segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Opiniões #94 - Quando as luzes se apagam

Opiniões# 94 – Quando as luzes se apagam (Lights out, EUA, 2016)

Por Marlon Fonseca


Stephen King costuma dizer que para fazer terror com eficiência deve-se atingir as emoções e medos das pessoas.  E Quando as Luzes se apagam trata de dois medos primitivos ao ser humano: o escuro e o “bicho-papão” (este ultimo tratado também recentemente pelo curioso filme Australiano Babadook).

Baseado num curta metragem (algo que tem se tornando comum, como em monstros, pixels e mama, por exemplo) do próprio diretor David F. Samberg a trama foca em um casal de irmãos que deve enfrentar uma entidade ligada à sua mãe que assola a família.

É um filme simples em sua estrutura e história e bastante eficiente em sua proposta. Esse aspecto de conto de terror com toques sutis de drama familiar, curto e de poucos desdobramentos acaba o beneficiando.

Além do roteiro e ritmos enxutos, o filme se beneficia da fotografia, que, sempre é uma ferramenta importante em filmes de terror, e aqui é essencial, pois a iluminação é um elemento essencial na narrativa, pois a criatura em questão se manifesta no escuro. Ela, apelidada de Diana, aliás, desde já se impõe como uma das monstruosidades mais assustadoras dos últimos tempos.

O elenco afiado colabora para todo o clima em especial para Maria Bello que entrega uma de suas melhores atuações em tempos e o apesar de novo já veterano em produções de terror Gabriel Bateman.

As iluminação é elemento chave da narrativa


Assim, temos um filme bastante eficiente que soube ainda que de forma simples construir todo um clima e ambientes para causar momentos de tensão genuínos e sustos nervosos.



Ficha técnica: Quando as Luzes se apagam (Lights Out, USA, 2016). Terror. Direção: David F. Samberg. Elenco: Maria Bello, Teresa Palmer, Gabriel Bateman,Alexander Dpersia, Billy Burke. Duração: 80 min.

Cotação: 8,0



Abaixo para quem esta curioso segue o curta, de preferência com as luzes bem acessas

domingo, 22 de novembro de 2015

A linguagem cinematográfica das cores - parte 4

2.3 – Cores aliadas à fotografia para construção de clima.

            Fotografia em termos cinematográficos abrange tanto a angulação, jogo de câmera, também a utilização da luz e o tratamento na cor do filme, tudo para passar um ou mais significados ao espectador.


 2.3.1 – A fotografia de Seven – Os Setes Crimes Capitais
            É inegável o caráter sombrio de Seven – Os Sete crimes capitais, de 1995, dirigido por David Fincher. O tema, as formas mórbidas e inventivas de como os crimes são ligadas aos pecados capitais e, logicamente, seu desfecho, remetem a algo macabro, pesado, desolador.


            Um dos elementos que mais acentuam tal fato é a fotografia do filme, trabalho primoroso de Fincher ao lado do diretor de fotografia Darius Kondji. Desde a primeira sequência já se estabelece a atmosfera e a trama sombria na qual os personagens de Brad Pitt e Morgan Freeman irão se aventurar.
O mundo sombrio de Seven tem a fotografia como um dos seus destaques

Há também seu uso para destacar cada um dos pecados. Como exemplo, no caso de “preguiça” o ambiente encontra-se todo escuro. As luzes das lanternas dos policiais quando adentram o local do crime são um feixe de cor naquele ambiente inóspito e a tentativa de fuga de um mundo tão claustrofóbico. Mais que isso: destaca que a única luz que está naquele local só pode vir de fora dele.





2.3.2-  O tratamento da cor em O Resgate do Soldado Ryan

            O drama de guerra O Resgate do Soldado Ryan, dirigido por Seteven Spielberg e lançado em 1998 revolucionou o tratamento da cor em fotografia. Tal feito resultou no oscar de melhor fotografia para Janusz Kaminski.

            Para que o longa passasse o aspecto documental, de época, utilizou-se a técnica de retirada de 60% da cor em laboratório resultando em uma aparência pálida, em verde oliva, como uma fotografia envelhecida.



           Outro resultado propositalmente obtido com esse tratamento foi um maior destaque ao vermelho do sangue dando ainda mais ênfase à violência e brutalidade da guerra.



            Somando esses aspectos a outras formas de linguagem, o filme estabeleceu parâmetros técnicos que são utilizados até hoje para filmes de guerra.

A linguagem cinematográfica das cores - parte 3

A linguagem cinematográfica das cores - parte 3


2.2 – A cor como estado de espírito dos personagens - continuação

2.2.2 – A libertação de Elza em Frozen

            Engana-se quem acha que as animações também não se utilizam de recursos de linguagem inteligentes para expressar sua visão. E o fenômeno Frozen, de 2013, não escapa dessa vertente.

            Na emblemática sequência onde Elza caminha pela montanha cantando “Let it go”, há a clara intenção de mostrar que a personagem está em processo de libertação. E, mais uma vez, figurino e cores são utilizados para destacar tal fato.

            Em razão de seus poderes, a personagem se tornou uma pessoa introspectiva e recatada. Seu figurino, inicialmente, fechado destaca isso. E os tons arroxeado e azul escuro auxiliam nessa composição.

            Como podemos observar na tabela constante na página 2 desse trabalho, a cor violeta é ligado ao sentimento de martírio enquanto o azul escuro simboliza melancolia.


Já quando decide se “libertar”, Elza passa adotar uma roupa mais “aberta”, com tons de azul claro e brilhantes. O azul claro é representação simbólica de leveza, frescor e espiritualidade.





A linguagem cinematográfica das cores - parte 2

A linguagem cinematográfica da cores parte 2


2.2 – A cor como estado de espírito dos personagens


2.2.1 – As roupas de Kay Corleone na trilogia “O Poderoso Chefão”
            A trilogia “O Poderoso Chefão” além de ser uma das maiores obras cinematográficas de todos os tempos é um exemplo rico das mais variadas utilizações da linguagem cinematográfica.

            Em uma delas, há a utilização de cor e vestuário para demonstrar o estado de espírito da personagem Kay Corleone (Diane Keaton), esposa de Michael Corleone (Al Pacino) ao longo da trilogia.
            Em suas primeiras aparições, Kay se destaca dentre a família Corleone utilizando-se de figurinos em tons laranja ou vermelhos contrapondo-se aos tons escuros utilizados pelos demais membros da família. Aqui quer se destacar a vitalidade, alegria da personagem além de mostrar a sua diferença entre o clima e universo sombrios dos Corleone. Kay é um elemento díspare desse universo.

            Porém, à medida que Michael toma as rédeas dos negócios da família e a leva para dentro desse universo pesado, a própria passa a incorporar tons mais escuros em seu figurino. A mensagem é clara: sua vitalidade e alegria estão sendo sugadas.

Em uma sacada genial, ao fim da segunda parte da trilogia há uma cena onde Kay, já decidida a se separar de Michael, encontra-se costurando um vestido de cor alaranjada ou avermelhado simbolizando a retomada da sua vida e vitalidade naquele momento.

            Porém, na parte da final da trilogia, temos Kay utilizando-se de figurinos em tons mais pastéis, sugerindo que, ainda tendo ser tornado uma mulher mais forte, a tristeza e escuridão que presenciou por todos aqueles anos a marcou para sempre.





Fontes:
[1] http://www4.cinemaemcena.com.br/diariodebordo/?p=517




terça-feira, 10 de novembro de 2015

A linguagem cinematográfica das cores - parte 1

A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA DAS CORES
Parte 1



1 – Introdução
            As cores sempre foram muito cercadas de significados e simbologias. Muito além do “rosa para menina e azul para menino”, elas vem ganhando as maias variadas atribuições simbólicas ,seja para expressar sentimentos, apontar características, dentre outras atribuições. E o cinema, logicamente, tomou para si esta linguagem para sozinho, ou em conjunto com as demais linguagens que possui, para enriquecer e aprimorar o modo de se contar uma história.

Cor é a forma como os olhos captam a luz (ondas eletromagnéticas) ao ser refletida por uma superfície ou liberada por uma fonte no ambiente. Os diferentes comprimentos de ondas eletromagnéticas são responsáveis pela percepção de uma variedade de cores. Cada intervalo do comprimento representa um espectro de cores: violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho, e da união dessas cores temos o branco e da ausência delas, o preto. Há uma infinidade de cores diferentes, mas algumas delas se destacam no cotidiano.

O cérebro assimila muito mais que a pigmentação, ele as relaciona com diferentes tipos de sensações. As cores quentes são aquelas que provocam uma sensação de calor, excitação, energia, como o vermelho, o laranja e o amarelo. Já as cores frias, como o azul, o violeta e o verde, transmitem calmaria, tranquilidade, estão relacionadas à frescura da água e do gelo.
            Mesmo tendo que considerar o aspecto cultural e psicológico individual, temos exemplos dos mais variados dos simbolismos envolvendo as cores. O preto é, nas culturas ocidentais, tido como símbolo de morte, mas, também, de elegância. O branco traz a paz, o vermelho é tido como símbolo de sexualidade e vitalidade, já o azul escuro como melancolia, dentre vários outros possíveis exemplos.
            Existem, também, estudos, que focam na influência das cores no estado emocional das pessoas e na comunicação de valores. Esse aspecto é utilizado, inclusive, em logomarcas e campanhas publicitárias. O vermelho é ligado ao dinamismo, sendo por isso sempre atrelado à liquidações, urgências. É também utilizado para estimular o apetite.

            O verde é atrelado a harmonia, saúde, natureza. Sendo comumente utilizados em logomarcas de lojas e produtos naturais por exemplo.


         
   Assim, dando margem às mais variadas formas de atribuições de símbolos, estados emocionais, a utilização das cores é mais um artifício no qual o cinema tem se validado em sua história para desenvolver ainda mais a sua linguagem.

            A partir de agora vamos avaliar casos concretos da aplicação das cores na linguagem cinematográfica.


  
2- As cores no cinema

2.1 – Cor como forma de passar uma informação ou simbolismo.

2.1.1 – O vermelho em “O Sexto Sentido”

            Dirigido e roteirizado por M.Night, Shyamalan, O Sexto Sentido, lançado no ano de 1999, assusto e encantou plateias do mundo todo com a história do menino que via mortos, Dentre seus vários trunfos, o maior deles é o roteiro extremamente bem elaborado que demonstra ao espectador, durante todo o filme e das mais variadas formas possíveis, seu  desfecho que, mesmo assim, só é percebidopelo público em seu final.

            Um dos elementos utilizados para dar essas “dicas” visuais foi exatamente o uso das cores, principalmente o do vermelho.Nesse universo estabelecido, a cor vermelha representava a presença de algo sobrenatural. Ou seja, se em determinado cena há uma roupa, objeto, ou outro elemento, com vermelho, há a presença de um espírito.


            Já no primeiro encontro entre o psicólogo Malcolm Crowe (vivido por Bruce Willis) e do garoto Cole (Haley Joel Osmont) há a presença da cor no casaco do rapaz.

            Assim, ela aparece somente em elementos que têm relação com o sobrenatural, por quem está nele, ou pelos que foram “tocados” por espíritos. Além da cena citada acima ela irá aparecer em vários outros momentos do longa: Cole, quando é preso no calabouço e agredido, usa uma blusa vermelha. Assim como é vermelho o balão, indo em direção ao calabouço. A tenda no quarto, onde aparece a menina Kyra e o vestido da mãe dela são vermelhos. Assim como os números no toca-fitas e a maçaneta que Malcolm tenta abrir em seu consultório. O guardanapo na mesa de jantar do psicólogo, a porta da igreja e as pílulas antidepressivo no banheiro são vermelhos.



2.1.2- O amarelo da vingança em “Kill Bill” volumes 1 e 2
            O cinema do diretor Quentin Tarantino é uma salada de referências. Mas também negocia com as mais variadas linguagens do cinema. Em “Kill Bill” volumes 1 e 2 , lançados nos anos de 2003 e 2004 respectivamente, o cineasta se valida da cor amarela para destacar os momentos de vingança de sua protagonista.

            Representação da cultura nipônica de traição e poder, o  amarelo é a cor escolhida para que Beatrix Kiddo (vivida por Uma Thurman) realize sua vingança: vestindo uma roupa amarela (aqui também uma referência a vestimenta usada por Bruce Lee em “No jogo damorte”de1978), roubando uma caminhonete amarela, pilotando uma moto amarela, dentre outras coisas.



[1] https://tecnologiaegestao.wordpress.com/tag/significado-das-cores/
[2] https://fabricadeaplicativos.zendesk.com/hc/pt-br/articles/203628855-Entender-Significados-e-efeitos-das-cores

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A LINGUAGEM NO CINEMA - Introdução

SÉRIE
 A LINGUAGEM DO CINEMA

APRESENTAÇÃO
e
INTRODUÇÃO

Apresentação
Estamos retomando o nosso trabalho no blog e para reinicia-lo traremos uma série de textos sobre a linguagem cinematográfica.

Esta série é fruto dos estudos celebrados em 2013 e 2014 nos cursos de forma e linguagem e critica cinematográfica, ministrados pelo crítico de cinema Pablo Villaça e de projeto experimental do curso de Jornalismo da Estácio de Sá, coordenado pela Professora Ana Lúcia de Morais.


Introdução
Desde A chegada do trem à Estação do Irmãos Lumiere, o cinema vem encantando multidões. Trata-se de um dos produtos midiáticos e culturais mais consumidos no mundo.

Com o passar dos anos as técnicas empregadas foram evoluindo, permitindo aos seus realizadores uma gama de artifícios para expressar a sua visão e a sua arte. O cinema possui uma linguagem complexa compreendendo diversos tipos de linguagem dialogando entre si.

Como produto narrativo e audiovisual que é, utiliza-se dos mais variados recursos para o desenvolvimento e apresentação de sua história.

Pelos preceitos apresentados pela Semiótica, linguagem é um sistema de signos, representações cujo objetivo é a criação de um sentido, um meio de comunicar. O cinema utiliza-se dos mais variados meios comunicacionais. Além da imagem, do som, as emoções dos atores, as linguagens mais perceptíveis para o grande público, há também a utilização das cores, a cenografia, o vestuário.

Tudo que está sendo mostrado na tela está passando informação, está promovendo sentido. Um objeto no cenário pode estar dando pistas do que está por vir, o vestuário de um personagem pode revelar traços importantes de sua personalidade e estado de espírito, a utilização frequente de uma cor pode ser muito mais do que exercício de estilo.

A capacidade de apreciação e compreensão de um filme por parte do espectador vai depender de quanto ele está preparado para a leitura desses diversos signos.

Tudo o que está presente em cena está passando uma mensagem ao espectador
A linguagem cinematográfica, ante todo o exposto acima é um conjunto complexo de signos e significados. A leitura de um filme, portanto, é atividade mais complexa do que se imagina. O espectador é exposto a toda sorte de signos e significados. “Ler” um filme é atividade muito mais complexa do que o imaginado.

O presente projeto é um estudo dos mais variados aspectos da linguagem do cinema. Escolhendo três dessas linguagens, traremos exemplos de como estas foram utilizados por diversos cineastas ao longo dos tempos.

Com essa série que se inicia, pretendemos trazer informações e curiosidades aos leitores e celebrar uma troca agradável de experiências e conhecimento.


Contamos com vocês!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

...CINEMA. Opiniões #93 - Frozen: Uma Aventura congelante

...CINEMA

Opniões #  93 – Frozen – Uma Aventura Congelante (Frozen, EUA, 2013).

Por Marlon Fonseca


            Depois de reinar durante décadas como o grande estúdio de animação do cinema, a Disney viveu um momento de readaptação. Sua fórmula de sucesso havia dado sinais de desgaste e enfrentando um concorrente de peso justamente com um estúdio subsidiário seu: a Pixar.

            Após apresentar bons trabalhos, alguns até mesmo rompendo com a sua estrutura padrão, o estúdio entrega uma grande animação justamente utilizando a sua fórmula de sucesso.

            Frozen é uma animação Disney típica com números musicais, personagens cativantes e doses equilibradas de emoção aventura, drama e comédia. E se essa “fórmula Disney” em se fazer animação em um dado momento chegou a ser apontado como antiquado e ultrapassado, aqui podemos ver que se bem realizado ainda funciona.

            Na trama, adaptada levemente do conto de fadas A Rainha da Neve, de Hans Cristian Aderson, acompanhamos a história de duas irmãs no reino fictício de Arendelle. A princesa Anna (Kristen Bell no original e Erika Menezes na nacional) se sente solitária após o inexplicável afastamento de sua irmã Elsa (Idina Menzel no original e Tarin Spilzman na dublagem nacional). Quando chega o dia da coroação de Elsa como rainha um acontecimento leva Anna a uma grande aventura.

            O roteiro é redondinho deixando o filme com ritmo bastante ágil. Importante destacar que há momentos verdadeiramente dramáticos e adultos na história que tem como sua subtrama o isolamento e a solidão. Assim, temos uma animação que agrada a espectadores de qualquer idade.
Animação é centrada na relação entre as duas irmãs

            Há um cuidado impressionante em todos os detalhes e tipos de linguagem no filme. Direção de arte belíssima e um figurino moldado para repercutir o estado de espíritos de seus personagens.

            A animação possui um visual deslumbrante, com uma belíssima paleta de cores utilizada e efeitos de neve muito bacanas. A utilização do 3D se vê principalmente nos momentos em que flocos de neve sobrevoam a sala de projeção trazendo uma maior imersão ao espectador.
Aventura com personagens cativantes...

            Há muito tempo a Disney não entregava momentos musicais tão bem elaborados e tão integrados à trama com em Frozen. Alguns chegam a ser dramáticos como se estivéssemos assistindo a uma ópera.

            Os personagens são cativantes. A princesa Anna já se coloca como uma das personagens femininas mais interessantes criadas pelo estúdio. Destemida, simpática, sonhadora, desajeitada o público se simpatiza de imediato com ela. Entre os coadjuvantes o boneco de neve falante Olaf (Josh Gad no original e Fábio Porchart na dublagem nacional) rende divertidos e emocionantes momentos.
...e um belo visual

            Talvez a única coisa que falte ao padrão geral de animação seja a presença de um vilão marcante. Mas isso se dá pela própria exigência da trama onde o verdadeiro vilão está contido nos poderes de Elsa.

            Utilizando a velha fórmula Disney de forma competente e bem estruturada, Frozen resulta num ótimo trabalho do estúdio, em uma história que cativará ao público.

Cotação: 9,0

Ficha Técnica: Frozen – Uma Aventura Congelante (Frozen, EUA, 2013). Animação. Aventura. Comédia. Drama. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Elenco original: Kristen Bell, Idina Menzel, Jonhatan Groff e Josh Gad. Dublagem Nacional: Érika Menezes, Taryn Spilzman, Raphael Rossato e Fabio Porchart. Duração: 103 min


sábado, 28 de dezembro de 2013

...CINEMA. Opiniões #92 - Ender´s Game: O Jogo do Exterminador

...CINEMA

Opiniões # 92 – Ender´s Game: O Jogo do Exterminador (Ender´s Game, EUA, 2013)

Por Marlon Fonseca


            Em um ano que tivemos uma quantidade generosa de produções do gênero ficção científica, finalmente chega aos cinemas a adaptação da clássica obra de Orson Scott Card.

            A adaptação de O Jogo do Exterminador sempre figurou entre os planos de Hollywood. Curiosamente, o livro lançado em 1985 está mais atual do que nunca nesses tempos onde games como Call of Duty e Battlefield são utilizados como forma de treinamento e recreação nos exércitos.

            Na trama, em um futuro próximo, a Terra é invadida e devastada por uma raça alienígena. Temendo uma nova invasão, criou-se uma força militar internacional onde crianças treinam para ser a salvação de nossa raça. Acompanhamos o treinamento e ascensão do jovem Ender que pode por fim de uma vez por todas com essa guerra.

            O forte conteúdo político do livro é bastante amenizado no filme que destaca mais os meandros militares e a personalidade instigante do jovem protagonista.
Protagonista complexo em grande performance

            Ainda que o roteiro não seja um primor e lute para condensar todo o material do livro em pouco menos de duas horas de produção, consegue manter a atenção do espectador. A personalidade complexa do protagonista não consegue ser tão aprofundada e seu relacionamento com os personagens tornam-se simples por apresentarem-se superficiais.

            Depois de chamar atenção em As Aventuras de Hugo Cabret, o jovem Asa Butterfield entrega uma atuação forte e competente como o protagonista, frio e estratégico, que muitas vezes chega a soar antipático, fugindo-se do lugar comum. Ter Harrofon Ford, Ben Kingsley e Viola Davis como professores e coadjuvantes lhe ajudou muito e qualificou a produção. As jovens promessas Abigail Breslin e Hailee Stainsfield completam o elenco.
Jogos de guerra para salvar a humanidade

            O Diretor Gavin Hood (do péssimo primeiro filme solo do Wolverine), que também se encarregou do roteiro, traz um filme bem feito tecnicamente e que usa os efeitos especiais sem muito alarde. A direção de arte é sóbria e combina com o clima proposto no filme.

            Perdendo muito de sua relevância e subtexto político, O Jogo do Exterminador acaba saindo-se como um bom passatempo bem produzido e com boas interpretações.

Cotação: 7,5


Ficha Técnica: Ender´s Game: O Jogo do Exterminador (Ender´s Game, EUA, 2013). Ficção Científica. Direção: Gavin Hood. Elenco: Asa Buttefield, Harrison Ford, Ben Kingsley, Viola Davis, Abigail Breslin, Hailee Stansfield. Duração: 114 min.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

...CINEMA. # 91 - A Vida Secreta de Walter Mitty

...CINEMA

Opiniões # 91 – A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013).

Por Marlon Fonseca

            Quem nunca “sonhou acordado”? Em algum momento de um evento cotidiano ou conversa imaginou fazendo grandes viagens, praticando algum ato de heroísmo, agradando uma paquera ou até mesmo brigando cinematograficamente com um desafeto?

            Walter Mitty, porém, exagera deste expediente. Funcionário da mítica revista Live, leva uma vida singela fora do trabalho. As coisas emocionantes de sua vida ele vive em sua cabeça , omitindo-se de sua realidade.

            Projeto de Bem Stiller, que aqui protagoniza e dirige, para sair do lugar comum em sua carreira, A Vida Secreta de Walter Mitty traz o personagem título em um momento chave de sua vida. Com a aquisição da revista Life e o cancelamento da revista física, Walter tem que procurar o negativo da foto de capa da última edição. Para isso, ele embarca em uma aventura real por vários cantos do mundo. Trata-se de uma refilmagem de O Homem de 8 Vidas de 1947, que por sua vez é uma adaptação ao conto de Jamer Thurber.

            Estamos falando aqui de um filme que foge às comédias nonsense comumente protagonizadas por Stiller. O humor aqui é sutil e temos doses de drama, aventura e romance também.
Mitty em um dos seus sonhos acordados

            Além da clara mensagem que o filme deseja passar, o maior destaque fica pelo extremo bom gosto na fotografia e trilha sonora (uma das músicas, inclusive, é parte importante na trama). A montagem também se apresenta de forma bastante interessante. Stiller mostra um olhar aguçado e transporta à tela imagens belíssimas aproveitando ao máximo as locações diversificadas do filme. As sequências de devaneios são as que exigiram maior técnica e efeitos e em sua grande maioria são muito bem executadas.

            Seu maior pecado, porém, não é aprofundar-se tanto na transformação existencial de Walter. Por mais que sua atuação competente (reparem como a postura, olhar e voz do personagem mudam ao longo de sua aventura),, ainda que repetindo um ou outro cacoete interpretativo que estamos acostumados em seus trabalhos, e o jogo de figurino e maquiagem para mostrar sua evolução, já o roteiro não oferece tantas nuances assim.
O filme conta com belas imagens

            Além de Stiller temos Sean Penn como o repórter fotográfico Sean O´Connel, um tipo “espírito livre” em participação especial e Kristen Wiig, como interesse amoroso do protagonista, em uma atuação contida e agradável. Cumpre estacar também Shirley Maclaine como a mãe de Mitty.

            Possuindo um clima bacana, imagens belíssimas e uma mensagem reconfortante, A Vida Secreta de Walter Mitty é um bom filme que agrada em maior parte de seu tempo de projeção. Venha sonhar ao lado do protagonista e depois encarar a realidade de frente.


Cotação: 7,5

Ficha técnica: A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013). Comédia. Drama. Aventura. Direção: Bem Stiller. Elenco: Bem Stiller, Kristen Wiig, Sean Penn, Adam Scott, Shirley MacLaine.