quinta-feira, 19 de julho de 2012

...CINEMA. Opiniões # 41 - Valente


...CINEMA
Opiniões # 41 – Valente (Brave, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca



           
Em Valente, a mais nova animação da Pixar, conhecemos Merida. Dotada de longos cabelos ruivos, personalidade forte e muita determinação, vive o seu dia-a-dia comandado por mãos de ferro pela sua rígida mãe. Seus irmãos podem e fazem de tudo. Ela não, pois deve ser moldada a portar-se como a futura rainha que será. Descontente com a sua situação lutará para fazer valer a sua vontade e destino.

            O parágrafo acima resume bem a trama da animação. Mas quem conhece a Pixar já sabe que seu forte é a subtrama adulta que advém de seus filmes. É o seu “algo a mais”, seu diferencial. No sensacional Procurando Nemo, por exemplo, temos a subtrama da paternidade responsável e no lírico Wall-E, além de uma bela história de amor, há um recado ao consumismo exagerado.

       A Pixar sempre soube equilibrar bem em seus filmes seus aspectos cômicos e suas tramas mais adultas. Despertando emoções diferenciadas entre as plateias adultos e mais jovens e, assim, os agradar por igual. Curiosamente, desta vez, há um desequilíbrio, pois Valente é uma das animações mais maduras já realizadas no cinema.

            Desta vez o estúdio de animação vai ainda mais além e faz da sua subtrama ainda mais contundente. Trata-se de um filme sobre a emancipação da mulher, a necessidade de luta para moldar o seu destino e da importância da utilização do diálogo para a resolução de todo e qualquer problema. Para tanto, ao invés de jogar tais temas com diálogo fáceis e auto-explicativos, utiliza-se do expediente de inteligentes e muito bem implementadas metáforas e alegorias.[1]

A relação entre mãe e filha, o fio condutor de todo o filme, é extremamente bem realizada. Tão iguais e tão diferentes, com vontade conflitantes e bastante orgulhosas as duas são incapazes de travar um diálogo para a tentativa de resolução de seus problemas. Uma tentando impor vontade sobre a outra. Somente após um ato impensado e de forte egoísmo da moça, há uma inversão de papéis, muito bem sacada, diga-se de passagem, que pode finalmente aproxima-las.

Há ainda sim espaço para as cenas cômicas, principalmente vindas dos carismáticos pai e irmãos da moça e cenas de ação. Mas seu forte mesmo é a forma de como apresenta a sua história e a construção, desconstrução e reconstrução dos relacionamentos. E dessa vez, com certeza, será uma animação que agradará mais aos adultos.     

Nos aspectos técnicos a animação é visualmente deslumbrante e competente como sempre. A trilha sonora com toques de gaita constrói bem o clima nórdico do filme. As seqüências de cantoria, porém são desnecessárias e as musicas pouco marcantes.

            Valente, assim, á um passo á frente na maturidade ao tratamento de uma trama em um longa de animação. A execução impecável e o tratamento dado a sua trama é digna de aplausos. Tal fato irá tirar um pouco de sua magia para o público mais jovem, mas é uma pérola a ser apreciada pelos adultos.

            Cotação: (4/5)

            Ficha técnica: Valente (Brave, USA, 2012). Animação. Direção: Mark Andrews, Brendan chapman e Steve Purcell.  Com as vozes originais de: Kelly Macdonald, Billy Connoly, Emma Thompson, Julie Walters. Duração: 100 min.

           

Obs: As animações da Pixar já foram objeto de apreciação no Cenas de Cinema #5. Não leram ainda? Então fiquem á vontade: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/01/cenas-de-cinema-5-animacoes-da-pixar.html


[1] Sem querer estragar a surpresa, mas reparem nas questões relativas à tapeçaria e aos pontos de luz, por exemplo. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

...CINEMA/DVDeBLU-RAY. Opiniões # 40-Ato de coragem


...CINEMA
...DVD/BLU-RAY
Opiniões #40 – Ato de Coragem (Act of Valor, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca



Nota: Este filme não saiu ainda no Brasil. Esta análise é baseada na edição em Blu-ray lançada nos EUA no mês passado.


           
Mais do que um longa de ação, Ato de Coragem é um conceito. Trata-se de um filme ficcional, mas que se utiliza de fuzileiros navais como “atores”, além de armamentos, equipamentos e táticas reais.

            Sem sombra de dúvidas é um filme moldado para o público americano que tem verdadeiro orgulho e amor pelo seu exército. O excesso de patriotismo e a notória propaganda bélica podem incomodar o público não muito ligado a esse tipo de coisa.

            Na trama do filme, grupo de fuzileiros navais recebe a missão de resgatar uma agente da CIA e descobre um plano de atentado terrorista em pleno solo americano.

            Surpreendentemente a produção é muito bem cuidada e com uma bela fotografia, principalmente nos aspectos de iluminação e na palheta de cores. As cenas de ação, como se era de esperar, empolgam e são muito bem executadas. A mixagem de som também é um espetáculo á parte com os barulhos realistas de tiros, explosões e grandes efeitos nos vôos de helicópteros. É um filme que pede um aparelho de Home theather possante para ser assistido.

            Se a utilização de soldados reais funciona para as cenas de ação, o mesmo não se pode dizer das dramáticas. Nelas os soldados apresentam-se, na maioria do tempo, bastante “canastrões” aumentando ainda mais o aspecto piegas desses momentos.

            Chega a ser curioso ao se ler no cartaz nacional do filme que se encontra afixado em alguns cinemas do país o slogan “Isto não é um jogo”, pois ao assisti-lo recorda-se da aclamada série de games Call of Duty. Principalmente pelo fato de algumas informações aparecerem na tela (como se fosse mesmo um jogo) e pelas inúmeras tomadas em primeira pessoa. Tais tomadas até servem para causar mais imersão ao público, mas é inevitável esta lembrança.

            Mesmo sendo uma declarada propaganda militar, Ato de coragem é um filme de ação bem produzido e em alguns momentos interessante. Falha nos aspectos dramáticos, mas entrega uma boa diversão.


O Blu-ray:
            A edição americana do filme vem com uma bela luva em relevo. A imagem é cristalina realçando a bela fotografia e as belas paisagens do filme. O áudio ainda se sai melhor com uma excelente mixagem em DTS 5.1 saindo-se extremamente potente e imersivo. Entre os extras há entrevistas com fuzileiros navais, alguns featurettes, comentários em áudio dos diretores e um vídeo clip musical. Possui legendas em inglês e espanhol.


            Ficha técnica: Ato de Coragem (Act of Valor, USA, 2012). Ação. Direção: Mike Mccoy e Scott Waugh. Elenco: Alex Veadov, Roselyn Sanches, Nestor Serrano, Duração: 111 min.


            Cotação filme: (3/5)

            Cotação: Blu-ray: 4/5

terça-feira, 17 de julho de 2012

...SÉRIES. True Blood - Quinta temporada (Episódios 1 ao 6)


...SÉRIES
Opiniões – True Blood Quinta Temporada – Parte 1 (Episódios 1 a 6)
Por Marlon Fonseca



CUIDADO!!! O TEXTO CONTÉM INFORMAÇÕES QUE PODEM ESTRAGAR A SURPESA DE QUEM NÃO ASSISTIU AOS EPISÓDIOS!!!!



            Nesta Quinta temporada de True Blood toda a “fauna” de seres sobrenaturais esta de volta: vampiros, lobisomens, demônios, metamorfos, fadas, etc. Além disso, há um víeis político e religioso que com certeza está gerando polêmicas e incômodos em alguns espectadores. Esta temporada, até a sua primeira metade está se saindo muito bem movimentada e interessante.

            Sookie se depara com seu lado negro ao afirmar ter atirado em Debbie com certo prazer. Mas nem deu tempo para o desenvolvimento ainda deste aspecto, pois, para variar a sua vida continua atribulada. Mesmo se “separado” de Eric e Bill, a moça primeiramente teve que lidar com uma vampirizada Tara. E agora está ao lado de seu irmão Jason que descobriu que seus pais foram na verdade assassinados por um misterioso vampiro. Ainda há espaço para um aprofundamento com seu relacionamento/amizade com Alcide, personagem vem ganhando mais destaque a cada nova temporada

            Bill e Eric também tiveram fortes emoções até o momento. Presos pela Autoridade, que ganhou importante destaque nesta temporada, eles tiveram com suas vidas por um fio e para evitar a “morte verdadeira” tiveram que capturar o terrível Russel Edginton, que fugiu de sua prisão de concreto sedento por vingança.
os bastidores da "Autoridade ganharam força

            O personagem Terry ganha força na série ao ser desvendado seu passado quando soldado. Se antes era perseguido e atormentado pelo sentimento de culpa pelos seus atos, agora se defronta com uma terrível maldição e o confronto com o demoníaco Ifrit, um ser de fogo proveniente da mitologia árabe.
Ifrit assombrando Terry e seus colegas

            Lafayette, além de também envolvido com a vampirização de Tara, ainda continua ás voltas com bruxaria e demônios. Atormentado pela morte de seu amado Jesus ele está sendo usado pelo terrível ser que se apoderava dele.

            Jason antes de defrontar-se com a verdade sobre o assassinato de seus pais, finalmente reconhece o castigo do “galinha arrependido” ao se apaixonar por Jéssica que, a princípio, não quer nada sério. A quebra da amizade por um Hoyt revoltado (e muito chato, diga-se de passagem) também o afetou. Isso sem contar com a volta do reverendo Nevlim que além de se mostrar como vampiro ainda fez uma surpreendente declaração de amor.
Jason: o ex-galinha apaixonado

            Até a figuraça Pam chegou a ter um espaço maior com a revelação do seu passado e de como fora transformada por Eric. Mas agora ela está mais ocupada com os cuidados com a sua pupila a cada vez mais inconstante Tara.
Pam tem seu passado revelado...
...e tem que lidar com as inconstâncias de (uma agora) vampira Tara

            Por fim, Sam que no início teve que acertar as contas com a manada de lobisomens por causa da morte de Marcus, agora se vê investigando perigosos assassinos de metamorfos e seres sobrenaturais.

            Sem sombra de dúvidas, esta temporada está muito mais rica do que a anterior, considerada por todos como a mais fraca até o momento. A entrada dos bastidores da autoridade expandiu a mitologia vampiresca da série e a disputa política/religiosa entre sanguinistas e populistas provavelmente ainda vai gerar muitos conflitos.

            Bom ver também o amadurecimento de Sookie e Jason e a subtrama do Terry, que no começo não parecia interessante, vem ganhando força a cada episódio. Os caçadores de seres sobrenaturais também pode render algo positivo se bem realizado. Isso sem contar, logicamente, com a presença sempre marcante de Russel Edginton que conforme o final do sexto episódio ainda vai dar muito trabalho.
O melhor vilão da série retorna

            Resta agora esperamos como todas estas tramas se desenvolverão na segunda metade da temporada e que caminhos serão traçadas para a já confirmada sexta.
Oque mais acontecerá com esse quarteto?
           
            

segunda-feira, 16 de julho de 2012

..GAMES. Opiniões #20 - Spec Ops: The Line (PS3/XBOX 360/PC)


...GAMES
Opiniões #20 – Spec Ops: The Line (PS3/XBOX 360/PC)
Por Marlon Fonseca




            Spec Ops:The line a estréia da franquia Spec Ops nos consoles dessa geração. Para isso utiliza-se de todos os recursos técnicos que dela advém para reforça-la no competitivo mercado de jogos de tiro em terceira pessoa.

            Na trama ambientada em uma Dubai assolada por uma violenta tempestade de areia, três soldados percorrem a perigosa e destruída cidade à procura de um esquadrão desaparecido.

            O forte do jogo sem dúvida é o tratamento dado à sua história. No começo ele aparenta até ser um shooter genérico nesse quesito, mas ao longo de seu desenrolar ela vai ganhando força e passamos a entender, inclusive, o porquê do the line no título. Os personagens sofrerão degradações físicas e morais ao longo dessa jornada, tendo que cruzar “a linha” do dever e da moralidade em alguns momentos.

            À medida que avançam no inóspito território, novos dados vão surgindo e a necessidade de escolhas vai aparecendo. Sim, mesmo que bastante limitado, o game em alguns momentos dá ao jogador a opção de escolher entre uma ou outra ação. E com isso o jogo não só oferece uma história caprichada e imersiva, mas também três finais diferentes.

            Seguindo a mecânica dos jogos em terceira pessoa tradicionais dos últimos anos, a jogabilidade não apresenta nenhum mistério ou novidade. Mas possui algumas falhas que podem e vão incomodar principalmente no tocante ao sistema de cobertura, pois os comandos não respondem corretamente em muitos momentos.[1]

Há a opção de dar alguns comandos aos seus aliados, ainda que muito restritos. Neste quesito também há uma peculiaridade que causa estranheza, pois você pode curar os seus aliados feridos, mas eles não têm a opção de fazer o mesmo por você. Por isso todo cuidado é pouco e deve se caminhar pelos cenários e se defender dos ferozes esquadrões inimigos.

            Como vem sendo de praxe nesse tipo de jogo e nessa geração, o apelo para seqüências de ação cinematográficas existem e são muito interessantes.

            Os gráficos do jogo estão muito bonitos. A devastada Dubai está muito detalhada com seus imensos arranha céus e destruição e areia por toda parte. Efeitos de luz, areia e fogo estão muito bem trabalhados. Os personagens vão sofrendo deteriorações nas roupas e machucados no corpo ao longo da missão. Os cenários ocasionalmente possuem bons efeitos de destruição.[2] O pecado nesse quesito é que há em alguns momentos quedas de frame e scream tearing. Percebe-se, também, serrilhados.

            O som usa e abusa dos sistemas Dolby Digital e DTS. O destaque fica para o excelente efeito durante as tempestades que ocasionalmente ocorrem. Já os barulhos de tiros e explosões estão bons, mas não chegam à excelência de títulos como Batllefield 3 e o recente Ghost Recon Future Soldier.[3]

            Além do modo campanha, que dura por volta de umas oito horas, há o inevitável multiplayer. Este modo não oferece muita novidade. O modo mais interessante é o Buried mode onde dois times de até quatro jogadores precisam defender a sua base a ao mesmo tempo atacar a inimiga.

            Spec Ops: the line reapresenta e restabelece a franquia com uma história muito caprichada e acima da média dos shooters que invadem mensalmente o mercado. Focando na deterioração física e mental que uma guerra traz e possibilitando algumas escolhas no decorrer da história, é um jogo que merece uma atenção. Ignore alguns problemas técnicos e de jogabilidade e cruze esta linha.

            Cotação: (4/5 - 8.0/10,00)

            Ficha Técnica: Spec Ops: The Line (PS3/XBOX 360/PC). Tiro em terceira pessoa. Guerra. Produtora: Yager. Distribuidora: 2K. Data de lançamento:????? Versão Testada: Playstation 3 (Premium Edition)


Obs: - O menu do jogo vai mudando de imagem á medida que se progride na campanha.

            - Alguns troféus/conquistas vêm com nomes ou frases de famosos filmes de guerra

           - A versão premium edition vem com mapas e itens adicionais intitulada de Fubar pack



[1] Fugir de uma granada atirada por um inimigo acaba por ser uma ação bastante penosa, por exemplo.
[2] Há a opção em alguns momentos de se destruir um vidro para que a areia invada o local e mate os soldados inimigos próximos.
[3] Leia análise deste game aqui:

quinta-feira, 12 de julho de 2012

...CINEMA. Opiniões #39 - A Era do Gelo 4


...CINEMA
Opiniões #39 – A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift, USA, 2012)
Por Marlon Fonseca




            Quarta incursão da bem-sucedida franquia de animação e pela primeira vez não sendo dirigida por Carlos Saldanha, A Era do Gelo 4 retoma o “cotidiano” de seus personagens Diego, Manny, Sid e, logicamente, Scratch.

            Na trama, após um evento cataclismático (mais um?) os protagonistas separam-se de seus amigos e lutam para reencontrá-los. Além dos perigos de um continente em mudança, deparam-se com perigoso grupo de piratas.

            Trata-se de uma aventura extremamente rasa resultando no filme mais fraco da série. O seu desenvolvimento é pouco satisfatório e interessante. O embate com os piratas nunca empolga bem como a subtrama do mamute Manny preocupado com a sua filha “adolescente”.

  Se salva apenas pelas divertidas cenas da preguiça Sid (agora ás voltas com a sua avó-outra figuraça) e da busca incansável do esquilo Scratch por sua noz (ainda que seja a sua participação mais desinteressante da franquia).
           
            Tecnicamente a animação continua excelente com uma palheta de cores ainda mais variada do que nos outros filmes. Destaque, também nesse aspecto, para os efeitos de pelo e água. Os efeitos em 3D estão bacanas apesar de não apresentar nenhuma inovação.

            A Era do Gelo 4 é a parte mais fraca da série, possuído mais pontos baixos do que altos, ancorando-se apenas nas confusões do carismático e atrapalhado Sid e na excelência técnica de sua animação. A franquia, enfim, começa a dar sinais de desgaste.

            Mas querem saber mesmo o melhor do filme? Antes de seu início há um curta metragem protagonizado pela Maggie Simpson. Esse sim é inteligente, divertido e emocionante.
           
            Cotação: (2/5)

            Ficha técnica: A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift, USA, 2012). Animação, comédia e aventura. Direção: Steve Martino e Mike Thurmeier. Com as vozes originais de: John Leguizano, Denis Leary e Ray romano. Dublagem nacional por: Diogo Vilella, Tadeu Braga. Duração: 94 min.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

...CINEMA. Opiniões # 38 - Para Roma com amor


...CINEMA
Opiniões #38 – Para Roma com Amor (To Rome With Love, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca



           

Depois do delicioso e muito bem-sucedido Meia noite em Paris e continuando com sua produção anual de filmes e sua “fase européia”, Woody Alllen retorna com este Para Roma com Amor.

            O filme é um apanhado de algumas histórias fictícias que se passam na belíssima cidade italiana, e como de praxe nas produções de Allen, há a presença de elenco renomado e heterogêneo contando com as presenças de Roberto Begnini, Alec Baldwin Jesse Eisenberg, Ellen Page, Penélope Cruz e, logicamente, Woody Allen.

            Acompanharemos, portanto, as histórias de um arquiteto que retornando a cidade relembra o período que quando jovem passou por lá; os encontros e desencontros de um jovem casal recém casado em lua de mel; um cidadão simples de classe média se torna da noite para o dia em uma celebridade renomada e um americano diretor musical descobre o talento bruto de um agente funerário.

O roteiro contém diálogos acima da média e situações engraçadíssimas. A crítica bem humorada e leve ás celebridades instantâneas na história encabeçada por um contido Begnini então é um exemplo máximo desta afirmação. Percebe-se, também, que Allen, além do seu non sense apurado, continua empregando o elemento fantasioso de Meia Noite em Paris em algumas das histórias. O uso de cenários, locais e paisagens belíssimas da cidade de Roma e de uma trilha sonora típica italiana bastante agradável, também é um grande acerto.

Ocorre que mesmo contendo muitos momentos divertidos, nem todas as histórias são bem resolvidas e interessantes resultando num filme irregular. Enquanto umas deixam a conclusão e até mesmo o entendimento á cargo da inteligência do espectador[1] (e isso logicamente é um elogio) outras se conduzem e se encerram de forma não tão satisfatória.[2]

Assim, Para Roma com Amor não é uma das grandes obras de Allen ,mas resulta em um filme agradável e divertido, ainda que inconstante no tratamento de suas histórias.

Cotação: (3/5)

Ficha técnica: Para Roma com Amor (To Rome With Love, USA, 2012). Comédia. Direção: Woody Allen. Elenco: Roberto Begnini, Alec Baldwin Jesse Eisenberg, Ellen Page, Penélope Cruz, Flavio Parenti, Alessandro Tiberi, Alessandra Mastronardi e Woody Allen. Duração: 112 min.


[1] Como na história do arquiteto Alec Baldwin e sua versão jovem Jesse Einsenberg.
[2] Principalmente na relação entre a personagem de Penélope Cruz e do jovem interpretado por Alessandro Tiberi

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ícones #1 - Dom Corleone


Ícones #1 – Dom Corleone
Por Marlon Fonseca




            Na nossa nova seção Ícones destacaremos grandes nomes da história do cinema, séries e games. Personagens, atores, atrizes, diretores, marcantes serão o destaque. Começando em grande estilo trazemos dois ícones de uma vez só: o fascinante e marcante Dom Corleone interpretado pelo brilhante Marlon Brando.

            Mesmo que tenha participado muito pouco da trilogia O Poderoso Chefão, é inevitável que a figura do poderoso “padrinho” Dom Corleone seja a primeira a vir à mente do espectador. Não é para menos. As seqüências em que aparece dando ordens e decidindo a vida de seus “afilhados” estão entre as mais famosas da história do cinema.

            Originalmente concebido para a obra literária que inspirou o filme, Dom Vito Corleone em 7 de Dezembro de 1891 na Sicília, Itália e mudou-se para Nova York onde construiu um verdadeiro império ao seu redor. Após sua morte, fui substituído por seu filho Michael.



            Interpretado por um irretocável Marlon Brando (que venceu o Oscar de melhor ator, além de outros prêmios, em 1973 pelo papel), que também é uma figura icônica por ele mesmo. Ator talentosíssimo e polêmico, Brando construiu uma das carreiras mais proeminentes de Hollywood. Foi um dos maiores representantes do método de interpretação Stanislavsky no qual o ator busca uma identificação psicológica com o personagem. Robert De Niro interpretou o personagem quando jovem na sequência e também ganhou o oscar.

            Dois ícones em um só personagem e que vão marcar para sempre a história do cinema.


Aparições: Livros, filmes e games da trilogia O Poderoso Chefão

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Dicas da Semana #20 - 06/07/2012


Dicas da Semana # #20 – 06/07/2012
Por Marlon Fonseca



            A nova visão cinematográfica do Homem-Aranha toma conta dos cinemas. Dicas de filme para dvd/blu-ray e netflix e de games estão no “Dicas” desta semana.



CINEMA:


O Espetacular Homem-Aranha: Homem-Aranha retorna ao cinema com uma nova versão. Recontando a sua história de origem através de uma nova visão, O Espetacular Homem-Aranha é o primeiro capítulo de uma trilogia.
            O “Falando de..” fez uma boa cobertura sobre o filme. Saiba o seu propósito e objetivo aqui: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/02/especial-02-o-que-podemos-esperar-de-o.html
            Após, leia a caprichada e detalhada análise do filme: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/07/cinema-opinioes-37-o-espetacular-homem.html
            Por fim, confiram a análise do game lançado na semana passada: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/06/games-amazing-spider-man-ps3xbox-360.html




DVD/Blu-ray:

(500) Dias com ela: Ainda no clima do filme do Homem-Aranha, aproveite e descubra este filme único que qualificou o seu diretor Marc Webb para comandar o reinício do personagem no cinema.









O último dançarino de Mao: Baseado no livro autobiográfico de Li Cunxin que, quando jovem, enfrentou a ditadura chinesa para permanecer nos EUA e continuar seu trabalho como bailarino.








Sete dias com Marilyn: Jovem assistente de direção, em seu primeiro trabalho, envolve-se com a estrela Marilyn Monroe na ocasião de suas estadia na Inglaterra para fazer um filme dirigido por Laurence Olivier. Destaque para as atuações irretocáveis de Michelle Williams como Marilyn e de Keneth Branagh como Laurence Olivier.






À toda Prova: Filme de ação com estilo dirigido por Steven Soderbergh. Como de costume na filmografia do diretor, o filme é repleto de astros como Antonio Banderas, Michael Douglas, Ewan Mccregor, Michael Fassbender e outros.










NETFLIX:


South Park: Os amalucados habitantes de South Park chegaram no sistema que disponibiliza inicialmente as suas primeiras três temporadas. Descubra de quantas formas alguém pode morrer graças ao nosso amigo Kenny. 





O Cemitério Maldito: Assustadora versão de um conto de Setephen King. Família se muda para uma casa de campo e descobre em suas redondezas um amaldiçoado cemitério indígena.








Ronin: Grande filme de ação com Robert de Niro e grande elenco. Ele lidera um esquadrão de mercenários que tem que recuperar uma mala cujo conteúdo é secreto. Destaque para seqüências de perseguição automobilísticas orquestradas com maestria por John Frankheimer.









GAMES:

The Walking Dead (PSN/Xbox Live/Steam): foi lançado na semana passada o segundo episódio do game baseado nos quadrinhos de The Walking Dead. Se ainda não conhece o game aproveite para jogar os dois primeiros episódios (serão cinco ao total).
            Conheça mais sobre o jogo em nossa análise publicada ontem: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/07/games-opinioes-19-walking-dead-eps-1-e.html


quinta-feira, 5 de julho de 2012

...GAMES. Opiniões #19 - The Walking Dead (Eps. 1 e 2)


...GAMES
Opiniões #19 - The Walking Dead -episodes 1 e 2 ( Distribuição digital -PSN/ Xbox Live/Steam)
Por Marlon Fonseca





            Diz um ditado popular que a terceira tentativa é a que vale. E isso pode ser aplicado no caso em questão. Depois de ter conseguido resultados bastante irregulares com seus jogos baseados nos filmes De volta Para o Futuro e Jurassick Park, a Telltale Games acerta em cheio com o game baseado em The Walking Dead.

            Baseado nos quadrinhos de Robert Kirkman e não no seriado de sucesso, o game conta a história de Lee, um homem atormentado pelo seu passado e que quando se encaminhava para delegacia se depara com a nova realidade no mundo: uma invasão zumbi. No caminho encontra com a jovem Clementine a qual desenvolve imediatamente uma afeição paternal e outros sobreviventes. Juntos lutarão por suas vidas nessa nova situação, além de lidar ao todo tempo com decisões vitais. A história é paralela à dos quadrinhos e com novos personagens, mas alguns conhecidos dos fãs aparecem pontualmente.

            Assim como nas tentativas anteriores, trata-se de um game de adventure, estilo point n´click (apontar e clicar) onde o jogador deve interagir com pessoas e partes do cenário para prosseguir no jogo. A todo o tempo decisões importantes deverão ser tomadas e o caminho que você decidir escolher será vital para sua sobrevivência e dos demais personagens. Em uma apertada comparação lembra um pouco o sucesso de alguns anos atrás Heavy Rain e da já clássica franquia Sam e Max.

            Engana-se que ao ler o parágrafo anterior achar que se trata de um jogo chato. Muito pelo contrário. A trama é muito bem elaborada e momentos de tensão e sustos não irão faltar.

            Mas o mais importante do jogo mesmo é a forma como a história é contada e no cuidado ao estabelecer as relações com os personagens. Não será incomum se afeiçoar com alguns e adorar odiar outros. O modo com que o jogador se conectar com cada um deles com certeza influenciará nas decisões que surgirão. E a história do jogo vai se moldando e adaptando às suas escolhas.

Logicamente esse sistema não permite tanta liberdade de escolhas. Assim, o número de decisões e ações que aparecem durante o jogo são limitadas a determinadas opções, mas são variadas ao longo do game. Fica o aviso que, para aproveitar o game por completo há a necessidade de um bom conhecimento de inglês.

Os bons gráficos estão em estilo mais cartunesco, dando uma sensação de estar se jogando uma história em quadrinhos ou uma animação interativa. A movimentação dos personagens é irregular. Em alguns momentos estão rígidas e em outras mais suaves.

A trilha sonora é boa e compõe bem o clima é a dublagem dos personagens é excelente, essencial para a proposta do jogo.

O jogo está sendo distribuído digitalmente e por sistema de episódios mensais. Serão cinco ao total e até o momento dois deles já foram lançados: Episode 1:A new day e Espisode 2 :Starved For Help. Ao fim de cada episódio há um trailer de previsão para o próximo e uma tela de estatísticas mostrando suas escolhas e a porcentagem geral dela com relação a quem já jogou.

The Walking Dead tem qualidade de sobra. Possui uma excelente historia, personagens bem delineados e momentos de tensão. O poder de decisão que o game oferece ao jogador é interessante e o melhor: com ele você saberá de fato se está preparado para uma invasão zumbi...ou não.

Cotação: (5/5 - 9/10)

Ficha técnica: The Walking Dead -episodes 1 e 2 (Distribuição digital -PSN/ Xbox Live/Steam). Adbeture. Produtora e distribuidora: Telltale Games. Data de Lançamento: Espide 1: Junho de 2012. Espide 2: Julho de 2012. Os demais provavelmente de Agosto a Outubro de 2012.  Versão testada: Playstation 3.



            

quarta-feira, 4 de julho de 2012

...CINEMA. Opiniões #37 - O Espetacular Homem-Aranha


...CINEMA
Opiniões #37 – O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca




           
Depois de um hiato de cinco anos, o carismático e popular Homem-Aranha retorna aos cinemas cercado de mistérios e muita desconfiança por grande parcela do público e fãs. Afinal de contas, este O Espetacular Homem-Aranha tem como proposta reiniciar a franquia e dar nova direção ao personagem nos cinemas.

            Sua história retoma novamente a origem do herói com o órfão adolescente Peter Parker que mora com seus tios Ben e May Parker. Tímido e sem saber ao certo o que ocorreu com seus pais, tem que lidar com os problemas da adolescência. Tudo se complica ainda mais quando ele adquire poderes proporcionais de uma aranha, se envolve com sua colega de escola Gewn Stacy e seu mentor o Dr. Curt Connors se transforma no terrível lagarto. Ciente de que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, Peter se torna o Homem-Aranha para combater o crime. E a verdade sobre seus pais começa a se desvendar.

            O fato mais criticado pelos fãs e espectadores é de o filme recontar novamente a origem do herói. Mas se o objetivo era mesmo dar uma nova direção e renovação ao personagem isso tinha que ser feito. Até por que ela é ligada ao tal mistério envolvendo o sumiço dos pais de Peter.

            Esta versão é uma mistura de inspirações em momentos dos quadrinhos clássicos, do universo ultimate[1]e de novas idéias e liberdades criativas, que, diga-se de passagem, são muitas. Nesse sentido, fica a boa notícia que o importante foi mantido: a essência do personagem.

            Seguindo a cartilha de grandes histórias de origem de super-heróis no cinema como no Superman de Richard Donner e no Batman Begins de Christopher Nolan, por exemplo, a primeira metade do filme dedica-se à apresentação dos personagens, motivações e relacionamentos.

            Neste quesito deve-se destacar que é na origem do herói onde as maiores liberdades criativas são tomadas. Os conhecedores de longa data do personagem irão provavelmente estranhar um pouco este começo, mas no momento em que o personagem aparece trajando o uniforme pela primeira vez tudo faz sentido de forma quase que instantânea.

            O filme vai crescendo aos poucos, começando em um ritmo lento e intimista até o início de sua metade onde ele cresce em ação e ritmo. Há uma mistura equilibrada de drama, comédia e ação como acontece desde sempre nos quadrinhos e “vida” do Homem-Aranha.

            No quesito drama, apesar de extremamente louvável a tentativa de enfoque do filme nesse aspecto, é onde residem algumas irregularidades. Enquanto o casal central é bem explorado, cortesia do diretor Marc Webb[2] que fez um brilhante trabalho em (500) das com ela, não se pode dizer o mesmo da relação entre Peter e Connors e principalmente com a tia May que poderiam ter tido uma atenção um pouco maior no primeiro ato do filme. Mesmo assim, cada personagem é importante, e aqui se adiciona também o Capitão Stacy, na formação do herói que surge. O sacrifício físico e emocional que passa também não foi esquecido.

Além do desaparecimento dos pais de Peter, o conceito de cruzamento de espécies e o fato de a Oscorp[3] estar envolvida neste experimento também é outro aspecto que permeará não só o filme como a franquia daqui para frente.[4]

            Com relação à comédia, nunca abobalhada é bom frisar, o importante e o mais gratificante é ver o aspecto piadista de Parker aflorando ao colocar a máscara e enfrentar o perigo[5]. As seqüências em que descobre seus poderes em uma verdadeira “comédia de erros” foram bem sacadas.

            Já a ação do filme é competente e a atitude louvável de se utilizar mais dublês do que CG´s foi extremamente importante para, ao lado dos quesitos acima elencados, APRSENTAR UM HOMEM-ARANHA EXTREMAMENTE CRÍVEL E PALPÁVEL.

            A utilização do 3D (nativo[6]), conforme o trailer já entregava, é inebriante nas seqüências de deslocamento do personagem e as em primeira pessoa chegam a ser nauseantes.

            Ainda há espaço para o lado aracnídeo do herói, em seus trejeitos e poses e principalmente numa seqüência muito bem sacada nos esgotos.[7] O uniforme, que nas fotos de divulgação parecia ser um problema, se revela muito bonito e funcional.

            Quanto à trilha sonora, a parte orquestrada por James Horner é contida e incidental e agrada. O que não pode se dizer da trilha pop que toca em alguns momentos do filme.[8]

            Mas este universo palpável que aqui se inicia não seria possível ante a um bom elenco. Andrew Garfield encara o peso de interpretar este cheio de nuances Peter Parker. Se alguém ainda duvidava de seu talento dramático, provavelmente por que não assistiu seu desempenho aos excelentes Não me Abandone Jamais e A Rede Social, vai sair do cinema surpreso com sua interpretação arrebatadora. Emma Stone, cada vez mais em ascensão, compõe com autenticidade sua Gwen Stacy[9] e a química com Garfield, essencial para todo o filme, é irretocável[10].

            Rhys Ifans como o Dr. Curt Connors e posterior oponente Lagarto, faz o que pode com seu personagem e o roteiro até tenta imprimir algo no sentido Dr. Jekyll e Mr Hyde, porém seu “plano maligno” é, convenhamos, surpreendentemente bobo.
           
No elenco de apoio, o sumido Denis Leary[11] entrega um ótimo Capitão Stacy, ainda que com pouco de tempo em tela. Os consagrados Martin Sheen e Sally Field adicionam credibilidade como os Tios Bem e May de Peter. O relacionamento de Parker com eles não é muito bem aprofundado, mas os personagens, conforme anteriormente falado, cumprem com seus papéis de formadores de caráter.

O Espetacular Homem-Aranha, portanto, consegue com extrema competência, apresentar esta nova versão do herói para os cinemas. Não é perfeito, possui suas falhas, mas reúne de forma bastante agradável drama, comédia e ação resultando em um filme acima da média.[12] A essência do personagem, sua falibilidade, sua humanidade se mantém intacta e o melhor e mais marcante:  o Homem-Aranha nunca foi tão real.

Cotação:  (5/5 - 9/10)

Ficha técnica: O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, USA, 2012). Ação. Drama. Direção: Marc Webb. Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Martin Sheen, Sally field e Denis Leary. Duração: 136 min.


Observação importante: A não menção á trilogia dirigida por Sam Raimi é proposital, pois o objetivo é analisar aqui O Espetacular Homem-Aranha como filme e adaptação do personagem e não comparar as versões.



[1] Uma adaptação dos personagens Marvel para o século 21.
[2] Web em inglês é teia. Predestinado hein?
[3] As menções á Norman Osborn são até maiores do que se pensava
[4] O game baseado no filme também segue este aspecto
[5] E se o fato de ele se “soltar” sempre que veste o uniforme é atestado desde a sua criação, no filme ele confessa abertamente em uma cena com um garoto em perigo.
[6] Não sabe a diferença entre 3D nativo e convertido? O “Falando de” explilica aqui: http://blogdofalandode.blogspot.com.br/2012/02/tecnologia-2-o-3d-e-suas-possibilidades.html
[7] Não tem como lembrar da fase de Todd Mcfarlane á frente do herói
[8] Principalmente nas partes “adolescentes” de Peter.
[9] Ainda que também tenha sofrido liberdades criativas como a sua função no Oscorp.
[10] Não é surpresa, portanto, que o casal tenha engatado um romance também fora das telas, ainda que ambos estejam agindo com notável discrição quanto ao assunto.
[11] Sues últimos trabalhos no cinema foram as dublagens do personagem diego na, agora quadrilogia, Era do Gelo.
[12] Os aplauso efusivos do público ao final da sessão depões favoravelmente á esta aformação.