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A
saga das Crônicas de Gelo e Fogo é um
estrondoso sucesso literário e já dominou a televisão mundial com a série Game of Thrones. Agora chegou a vez de
aportar aos games na forma de um RPG.
Co-escrito
pelo próprio George R.R Martin, escritor dos livros, o game se passa em eventos
anteriores e paralelos à história dos livros e da série. Nele o jogador
controlará dois personagens: Mors Westford, um veterano membro da guarda da
noite e Alester Sarwyck um lorde de volta às suas terras após quinze anos de auto-exílio.
O
forte do jogo sem dúvida alguma é sua história. Ambos os personagens possuem background emocional interessante que,
ao avançar do jogo, vai se revelando cada vez mais. É a história de ambos, a
mistura entre elas e os acontecimentos da saga que vai manter o jogador interessado
até o seu final.
História
esta que é afetada pelas escolhas morais feitas no seu decorrer. Outro aspecto
interessante do jogo, algo normal nos RPG´s modernos.
Nas
mais de 20 horas de jogo, a jogabilidade consiste em percorrer os cenários
pouco inspirados e pequenos atrás das quest´s principais e secundárias, falar
com personagens que venham pelo caminho e volta e meia entrar em combate. Alguns
personagens clássicos aparecerão (alguns até usando a imagem e a voz de seus
atores do seriado) ou serão citados.
Os protagonistas Mors...
...Alester...
...e outros personagens já conhecidos do público
Algumas
sidequests influenciam diretamente na
história principal então é bom ficar atento a elas.
O
combate é pouco inspirado e bastante sem graça. Pode-se se tornar a ação lenta
com o R1 para que o jogador possa determinar o tipo de ataque ou defesa de seu
personagem. Nos combates mais complicados, principalmente ao final do jogo isto
será de extrema importância. Quando
jogando com Mors, ainda há a possibilidade de usar o seu fiel cachorro para
farejar pessoas e itens importantes como atacar seis inimigos (servindo como
uma espécie de ataque stealth). Esse
aspecto só é interessante na primeira vez que se usa, ficando chato e
repetitivo no decorrer do jogo.
Apertando R1 durante o combate a ação fica lenta e aparece a lista de golpes especiais
No
quesito evolução de personagens ela se dá de forma lenta, pois em média sobe-se
de nível em média uma vez por capítulo. A cada nível aumentado, distribui-se
pontos em suas habilidades e aumenta a sua “árvore” de poderes de ataque,
defesa, etc. O jogo ainda possui com uma variação de respeito de armas e
armaduras.
Mas
o aspecto negativo do jogo fica mesmo na sua parte técnica. Os gráficos são
simples, sem muita inspiração e as animações dos personagens “duras” e sem
graça. Os cenários extremamente repetitivos e pouco variados. A trilha sonora
se beneficia da utilização da deslumbrante música tema do seriado na abertura,
mas a trilha in game é, na esmagadora
maioria das vezes, sem graça. Nesse aspecto, há inclusive um defeito grave que
consiste na falha de sons e diálogos ocasionais. Loadings demorados também contribuem para este aspecto negativo.
Simples
e repetitivo em sua execução, mas com uma história poderosa, Game of Thrones não faz jus à série e
livros por completo nem tem competência para bater de frente com os RPG´s de
ponta do mercado. Mas se você começar a jogá-lo, vai querer superar todos esses
defeitos e chegar aos surpreendente e satisfatório final.
Cotação: (3/5)
Ficha Técnica: Game of Thrones
(PS3/XBOX 360/ PC). RPG Desenvolvedora: Cyanide. Produtora: Atlus. Lançamento:
15 de Maio de 2012. Versão testada: PS3.
Versão testada:
Além
da versão com apenas o game, fora vendido nos EUA uma versão pelo mesmo preço
que contém um belíssimo artbook do jogo. Esta foi a versão que nós testamos.
Agradecimentos à Razorgames Brasil que nos trouxe esta versão prontamente.
Opiniões # 32 – Prometheus (Prometheus, USA, 2012).
Por Marlon Fonseca
Prometheus marca o retorno de Ridley
Scott ao universo de Alien que ele mesmo estabeleceu há mais de 30 anos.
Cercado de expectativas e mistérios quanto ao seu desenvolvimento é chegada a
hora de conferir o seu resultado e de que forma contribui para a franquia.
Na
trama, um grupo de cientistas e exploradores a bordo da nave Prometheus busca,
em um sistema solar distante, pistas sobre as origens da vida. Mas, além disso,
podem encontrar algo muito perigoso.
Agindo ao
mesmo tempo de forma independente e como um prelúdio para toda a franquia
Alien, a história é interessante e possui muito mais ligação com o universo dos
seres xenomórficos do que se suponha.
O
primeiro aspecto do filme que se destaca é a sua escala grandiosa. Cenários,
figurinos, efeitos especiais de altíssima qualidade e que compõem com extrema
competência o clima do filme. Na direção de arte, inclusive, é visível a
inspiração ao trabalho do designer H.R Giger do Alien original. O fato de contar com o talento e a experiência de Scott
na direção aumenta ainda mais o seu pedigree.
O
ritmo do filme é bastante cadenciado, lento, lembrando, neste sentido, os
filmes da década de 70 e 80 e contrapondo-se aos tempos atuais de produções
frenéticas e aceleradas. Tal fato serve ao propósito na formação da atmosfera e
ambientação da história e para que as revelações surjam aos poucos tanto para
os exploradores como para os espectadores. Aos poucos este ritmo vai crescendo
até a chegada do clímax.
Esse
aspecto pode aborrecer parcela do público já desacostumada com esse tipo de ritmo,
mas o filme falha mesmo é no desenvolvimento e relacionamento dos personagens.
Enquanto a produção deslumbra e o ritmo mantém a ambientação e a curiosidade do
espectador, os personagens são muito pouco interessantes. Incomoda, também, o
fato de algumas situações que aparentemente teriam importância para a trama
serem afastadas sem motivo ou solução aparente e/ou convincente.
E
isso não deixa de ser um pecado perante a qualidade do elenco que faz uma
mescla entre atores mais tarimbados e experientes com talentos em ascensão. Curiosamente,
o personagem mais bem desenvolvido é o andróide David de Michael Fassbender,
seu conflito entre querer ser humano e ao mesmo tempo desprezar a sua raça
criadora é tratado de forma sutil, mas contundente, dando ecos, inclusive, de
outra obra prima de Scott, Blade Runner.
Guy Pearce (irreconhecível para
muitos) e Charlize Theron fazem o que podem com seus personagens ainda que
padecendo de seu fraco desenvolvimento do roteiro. Noomi Rapace segura bem a
responsabilidade de encarar a sua primeira protagonista de um filme de
Hollyoowd[1] e sua religiosidade contrapondo a sua formação científica também é tratada de forma sutil. Idris Elba e Logan-Marshall Green também fazem o que podem com seus personagens.
Ainda
que possua esta falha no desenvolvimento dos personagens, o resultado é um
filme bastante competente. Uma produção que mesmo cercado de um aspecto visual
fortíssimo, não se escora nela e a utiliza para acertar em sua ambientação.
O uso do 3D
surpreende positivamente e, apesar de não ser obrigatório para viver a
experiência do filme, ele a amplia em vários momentos soando uma conversão mais
competente do que se esperava.
No quesito
ligação com a franquia Alien, tal qual o desenvolvimento do filme, ela vai aparecendo
aos poucos durante a expedição e ficando mais evidente mais para o final do
filme.
Mas o filme,
apesar de responder algumas perguntas que estavam soltas desde o primeiro filme,
não se engessa no que já fora criado nesse universo e o amplia trazendo novos
elementos e personagens importantes como os “engenheiros”[2],
além de criar novas perguntas e mistérios.
Assim, Prometheus resulta não somente em um
filme que compõe bem a mitologia da série Alien
como também em uma ficção científica com vida própria e inegável classe, algo
que não se via há algum tempo no gênero.
Cotação: (4/5)
Ficha
técnica: Prometheus (Prometheus, USA, 2012). Ficção Científica. Direção: Ridley
Scott. Elenco: Noomi Rapace,
Michael Fassbender, Charlize Theron, Guy Pearce, Idris Elba e Logan-MarshallGreen.
Duração: 124 min.
[1] Para
quem ainda não sabe, ela foi a Lisbeth Salader da trilogia Millenium sueca e participou de Sherlock
Holmes 2- O jogo das sombras.
[2] Ridley
Scott sempre ao falar deste filme relatava que não só iria explicar quem era o
“Space Jockey” (figura emblemática do primeiro filme ainda que tenha aparecido
em apenas uma brevem mas marcante, cena) como desenvolve-lo e de fato o fez.
Opiniões - Episódio
final da Segunda Temporada de Game of
Thrones
Por Marlon Fonseca
No
Domingo que passou encerrou-se mais uma temporada de Game of Thrones. Como de
costume em uma série deste porte e já com bastante material à frente, o último
episódio apontou mais os caminhos para a terceira temporada.
Começamos
já descobrindo que, para alegria geral do público, Tyrion não tombou
definitivamente em
batalha. Porém, a cicatriz em seu rosto foi a menor de suas
preocupações pós batalha. A perda do seu cargo de Mão do Rei e suas regalias
foi ao mesmo tempo uma traição de seu pai e vingança de sua irmã. O que será
dele agora?
Ferido no corpo e na alma
Em
King´s Landing, a vida de Joffrey
tende a ficar mais complicada com o seu tio atuando como a Mão. Além disso, o
casamento com Margaery não será somente de prazeres como ele pensa. Ela é
perigosa e deseja fortemente o poder. Uma personagem que com certeza crescerá
na próxima temporada.
Diante
desta situação Sansa fica com a situação ainda mais delicada e provavelmente
precisará do seu novo aliado: o cão. Petyr Baelish (Littlefinger) e Lord Varys (a aranha) continuam com as suas
tramóias pelo reino em uma acirrada disputa de intrigas.
A dupla da intriga
A
queda de Winterfell e a morte de um personagem simpático ao público resultaram
no momento mais triste do episódio. Já Theon Greyjoy chega a cair em um dilema
sobre toda a sua conduta, mas acaba por sofrer sua derrocada.
Ainda
na casa Stark tivemos Robb se casando escondido, fato que com certeza lhe trará
toda a sorte de conseqüências no futuro. Arya e Bran continuam respectivamente
como fugitivos e Jon Snow se vê obrigado a matar um amigo para ganhar a
confiança dos selvagens.
Stannis
Barathein mostra estar cada vez mais tendente ao lado negro.
O
episódio termina de forma contundente ao mostrar mais uma demonstração do
crescimento da força de Daenerys e seus dragões e ao apontar a chegada do
temível exército dos Outros.
Poder em ascensão
O perigo se aproxima
Muita
coisa ainda vai acontecer. Novos personagens surgirão.
E
vocês? O que estão achando da série até o momento? Qual personagem é o mais
interessante?
Enquanto isso...
A
Segunda temporada de Game of Thrones
terminou, mas a Quinta temporada de True
Blood começa neste Domingo também na HBO. Se você gosta da série não deixe
de acompanhar os comentários sobre ela aqui no “Falando de...”
A
volta de Ridley Scott ao universo de Alien
e dos atrapalhados e carismáticos personagens de Madagascar aos cinemas. Indicações para DVDV e Blu-ray e para o
sistema Netflix estão no “dicas” desta semana
CINEMA:
Prometheus (pré-estreia em alguns cinemas): Cercado de expectativas
e mistério trata-se da volta de Ridley Scott ao universo de Alien. Espécie de prequel e ao mesmo tempo com alguma
autonomia o longa conta o que a expedição da tripulação da nave Prometheus ao
procurar a origem da vida.
O
“Falando de...” já está garantido na pré-estréia de amanhã e no Sábado contará
tudo.
Madagascar 3 os Procurados: Alex, Melman, Gloria eMarty (além claro dos pingüins e de
outros coadjuvantes) continuam em sua viagem de volta para casa e acabam
parando na Europa e no mundo dos circos.
DVD/BLU-RAY:
A invenção de Hugo Cabret: Uma história emocionante e uma
verdadeira homenagem ao início do cinema. Dirigido por Martin Scorcese.
Imperdível. Caso possua televisão em 3D prefira alugar ou adquirir o Blu-ray
com esta tecnologia.
Millenium: Os homens que não amavam as mulheres: Versão americana
da primeira parte de uma trilogia sueca de livros e filmes contando as
investigações da inusitada dupla vivida por Michael Blomqvist e Lisbeth
Salander. Adulto, inteligente, sexy e com uma das personagens femininas mais
interessantes dos últimos tempos.
Sangue Negro: A ambição é o mote deste poderoso filme dirigido por
Paul Thomas Anderson. Daniel Day Lewis entrega um dos personagens mais interessantes e odioso da hsitória do cinema
A Outra: Scarlett Johansson e Natalie Portman disputam Eric Bana baseado
no romance “A irmã de Ana Bolena”
Opiniões #31 – Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Hunstsman, USA, 2012)
Por Marlon Fonseca
Segundo
filme a tratar sobre a personagem no ano, Branca
de Neve e o Caçador se apresenta com um enfoque diferente sobre a história,
com aspectos mais sombrios e ampliando a relação entre a donzela e o caçador,
com ares de épico de fantasia (diferente do abobalhado e sem graça Espelho, espelho meu[1]).
Na
trama, a Rainha má (Charlize Theron) domina seu reino e o mantém em regime de
opressão em razão de sua busca obsessiva por beleza e poder. Ao ser notificado
por seu espelho de que sua enteada, Branca de Neve (Kristen Stewart), lhe seria
uma ameaça contrata um caçador para arrancar-lhe o coração. Arrependido, o
caçador (Chris Hensworth) ajudará a moça a reaver ao trono ao lado de oito
(??!) anões.
Dois
aspectos se sobressaem no filme. O primeiro é na parte estética. Fotografia,
direção de arte, efeitos especiais e designs
das criaturas estão impecáveis e resultam em um espetáculo visual de primeira.
Já
o segundo aspecto positivo reside na interpretação inspirada de Theron como a
rainha má. Mesmo se esperando um bom trabalho da atriz, ela consegue
surpreender a todos e consegue ir muito além. Não é exagero que sua vilã possa
ser considerada como a melhor do cinema neste ano até o momento.
O
roteiro, ciente de que Kristen Stewart em nenhum universo existente, é mais bela
que Theron, utiliza-se do outro sentido da palavra fair: justo. (apesar de a tradução brasileira não ter entendido isso.) E não deixa de ser uma sacada interessante transformar
a donzela em princesa guerreira.
Esta
idéia, porém, foi auto-sabotada em razão de um roteiro muito mal elaborado. Tirando
a parte inicial onde se mostra como a rainha tomou o reino, todo o resto do
filme é apressado. Os relacionamentos também são muito rasos assim como as
motivações dos personagens.
Se
Charlize brilha, o resto do elenco é irregular. Stewart, que é melhor atriz do
que seu desempenho na saga Crepúsculo revela, vai evoluindo no decorrer do
filme e só cresce mesmo em clímax.
Chris Hensowrth, que vem em uma carreira
ascendente, com seu caçador repete os mesmos trejeitos que entregara em Thor,
com um acréscimo de um sotaque ridículo. Ambos são sabotados, ainda, pelo fato
de o roteiro não estabelecer de forma competente seu relacionamento. O ator que
interpreta Willian (Sam Claflin), o amigo de infância de Branca de Neve, é
fraquíssimo.
Já
os oito anões[2], são
interpretados por grades nomes como Ian McShane, Bob Hopskins, Toby Jone, Ray
Winstone e Brian Glesson. Mas, infelizmente pouco fazem no filme.
Assim,
Branca de Neve e o Caçador, apesar de ser uma boa idéia, esbarra em sua má
execução, principalmente no tocante aos relacionamentos entre os personagens e
o aprofundamento de suas motivações. Se salva por ser um espetáculo visual
irretocável e por ter uma vilã interpretada com maestria por Charlize Theron
que acabam por ser a salvação do filme.
Cotação: (3/5)
Ficha técnica: Branca de Neve e
o Caçador (Snow White and the Hunstsman,
USA, 2012). Ação. Drama.
Fantasia. Direção: Rupert Sanders. Elenco: Kristen Stewart, Charlize Theron,
Chris Hensworth, Sam Claflin, Ian McShane, Bob Hopskins, Toby Jone, Ray
Winstone e Brian Glesson.
Matérias Especiais # 2- Adaptações (parte 1). Dos livros paras as telas.
Por Marlon Fonseca
Expediente
usado nos cinemas desde os primórdios a adaptação de um livro para o cinema não
é algo fácil, tendo ao longo dos anos, apresentado resultado dos mais variados
possíveis.
Apesar
de um filme ter como pedra fundamental um roteiro escrito a diferença entre
filme e livro é clara e inequívoca e ao se fazer uma adaptação de uma obra
literária, certos obstáculos são inevitáveis de transpor.
Começando pela
essência da história. Em qualquer tipo de adaptação não há a necessidade
absoluta de se transpor ás telas todo o conteúdo do material adaptado, porém, a
sua essência é fundamental. História, personagens e suas motivações,
personalidade e nuances, situações importantes devem ser transportadas da
melhor maneira possível. Não necessariamente de forma rigidamente fiel, literal,
mas que também não a descaracterize completamente.
Paralelamente
deve se decidir pelo enfoque que será dada a obra e a forma de como será feito.
Que aspectos da história serão contados, a forma de como isto acontecerá, os
temas e situações e de como estes serão apresentados na tela.
Por muitas das
vezes e por serem tipos de obras diferentes, há a necessidade de proceder com
“cortes” ou modificações para melhor se adequar ao formato. Personagens e algumas situações por muitas das vezes não se faz presente na versão das telas e tal
fato é perfeitamente aceitável. Logicamente, se feito de forma competente e que
não se perca os principais: essência e compreensão da obra. Em o Advogado do Diabo, por exemplo, o final do filme
é completamente diferente do livro, mas se manteve a mensagem final.
A
“visualização” da obra também é importante e em muitos casos difícil de
alcançar. Transformar paisagens, lugares, aspectos físicos dos personagens, etc
em imagens, cenário e figurino pode ser uma tarefa árdua.
Passaremos
agora a exemplificar todo o falado com alguns exemplos práticos. Primeiramente
no tocante às adaptações bem sucedidas.
No Cenas de Cinema # 4 fora mencionado o trunfo que
Peter Jackson alcançou adaptando a complexa obra de J.R.R tolkiem “Senhor dos
Anéis”. Considerada “infilmável” por muitos em razão de toda a grandiosidade de
sua trama, excesso de detalhamento de toda a Terra Média e grande número de
personagens importantes e complexos, Jackson (que roteirizou e dirigiu os três
filmes) acertou em todos os aspectos. O resultado foi uma obra que, assim como
nos livros, nos apresenta um mundo extremamente rico e belo não somente nas
paisagens exuberantes, mas principalmente nas mensagens que ele passa. O
aspecto principal da obra literária, sua alma, sua mensagem se fez presente de
forma intacta no cinema.
A Terra média de Tolkein ganhou vida em Senhor dos Anéis
A adaptação da
obra clássica de Bran Stoker “Drácula” feita pelo excelente Francis Ford
Copolla também merece destaque. A história no livro é todo montado como se
fosse uma colação dos diários dos personagens contando sob seus pontos de vista
os sinistros acontecimentos em sua volta. A adaptação cinematográfica
roteirizada por James V. Hart, por motivos acertados, condensou e transformou
tais cartas em forma de um roteiro mais “tradicional” e fez um excelente filme
mantendo situações, personagens, ou seja, a essência, de forma correta. O
resultado foi excelente: um filme sinistro, romântico e surpreendente tal qual
o livro.
Em algumas
situações (um pouco mais raras) somos surpreendidos com filmes melhores até do
que os livros que o inspiraram. Isso ocorre principalmente pela habilidade do
roteirista que consegue cortar fatos irrelevantes conseguindo alcançar uma obra
com ritmo melhor e mais agradável. Exemplo é o cult Clube da Luta, o ritmo e o final do filme são mais impactantes no filme do que no livro.
Clube da luta filme...
... e livro: ambos impactantes ao seu modo
Já em outras, há a expansão da obra ou mesmo uma leve adaptação ocasionando resultados
diferenciados entre livro e filme. No primeiro caso geralmente se dá através de
adaptações de contos. Por serem menores, os roteiristas pegam a idéia e a
ampliam como os contos de Isaac Asimov que geraram os filmes Eu robô e I.A – Inteligência Artificial. Como exemplo do segundo caso podemos
citar os filmes de James Bond, personagem originário das páginas dos livros
de Ian Flamming, que não são baseados em nenhum de seus livros. No âmbito
Nacional temos o triunfante Tropa de
Elite que baseado e roteirizado pelos mesmos autores do livro também
excelente Elite da Tropa temos obras
que se distanciam, mas também se complementam.
Capitão Nascimento não aparece no livro "Elite da Tropa"
Por fim,
existem os casos de filmes que não conseguiram de alguma forma alcançar a
qualidade do livro e se apresenta por algum motivo piores ou incompletos. Um
exemplo curioso é a adaptação de O código
da Vinci o livro de Dan Brown apresenta uma estrutura bem parecida á de um
roteiro cinematográfico e é repleto de momentos de tirar o fôlego. A sua adaptação,
apesar de extremamente, fiel peca pela surpreendente falta de ritmo. Recentemente
a obra de Jorge amado Capitães de Areia
sofreu adaptação pouco satisfatória.
Código da Vinci decepcionou pela indesculpável falta de ritmo
Para terminar
fica a sugestão de um exercício interessante e enriquecedor para uma melhor
verificação de todo o exposto aqui. Escolha um livro que sofreu uma adaptação
cinematográfica e o leia. Posteriormente, assista ao filme e faça as suas
comparações entre ambos tentando observar os aspectos dessa adaptação.
Vejam como um
exemplo uma das cenas mais fantásticas da história do cinema e o trecho que a
inspirou:
”(...)Desceram mais, saindo da névoa, e ele pôde
enxergar a ilha em toda a sua extensão, de norte para a Sul. Como Regis
dissera: coberta de floresta tropical.
No Sul, erguendo-se acima das palmeiras, Grant viu um
único tronco, sem folhas, apenas um caule curvo. Em seguida o tronco se moveu,
virando-se para encarar os recém-chegados. Grant se deu conta que não era uma
árvore.
Ele estava olhando para o pescoço longo, curvo e
gracioso de uma criatura enorme, que chegava a mais de quinze metros de altura.
Estava olhando para um dinossauro
— Meu
Deus — Ellie disse num sussurro. Todos mantinham os olhos
fixos no animal cuja cabeça aparecia por cima
das árvores.Em primeiro lugar ela pensou que o dinossauro era
extraordinariamente belo. Nos livros eram animais exagerados,desengonçados,
mas aquele bicho de pescoço comprido tinha graça e dignidade em seus movimentos. Era ágil: não havia nada de
preguiçoso em seu comportamento. O saurópode observou-os
atentamente, emitindo depois um som de trombeta, parecido com ode um elefante.
Logo depois outra cabeça emergiu da folhagem,seguida de uma terceira e uma
quarta.— Meu Deus — Ellie repetiu.Gennaro perdeu a fala.
Ele sabia muito bem o que encontraria— há anos — mas de certo modo nunca
acreditara que realmente fosse acontecer. O choque o deixou mudo. O poder
assombroso da nova tecnologia genética, que considerava antes apenas um montede
palavras de um discurso meio batido, repentinamente desabou sobre ele com força
total. Os animais eram tão grandes! Enormes!Maiores do que uma casa! E havia
muitos! Dinossauros de verdade, puxa vida! E reais, o que mais poderiam
querer?E imediatamente pensou: Vamos ganhar uma fortuna com
este lugar.Uma fortuna.
Ele rezou a Deus para que a ilha fosse segura. Grant
parou no meio do caminho, na encosta do morro, a garoa atingindo o rosto, olhos
fixos nos longos pescoços cinzentos acima das palmeiras. Sentia-se tonto, como
se o chão faltasse a seus pés. Teve dificuldade em recuperar o fôlego, pois
estava olhando para algo que nunca imaginara ver em sua vida.Os animais no meio
da névoa eram apatossauros, saurópodes de tamanho médio. Sua mente anuviada
começou a fazer associações acadêmicas: herbívoros da América do Norte, do
final do período Jurássico, comumente chamados de "brontossauros". Fósseis
descobertos por E. D. Cope em Montana, no ano de 1876.
Espécimes associados aos estratos da formação Morrison, no Colorado, Utah e Oklahoma. Recentemente Berman e Mclntosh os reclassificaram
como diplodocus, baseados na forma do crânio. Tradicionalmente,acreditava-se
que o Brontosaurus passava a maior parte do tempo na água rasa, que ajudaria a suportar seu corpo imenso. Embora o
animal não estivesse na água, movia-se depressa demais, a cabeça eo pescoço
agitando-se por cima das palmeiras de um modo muito
ativo...surpreendentemente ativo.
Nas
locadoras a estréia de Raplph Fiennes na direção, Branca de Neve (novamente)
nos cinemas e indicações do Netflix além da disputa pelo treno de ferro chegando aos games, estão neste “Dicas da Semana”.
CINEMA
Branca de Neve e o Caçador: Mais um filme recontando as histórias
de Branca de Neve. O enfoque é nas batalhas épicas e no relacionamento da moça
(interpretada por Kristen Stewart) e o Caçador (Chris Hensworth). Cahrlize
Theron é a rainha má.
Obs: O filme será conferido hoje
pelo “Falando de...” e amanhã já teremos seu “opiniões”
Solteiros com filhos: Comédia que mostra um casal que decide ter
uma criança mas manter seu relacionamento aberto. Com Kristen Wiig (que
estourou no ano passada com Missão Madrinah de casamento) e a participação da
musa Megan Fox.
DVD/Blu-ray
Coriolano: Ralph Fiennes estréia na direção com esta adaptação da
obra de Shakespeare. General romano antes reverenciado é traído pelo seu povo.
Em busca de vingança, une-se ao se principal inimigo. O próprio Fiennes interpreta
o general Caius Martius Corolianus. Gerard Buttler é o seu inimigo Tulus
Aufidius. Ainda no elenco Vanessa Redgrave, Brian cox e Jéssica Chanstain.
Apesar de adaptado para os tempos modernos, os diálogos e linguajar originais
foram mantidos.
A Mulher de Preto: Terror gótico protagonizado pelo ex-Harry Potter
Daniel Radcliff onde o ponto alto é a competente ambientação. Na trama um jovem
advogado vai a um vilarejo para vender a casa de um cliente e defronta-se com a
mulher de preto do título.
Sentença de Morte: Neste interessante filme de suspense sobre
vingança, Kevin Bacon (sim, aquele mesmo do oráculo de Bacon...não sabe do que
estamos falando? Leiam Aqui)
interpreta um pai que após o assassinato brutal do filho parte em busca de seus
assassino.
Meninamá.com: Quem está acostumado com a Ellen Page em Juno ficará
surpreso com uma de suas primeiras atuações no filme de estréia do diretor
David Salde (30 dias de Noite, Saga Crepúsculo: Eclipse). Aqui, o pedófilo é a vítima.
Game of Thrones(PS3/XBOX360): Lançado quase que despercebido há mais de 15 dais, este RPG da Atlus é ambientando no universo dos livros e série porém contando história anterior aos acontecimentos de ambas.
O "Falando de..." está testando o game e em breve publicará um "opiniões" sobre ele.
BOM FINAL DE SEMANA E BOM DIVERTIMENTO PARA TODOS!!!!!
Opiniões – Segunda temporada de Game Of Thrones Parte 2
(episódios 2.06 a
2.09)
Por Marlon Fonseca
CUIDADO! ESSE TEXTO CONTÉM INFORMAÇÕES QUE PODEM ESTRAGAR A SURPRESA DE
QUEM AINDA NÃO ASSISTIU AOS EPISÓDIOS!!!
Após
o fantástico episódio de ontem falta apenas mais um para o encerramento da
segunda temporada de Game of Thrones.
Nesta segunda parte de discussões sobre a segunda temporada vamos tratar dos
episódios 2.06 a
2.09 e nos prepararmos para o encerramento na próxima semana.
Durantes
este episódios as vidas dos irmãos Stark continuaram bastante movimentadas.
Arya encontra um aliado bastante útil e paralelamente desenvolve uma relação
perigosa com Twin Lannister. Bran, que estava se saindo bem como lorde de
Winterfell, teve que abandona-la ante a ocupação de sua terra por Greyjoy.
Mas
não há relação mais inusitada na série senão a do “cão” com Sansa. Desde quando
ele a impede de jogar Joffrey de cima do castelo[1],
observa-se um ar de protecionismo dele para com ela. O salvamento de um estupro
e, por fim, a promessa de levá-la para Winterfell em meio á tomada do castelo
só aprofundaram a situação. Que sentimento se encontra por trás dessa atitude
de “cão”?
Já
Robb se vê a volta com importantes acontecimentos e decisões. Em primeiro lugar
é pego de surpresa com a traição do seu então “irmão” Theon Greyjoy, que toma
de assalto sua cidade e rapta seus irmãos. Depois, tem que tomar uma pesada
decisão contra sua própria mãe, ao se sentir traído em razão de a mesma ter
libertado Jaime Lannister. Por fim, finalmente cede aos encantos e à paixão por
Talisa mesmo sendo prometido à outra mulher.
Jon
Snow mostra que inexperiência e excesso de piedade são perigosos por trás da
muralha e se vê preso e envolvido com a bela, inteligente e misteriosa Ygritte.
Robb Stark começa a sentir o peso da liderança...
...e Snow o peso da inexperiência e a beleza de uma mulher
Enquanto
isso em King´s Landing, o jogo de
poder entre Cersei e Tyrion esquentava com as tentativas, ainda que
equivocadas, da rainha de se fortalecer novamente. Foi dado nestes episódios,
também, um enfoque no lado maternal de Cersei onde mesmo dentre as suas visões
deturpadas de amor, ela se mostra verdadeiramente apaixonada por seus filhos.
Cersei ganhando mais "camadas" em sua personalidade
Daenerys
percebe, finalmente, que por trás da beleza da cidade de Qarth, existem perigos
ocultos e vê seus filhotes de dragões em perigo.
Mas
tudo isso se interrompe com a tentativa de tomada do castelo e do trono por
parte de Stannis Baratheon no espetacular nono episódio desta temporada. Aqui,
Tyrion, além de um estrategista mostra-se um verdadeiro lorde de guerra ao
liderar o exército enquanto o rei literalmente corre para as barras das saias
de sua mãe. Ele consegue enfraquecer o
exército de Baratheon até que seu pai chega e termina com a batalha.
Tyrion comanda seus soldados
Stannis
é preso, Tyrion jaz ferido (mortalmente ?) no solo, Bran, Arya e Sansa estão
foragidos e muita coisa ainda está para acontecer . Aguardemos o fim desta temporada e os rumos que se seguem.
[1] Essa
cena ocorreu quando Jofreey mostrou à Sansa a cabeça de Ned Stark em uma lança
assim que assumiu o reinado.
Opiniões #30 – Homens de Preto 3 (MIB3 – Men in Black 3, USA, 2012)
Por Marlon Fonseca
Iniciada
em 1997, a
franquia Homens de Preto retorna com seu terceiro filme tentando comprovar que
ainda possui relevância ante a um mercado de blockbusters superaquecido.
Passados
dez anos após o irregular segundo filme, a trama mostra o agente J tendo que
voltar ao passado, no ano de 1969, para evitar que um alienígena fugitivo mate
o jovem agente K e o mundo seja dominado.
A
mistura de comédia, ação e ficção científica da série permanece intacta e
equilibrada neste terceiro episodio, resultando em um filme bastante e de ótima
fluidez. Um dos aspectos mais importantes da série, a curiosa dupla central
formada pelo ultra carismático e brincalhão Will Smith e pelo sério e sisudo
Tomy Lee Jones continua funcionando à perfeição e ainda contamos, dessa vez,
com um acréscimo emocional no relacionamento entre eles muito bem trabalhado.
Histórias
com viagem ao tempo podem ser confusas e perigosas para um roteiro, pois se não
bem cuidados pode resultar em algo cheio de “furos” de lógica, mas o roteirista
do longa, Ethan Cohen, preferiu simplificar tudo para evitar este tipo de
armadilha.Assim, a história flui bem e rapidamente.
Além
do elemento emocional á dupla central outra adição importante à série foi a
entrada de Josh Brolin como o jovem agente K. Impressionante a caracterização
que ele faz de um Tommy Lee Jones mais jovem, pois ele consegue aparenta-lo sem
imita-lo, trazendo novos elementos à sua personalidade. A maquiagem também é
impecável no sentido de transformá-lo fisicamente mais parecido com o veterano
ator (que em razão da trama do filme pouco aparece dessa vez). Outra adição de
pedigree é Emma Thompson como a nova chefe da Agênca, a agente O (Alice Eve
interpreta a sua versão mais jovem mas aparece muito pouco no filme).
Os
efeitos especiais estão ótimos como sempre e o 3D, convertido, quando é
perceptível apresenta-se de forma competente principalmente na seqüência
vertiginosa do “pulo do tempo”.
Um
dos aspectos mais fracos da franquia reside em seus vilões. Todos são muito
inexpressivos e sem muita presença. E não foi dessa vez. Boris, o animal,
interpretado por Jemaine Clement é o melhor vilão da franquia até agora, mas
ainda não foi dessa vez que a série apresentou um vilão marcante.
Assim,
Homens de Preto 3 é um filme muito
bem feito, divertido e até emocionante. Dá um passo adiante na relação de sua
dupla central e mostra que a franquia tem fôlego para um quarto filme, desde
que não demorem tanto tempo para fazê-lo.
Cotação: (4/5)
Ficha Técnica:
Homens de Preto 3 (MIB3 – Men in Black 3,
USA, 2012). Ação, comédia e ficção científica. Direção: Barry Sonnefield.
Elenco: Will smith, tommy Lee Jones, Josh Brolin, Jemaine Clement, Emma Thompson
e Alice Eve. Duração: 106 min.