que tenha uma ou outra cena ou diálogo “engraçadinhos”.  A entrada de Bruce Willis (ainda que com pouco tempo de tela) e Dwayne Johnson ao elenco ajudou no crédito do filme e lhe acrescenta carisma. Jhonathan Pryce é o que se sai melhor em termos de atuação como o Presidente dos EUA. Adrienne Palicki entrega beleza e coragem à sua Lady Jaye.

            As tomadas de ação são bem elaboradas e os armamentos e veículos são bacanas. Os ninjas Snake Eyes (vivido novamente por Ray Park – o eterno Darth Maul)e Storm Shadow (além de mais uma nova ninja, Jinx), continuam roubando as cenas. Já o subaproveitamento de vilões icônicos como o Comandante Cobra[3] e Destro vão decepcionar os fãs de longa data.
Comandante Cobra: infelizmente não foi bem aproveitado
            Se estiver descrente com o longa, não desanime. Ele consegue ser uma forma de divertimento superficial ainda que não honre o material original no qual foi inspirado. Entre altos e baixos consegue se manter tendo em vista principalmente as cenas e ação e o bom e carismático elenco.


Obs: Mais uma vez não há o tradicional grito de guerra da equipe, sendo substituído pelo já batido "Urra"

Cotação: 6,5

Ficha Técnica: G.I Joe – A Retaliação (G.I Joe Retaliation, USA, 2013). Ação. Direção: John M. Chu. Elenco: Channing Tatum, Dwayne “The Rock” Johnson, Bruce Wiilis, Jonhatan Pryce, Adrianne Palicki, Ray Park. Duração: 110 min.
           


[1] Muito utilizado no primeiro filme
[2] Ele vem de filmes como Justin Bieber never say never e da franquia Se ela dança eu danço.
[3] Não mais vivido por Joseph Gordon Levitt. Quem assume o papel é Luke Bracey.

sábado, 2 de março de 2013

...CINEMA. Opiniões #56 - O Lado Bom da Vida.


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Opiniões # 56 - O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, USA, 2012).

Por Marlon Fonseca


                Existe uma linha bastante entre tênue entre o que supomos ser convencional ou desajustado. Se encaixar na vida, seguir padrões considerados normais e/ ou aceitáveis pode ser algo dificultoso ou tortuoso para determinadas pessoas.

O caminho para se encontrar no mundo é diferente para todos. Para uns ele chega facilmente. Para outros vem através de curvas sinuosas e inesperadas. Uns desistem de encontrá-lo, outros fingem já ter encontrado, mas vivem em uma mentira, em uma redoma.

O Lado Bom da Vida é um daqueles raros filmes que, ao fugir do convencional, do lugar comum, torna-se único e marcante. Nele, temos a história de Pat (Bradley Cooper) retomando a vida após oito meses internado em um manicômio. Diagnosticado com transtorno bipolar, teve um verdadeiro surto após descobrir a traição de sua esposa. Ao conhecer Tiffany (Jennifer Lawrence), uma viúva que percorreu a ninfomania para aplacar sua tristeza, ambos passam a desenvolver uma amizade e se ajudar mutuamente.

Mais do que uma drama leve ou uma comédia dramática, trata-se de uma verdadeira ode aos desajustados. Quase todos os personagens, senão todos fogem ao convencional. Temos um protagonista completamente surtado, seu par que mente, xinga a torto e a direito mas possui um algo mais a se desvendar, um senhor viciado em apostas e extremamente supersticioso com manias estranhas para assistir ao jogo de seu time de futebol americano, uma maníaca por controle que sufoca seu esforçado marido. Esse casal, interpretado pela sumida Julia Stiles e Paul Herman, inclusive, mostra o quanto o “convencional” pode ser tão sufocante quanto uma vida “desajustada”.
Personagens "desajustados" dão o tom.
  Aliás, todo o filme. Seja na sua estrutura e desenvolvimento que nos mantém sempre focados, pois não sabemos o que surgirá a seguir, seja nas emoções alternantes que ele nos passa a cada minuto. As relações entre os personagens são complexas e muito bem trabalhadas. Os diálogos são um deleite de tão inteligentes e bem inspirados. A leveza de como tudo é tratado o torna muito agradável.

Essa fuga ao convencional ecoa principalmente no elenco. Bradley Cooper que, ora alterna papéis de galã ora de comediante, foge do seu próprio convencional com um personagem mais denso do que aparenta. Seu olhar distante em alguns momentos é típico de pessoas que passam ou passaram por essas situações e o ator soube muito bem alternar as emoções e sentimentos de seu personagem. Muito bom também ver Robert De Niro saindo do seu lugar comum e voltando a entregar uma atuação brilhante como o pai do protagonista, um senhor cheio de superstições em torno do seu time de futebol americano. Detalhe para a participação de Chris Tucker, o comediante falastrão da trilogia A Hora Do Rush surpreendentemente contido e elegante. Jacki Weaver completa o elenco com chave de ora como a mão do protagonista.
O casal perfeito mais imperfeito dos últimos tempos

Mas o filme é de Jennifer Lawrence. Falar de sua atuação depois de todos os prêmios que ela conquistou pode ser complicado ou redundante, mas deve ser destacado. Aos 22 anos, a atriz mostra uma segurança de veterana em uma personagem extremamente complexa e com nuances. A bela e talentosa atriz dança, xinga, grita, chora, ri com tamanha intensidade e veracidade que impressiona. Lawrence e Bradley nos apresentam o casal imperfeito mais perfeito dos últimos tempos.

Méritos também para o diretor David O. Roussel que pela segunda vez consecutiva emplaca um filme com indicações para melhor filme, diretor e elenco no Oscar. Não é pouco.[1]

A lição que fica é clara. Existe de fato um convencional? É ele o caminho único e correto para a felicidade? Independente da resposta, todos procuram seu espaço no mundo. E cada um tem seu caminho para percorrer e acha-lo. Mas o mais importante: todos possuem um algo a mais a ser desvendado e desenvolvido. Basta querer e correr atrás.


Ficha técnica: O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, USA, 2012). Comédia. Drama. Direção: David O. Roussel. Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker. Duração: 122 min.

Cotação: Nota 10 para um filme que deixa a lição que uma nota 5 ás vezes pode ser o suficiente





[1] Ele mesmo que também já foi considerado um desajustado ante ao infame vídeo no qual vocifera grosserias para com a atriz Lily Tomlin

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

OS VENCEDORES DO OSCAR 2013 E PONDERAÇÕES - PARTE 1


Os vencedores do Oscar e ponderações – parte 1

Por Marlon Fonseca






            Fora celebrada ontem à noite apresentação do 85º Oscar Awards. Repetindo a postagem de sucesso do ano passado vamos fazer uma ponderação sobre a cerimônia e os premiados.


A Cerimônia:
      O Oscar desse ano foi um dos mais equilibrados dos últimos tempos e mesmo a esmagadora maioria do prêmio ter sido previsível algumas surpresas aconteceram.


McFarlane mostrou talento mas teve uma apresentação morna...

...tendo sido superado pela sua própria criação
            O jovem roteirista, comediante e diretor Seth McFarlane foi o encarregado pela apresentação e não empolgou nem o público nem a plateia apesar de mostrar-se à vontade e tendo, inclusive, se mostrando bem nos números musicais. Curioso que quando sua criação, o urso boca-sujo Ted (personagem dublado por ele próprio) subiu ao palco ele se saiu muito melhor.

            Por falar neles, a cerimônia deste ano investiu pesado nas apresentações que agradaram. O número em homenagem aos musicais mostrou uma Catherine Zeta Jones maravilhosa repetindo suas atuação em Chicaco bem como Jennifer Hudson relembrando Dreamgirls. Mas foi a entrada e o núemero do elenco de Os Miseráveis responsável pelo momento mais emocionante da noite. Magnífico.

            Digna de nota, também, a homenagem aos cinquenta anos de James Bond no cinema com um clip musicado e a posterior apresentação da música Goldfinger por sua intérprete Shirley Bassey.

            No geral foi uma cerimônia sem emoção inclusive nos discursos dos apresentadores salvando-se apenas a espiritualidade de Daniel Day-Lewis e o desabafo elegante de Bem Affleck. A apresentação do oscar de melhor filme pelo doidão Jack Nicholson e pela surpresa de Michelle Obama em um discurso piegas e sem sal destoaram.

Michelle Obama em um discurso piegas e sem  sal foi uam das supresas.


Os prêmios principais[1]:

            Há muito tempo não se via uma disputa tão equilibrada, havendo uma distribuição paritária de premiações dentre os filmes considerados favoritos.

Ator Coadjuvante: Embora seja ótimo ver Robert De Niro saindo de sua zona de conforto e sendo indicado por isso, a vitória de Christopher Waltz era dada com certa e foi o que aconteceu. Seu Doutor Schultz de Django Livre foi um dos personagens mais carismáticos e divertidos do ano passado. Waltz consegue sua segunda estatueta na categoria, ambas em trabalho com Tarantino.







Atriz Coadjuvante: Depois de tantas indicações chegou a hora da vitória da talentosa e simpática Anne Hathway. Apesar de pouco tempo em tela, sua comovente atuação em Os Miseráveis já havia lhe garantido diversos outros prêmios. Visivelmente emocionada Anne, enfim, alcançou sua tão sonhada vitória. Menções mais que honrosas para o retorno de Sally Field e Helen Hunt dentre as indicadas.


Ator: Assim como Meryl Streep, que entregou o prêmio da categoria, deveria ser proibido a indicação de Daniel Day-Lewis. É covardia. O ator é um dos maiores da história e reafirmou isso ao ganhar sua terceira estatueta. Seu discurso simpático e espirituoso foi um dos melhores da noite. Foi bom ver o talento de Hugh Jackman enfim reconhecido com a indicação. Muitos o conhecem apenas como o Wolverine, mas quem acompanha o ator de perto sabe que ele é cheio de recursos tendo inclusive já vencido um prêmio Tony (premiação ligada aos espetáculos da Broadway). Bradle Cooper que até então era subestimado ganha fôlego em sua carreira pela sua primeira indicação.

Atriz: Outra “barbada” da noite foi a vitória da excelente Jennifer Lawrence. Com pouco tempo de carreira a jovem atriz já vem mostrando um talento nato. Jessica Chanstain em um ano desses leva o prêmio,é só ter paciência e continuar com seu ótimo trabalho. Assim como Naomi Watts que teve uma atuação visceral no ótimo e pouco assistido O impossível. Menções honrosas para Quevenzhané Wallis que aos 09 anos é a indicada mais jovem da categoria e mostrou uma espontaneidade única na premiação e para a veterana Emanuelle Riva por Amor.

Roteiros: A premiação de roteiro adaptado para Argo já estava dando sinais para sua vitória como melhor filme. Ágil, direto e bem explicado é um trabalho correto assim como sua também premiada montagem.

            Já em roteiro original não tinha para ninguém. Justiça para Quentin Tarantino que é ainda melhor como roteirista do que diretor. Suas tramas rocambolescas, referências, a ruptura de padrão e seus deliciosos personagens e diálogos chegaram ao máximo em seu recente trabalho.





Diretor: A categoria responsável pela maior controvérsia e pela maior surpresa da noite. A ausência de Bem Affleck dentre os indicados desagradou a público e críticos. Vencedor em várias premiações pelo seu trabalho em Argo, Affleck era considerado “barbada” ante do anúncio dos indicados. Sua ausência, que foi lembrada e “cutucada” pelo apresentador McFarlane, deixou espaço para toda margem de apostas de quem se sagraria vencedor. Muitas consideravam Spielberg como favorito. Nós aqui ficamos entre David O. Russel ou Michael Heneke, mas quem venceu mesmo foi Ang Lee pelo belíssimo a Vida de Pi.
            Lee é um diretor de sensibilidade e talentos ímpares e seu trabalho em Pi foi de genuína competência inclusive com a ótima utilização da tecnologia em 3D. Surpresa sim, mas não sem merecimento.

Filme: Todos os indicados possuíam qualidade neste Oscar onde, pelo menos, 3 dos concorrentes possuíam viés político forte. A ausência de Affleck como indicado ao diretor também refletiu na expectativa na categoria de melhor filme.
            A Hora Mais Sscura foi perdendo muito terreno ao longo dos últimos meses e chegou enfraquecido. A vida de PI também foi perdendo força, mas apesar de não ter ganhado o prêmio máximo foi o que conquistou um maior número de estatuetas. O Impossível mereceu a lembrança e deve ser assistido assim como Indomável Sonhadora e Amor (que venceu em melhor filme estrangeiro) Lincoln[2], apesar do esforço de Spielberg teve alguns problemas e ganhou o que merecia Ator e Direção de arte. Os Miseráveis é um trunfo e mostra que os musicais merecem lugar de destaque no cenário cinematográfico, algo que a própria cerimônia quis mostrar. O Lado Bom da Vida era o azarão e parecia ser o “plano B” da academia.
            Mas apesar de tudo deu a lógica e a vitória de Argo acabou fazendo justiça ao trabalho preciso de Affleck, que se mostrou muito elegante em seu discurso vitorioso. O filme, ignoremos os tão criticados aspectos políticos por trás, é extremamente bem feito. Ágil, graças ao seu roteiro e montagem premiados, e a direção segura de Affleck, interessante, e, em determinados momentos tenso, é um filme muito “redondo” e agradável.

Affleck mostrou sobriedade e elegância na consagração de seu filme
           



Amanhã teremos a nossa parte 2 sobre a cobertura. Não percam. Mas por enquanto deixem as suas impressões sobre a cerimônia e os vencedores nos comentários.



[1] Não sabe a função de cada profissional no cinema? Confiram nosso texto que explica tudinho: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/search/label/CINECLOP%C3%89DIA

[2] Conforme falado em nossa análise sobre o filme http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2013/02/cinema-opinioes-52-lincoln-usa-2012.html