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Opiniões # 82 – RED 2 – Aposentados e ainda mais
perigosos (RED 2, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Lançado em 2010, o primeiro RED, adaptação de uma minissérie
em quadrinhos criada por Warren Ellis e Cully Hammer, fez relativo sucesso de
público e crítica ao trazer um elenco interessante composto por veteranos em
situações de ação e comédias. Afinal, quem não se lembra da emblemática cena em
que a grande dama Helen Mirren portava uma imponente metralhadora?
Nessa continuação, todo o elenco do anterior retorna e
ainda conta com as adições de Anthony Hopkins e Catherine Zeta Jones. Dessa
vez, Frank Moses (Bruce Willis), Marvin (John Malkovich) e Sarah (Mary-Louise
Parker) são envolvidos em uma operação para rastrear um dispositivo nuclear
portátil.
Assim como no primeiro, o elenco é o principal atrativo. Além
de conter nomes importantes, tarimbados, premiados e conhecidos do cinema, é
nítido que todos estão se divertindo muito fazendo o filme. Impossível não se
deliciar com as sandices de Marvin, o ponto alto nesse quesito. As trapalhadas
de Sarah também rendem bons momentos.
O trio central. Filme funciona mais na comédia
Já a
ação vem ainda mais exagerada e apesar de apresentar cenas bem feitas, não
empolga. Assim como a história que não consegue prender a atenção e o roteiro
tem lá seus furos habituais.
Seguindo
as características de seu antecessor, mas com menos brilho, RED 2 resulta em um
desequilíbrio entre os gêneros que contém. Ao mesmo tempo em que consegue
arrancar algumas risadas da plateia nos momentos de comédia, não consegue ser
eficiente ao despertar interesse na trama e em suas cenas de ação.
Cotação: 6,5
Ficha Técnica: RED 2
– Aposentados e ainda mais perigosos (RED 2, USA, 2013). Ação. Comédia. Direção: Dean Parisot. Elenco: Bruce
Willis, John Malkovich, Mary-Louise Parker, Helen Mirren,Anthony Hopkins,
Catherine Zeta Jones, Byung-Hun Lee, Brian Cox e Neal McDonough. Duração: 116
min.
Opiniões # 81 – Truque de Mestre (Now You See Me, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
Segundo os próprios personagens de Truque de Mestre um número mágico e composto basicamente de
artifícios para distrair a atenção a fim de se atingir o resultado pretendido:
surpresa, admiração e aplausos. E o
filme usa dos mesmos artifícios em busca dos mesmos resultados mesmo que
trapaceie para tanto.
Na trama, quatro ilusionistas, atraídos por um estranho,
se juntam para realizar apresentações pelos palcos dos Estados Unidos. Após uma
delas resultar em um audacioso furto, um obstinado agente do FBI e uma novata
agente da Interpol passam a persegui-los.
Trata-se
de um thriller bastante interessante, com elenco de primeira qualidade e um
final daqueles que será discutido em várias rodas de amigos e fóruns de
discussões internet afora.
Seu maior trunfo é o eficiente jogo de “gato e rato”
durante todo o longa e a ambientação no mundo da mágica, utilizando várias
referências desse universo particular.
Quarteto suspeito.
Louis Leterrier, diretor egresso de bons filmes de ação
como Cão de Briga, Carga Explsiva 2, Fúria de Titãs, e O
Incrível Hulk, traz do gênero a montagem acelerada e os cortes abruptos
como um dos expedientes do filme para manter a atenção constante do espectador.
O roteiro, porém, apresenta situações forçadas o tempo
todo para atingir o final pretendido sem se importar com os furos que vai
deixado no meio do caminho. As constantes reviravoltas, muitas previsíveis,
acabam cansando o espectador em algumas ocasiões. E o romance é sem graça.
Mark Rufalo lidera a caçada aos ilusionistas
Valendo-se de elenco, ambientação e alternâncias constantes
de situações, Truque de Mestre tem o
suficiente para manter a plateia entretida e atenta. O final surpresa é
enfraquecido em razão da forçada de barra do roteiro para alcança-lo, mas mesmo
assim é bacana.
Cotação: 7,5
Ficha técnica: Truque de
Mestre (Now You See Me, USA, 2013). Suspense. Thriller. Direção: Louis Leterrier. Elenco:
Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco,
Mélanie Laurent, Morgan Freeman e Michael Caine. Duração: 115 min.
Opiniões # 80 –
Wolverine: Imortal (The Wolverine,
2013)
Por Marlon Fonseca
Mesmo tendo sido catapultado nos últimos anos como um dos
maiores personagens dos quadrinhos na Marvel e tornando-se protagonista da
trilogia X-Men nos cinemas, não foi o suficiente para Wolverine escapar da bobeira
que fora seu primeiro filme solo lançado em 2009. Agora, o mutante canadense
retorna em sua segunda tentativa de ganhar uma adaptação decente nos cinemas. E
conseguiu.
Inspirada
livremente em um arco de histórias que depois se tronou o encadernado Eu, Wolverine de Chris
Claremon, em Wolverine: Imortal,
acompanhamos Logan após os eventos de X-Men
3- O confronto Final, vagando sem destino pelo mundo lutando contra seus
demônios internos. Ao receber com o pedido de retornar ao Japão e reencontrar um
velho amigo, depara-se com um perigo que pode mudar seu destino
.
O
filme acerta muito ao estabelecer nos seus dois terços iniciais os conflitos do
protagonista, a trama e os demais personagens. Ali temos um filme de drama com
pontuais cenas de ação.
O fato
de ter seus poderes de regeneração atenuado no decorrer da história, que lembra
vagamente Superman 2 de Richard Donner, apresenta sensações novas ao
anti-herói, como dor prolongada e cansaço[1].
Letal, dramático e vulnerável
Com
isso, Hugh Jackman, em sua sexta aparição como Wolverine, consegue exprimir
ainda mais camadas ao personagem que sempre dominou, apresentando seu melhor
desempenho com o mesmo. O roteiro, assim, exprime a melhor faceta de sua
essência. O samurai sem mestre, o caubói errante, o soldado que não descansa.
Adicionando
ainda maior carga dramática ao filme, temos uma disputa familiar na trama
envolvendo a jovem Mariko (Tao Okamoto), um romance bem construído e uma
personagem secundária que agrada muito em Yokio (Rila Fukushima). A discussão
entre mortalidade e imortalidade travada com Yashida (Hal Yamanouchi) encerra
o “pacote dramático”.
Já o
terço final do filme apresenta uma rápida conclusão para tudo que antes
estabelecera cadenciadamente, onde as boas cenas de ação dominam.
Para
esse equilíbrio entre drama e ação essencial a direção de James Mangold que já
apresentou bons trabalhos nos gêneros mais variados como no Western Os Indomáveis, no policial Copland e nos Dramas Johnny e June e Garota, intemrrompida, seus melhores filmes.
O Terço final do filme é voltado para a ação
Insta
salientar que eventuais reviravoltas que o roteiro tenta apresentar são
facilmente desvendas pelo espectador mais atento, tornando-se previsíveis. Por
fim, os vilões não são marcantes.
A
conversão em 3D é vergonhosamente imperceptível sendo dispensável assistir o
filme nesse formato.
Wolverine: Imortal é o
filme solo que o personagem precisava. Equilibrando drama e ação e trazendo
mais nuances ao personagem acaba por respeita-lo e ao público. Recomendado
tanto para fãs como para espectadores ocasionais.
Nota: Não
deixem de conferir a cena pós-créditos. Além de sensacional ela é a ponte entre
este filme e o vindouro e ambicioso X-men
– Dias de um Futuro Esquecido que estreia no ano que vem e juntará o elenco
da trilogia original e a equipe de primeira
classe.
Cotação: 8,0.
Ficha
Técnica: Wolverine: Imortal (The Wolverine, 2013). Drama. Ação. Direção: James
Mangold. Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hal Yamanouchi.
Duração: 126 min.
[1]
Reparem em uma cena na expressão de surpresa e até uma certa alegria de Logan
ao descobrir-se cansado após uma tarefa.
Dentre os gêneros trabalhados atualmente no cinema
nacional a comédia e o mais rentável e, diante disso, o que mais apresenta
produções ao longo do ano. Isso logicamente acarreta em produções de qualidades
das mais variadas. E “O concurso” se insere no rol dos de fraca execução.
Danton
Melo e Fabio Porchart que nesse ano mesmo se saíram melhor em Vai que dá certo
retornam ao lado de Rodrigo Pandolfo (do maior sucesso do gênero no ano Minha mãe é uma peça) e Anderson de
Rizzi. Os quatro são os finalistas à uma
vaga de Juiz Federal e passa um final de semana intenso no Rio de Janeiro antes
do último exame.
Todos os personagens no filme são extremamente
estereotipados. O Gaúcho filhinho de papai reprimido, o estudioso virgem do
interior, o advogado carioca malandro e o nordestino cheio de mandingas
completam o quarteto principal. Sem contar com a tal alardeada participação de
Sabrina Sato como uma ninfomaníaca.
Se o filme falha no desenvolvimento dos personagens
também não se sai melhor na trama. Uma tentativa malfadada de emular a
estrutura de Se Beber não Case, mas
sem a mesma qualidade.
Os protagonistas apresentem-se como personagens estereotipados
Diante disso, sobra muita pouca coisa para aproveitar no
filme, pois além dos problemas citados acima, são poucas as cenas e situações
que realmente arrancam risos da plateia.
Em um cenário favorável aos filmes de comédia nacionais O
Concurso apresenta-se como um dos piores exemplares lançados. Sem graça, raso,
resulta em um filme pouco interessante e tedioso.
Cotação: 3,0
Ficha técnica: O Concurso
(Brasil, 2013). Comédia. Direção: Pedro Vasconcelos. Elenco: Danton Mello,
Fabio Porchart, Rodrigo Pandolfo Anderson de Rizzi, Carol Castro, Sabrina Sato.
Duração: 86 min.
Opiniões #78 – O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger,
USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Tentando emular o arrasador sucesso de Piratas do Caribe, a Disney chamou
grande parte do time das aventuras de Jack Sparrow[1] para adaptar o clássico
personagem o cavaleiro solitário, egresso dos seriados televisivos e de rádio
da década de 30.[2]
A produção, de quase 300 milhões de dólares, era desejo
antigo do estúdio e passou por vários percalços como adiamentos, alterações constantes
no roteiro e mudanças no decorrer das filmagens.
Na trama, acompanhamos o idealista e “homem da lei” John
Reid (Armie Hammer) que após retornar à sua cidade natal e sofrer uma
emboscada, se alia ao nativo americano Tonto (Jhonny Depp) para se tornar um
justiceiro.
O que mais chama a atenção no filme é a forma que ele
trata o momento histórico da fundação dos EUA, e de como os índios eram vistos.
Ainda que de forma bem velada, por tratar-se de uma produção voltada
basicamente para o entretenimento, observa-se claramente uma crítica social
contundente sobre o tema, o que é louvável e até mesmo corajoso. Sem contar com
a sátira ao próprio gênero western.
A improvável dupla
Porém, o filme padece de um problema gravíssimo que é a
sua falta de ritmo e sua duração excessiva e inexplicável. Sua metade é muito
arrastada, chegando a momentos aborrecidos e desnecessários.
Sua meia hora final, entretanto, é um verdadeiro e
divertido espetáculo de ação absurda bem dirigida e executada alternando
momentos de coragem e humor pastelão embalados pelo clássico tema do
personagem.
Do elenco Johnny Depp que ganhou uma fortuna para viver o
icônico Tonto e repete sua parceria com o diretor Verbinski[3] acaba tomando o filme para
si, como era de se esperar. Armie Hammer, como o protagonista que acaba se
tornando coadjuvante, tanto nas cenas de ação como nas quais seu personagem
mostra sua persona atrapalhada, se sai melhor do que sua péssima atuação em Espelho, espelho meu, mas ainda
permanece como uma promessa desde sua participação em A rede social. Tom Wilkinson e William Fichtener dão conta da
vilania e Ruth Wilson, Bryant Prince e Helena Bonham Carter estão corretos
ainda que em pouco tempo em tela e com personagens deslocadas pelo roteiro,
principalmente esta última.
A ação, quando engrena, é divertida
Alternando entre decisões corajosas e maduras e problemas
de ritmo e roteiro, O Cavaleiro Solitário
acaba ficando no limiar entre o aborrecimento e divertimento. Assim, como em, Principe da Pérsia e John Carter (esse
sim um ótimo filme que fora subestimado) não foi dessa vez que a Disney
encontrou outro Piratas do Caribe.
Cotação: 7,0
Ficha Técnica: O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger,
USA, 2013). Ação. Aventura.
Western. Comédia. Direção: Gore Verbinski. Elenco: Johnny Depp, Armie Hammer,
Tom Wilkinson, William Fichtener , Ruth Wilson, Helena Bonham Carter, James
Badge Dale, Bryant Prince e Barry
Pepper. Duração: 149 min.
[1] O
diretor Gore Verbinski, os roteiristas Ted Elliot e Terry Rosio, o megaprodutor
Jerry Brucheimer e Johnny Depp como chamariz de bilheteria e credibilidade.
[2] O
personagem já teve 3 filmes anteriores respectivamente em 1956, 1968, e 1970
[3]
Além dos 3 primeiros Piratas do Caribe, Depp fez a voz do protegonista na
animação Rango que ganhou o oscar de melhor filme da categoria em 2011.
Opiniões #77 – Meu Malvado Favorito 2 (Despicable me 2, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca
Gru, seus minions e suas adoráveis filinhas estão de
volta aos cinemas em mais uma aventura. Recém-aposentado e levando uma vida
honesta como empresário do ramo de gelatinas, Gru é recrutado pela liga
anti-vilões para investigar o desaparecimento de uma tecnologia e desvendar o
surgimento de um novo vilão.
Ao Tentar estabelecer várias situações ao mesmo tempo, a
animação se perde entre elas não sabendo ao certo o tom que carrega e em qual
delas dar mais ênfase.
São ao menos essas: o aumento de importância e tempo e
tela dos minions ante o grande sucesso alcançado no primeiro filme e espaço que
vêm ganhando na cultura pop desde então[1]. A continuidade da relação
de Gru com as meninas[2], o surgimento de um
interesse amoroso e a trama com o vilão em si.
Mesmo assim, o filme apresenta-se como passatempo
divertido, movimentado e agradável, assim como fora o primeiro.
Gru enrolado novamente
Se o longa anterior foi uma das primeiras animações a
utilizar e encantar com o 3D, principalmente nas brincadeiras pós-créditos com
os minions, esta sequência traz uma conversão bastante decente, com
profundidade e efeitos bacanas, ainda que meramente cosméticos.
Ainda que tenha problemas ante a irregularidade ao
tratamento às circunstâncias que tenta estabelecer, Meu Malvado Favorito 2 é uma animação divertida e carismática.
Cotação: 7,5
Ficha Técnica: Meu Malvado
Favorito 2 (Despicable me 2, USA,
2013). Animação. Comédia. Aventura. Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud. Com
as vozes de: Steve Carrel/Leandro Hassum (Gru), Kristen Wiig/Maria Clara
Gueiros (Lucy), Benjamin Bratt/Sidney Magal (Eduardo/El macho). Duração: 98
min.
[1] Há
a previsão de uma animação somente deles, aos moldes dos pinguins de
Madahascar.
Opiniões # 76 – Minha mãe é uma peça (Brasil, 2013)
Por Marlon Fonseca
Algo que vem se tornando comum no cenário do cinema
nacional são as adaptações de peças teatrais de sucesso. Nessa esteira, era
questão mesmo de tempo para que Minha mãe
é uma peça, que já conta com mais de um milhão de espectadores, tornar-se
filme.
Ainda mais pelo brilhante trabalho de seu autor e
intérprete, Paulo Gustavo, que, inspirado em sua mãe e situações e pessoas da
sua infância e adolescência criara algo genuinamente engraçado.[1]
No filme, co-dirigido pelo próprio comediante, Dona
Hermínia, após uma decepção com os filhos, muda-se para a casa de sua tia Zélia
(Suely Franco, ótima) e relembra com ela os momentos e agouras de ser mãe.
Trata-se de um filme inegavelmente engraçado onde as
tiradas da protagonista são o ponto alto. Os personagens de apoio,
principalmente os filhos, cada um com seus defeitos e manias também contribuem
para as risadas. O mais incrível é que mesmo em momentos de surrealidade, fica
impossível não se identificar com uma ou outra situação seja pelo lado da mãe,
seja pelo lado dos filhos.[2]
D. Ermínia e suas tiradas vão te fazer rir
A produção do filme é bastante simples, inclusive
trazendo falhas bobas de continuidade e uma ou outra falta de capricho[3]. E há algumas cenas
forçadas e fora do tom.
Mas como filme de comédia num todo ele funciona muito bem
e será impossível sair do cinema sem dar muitas boas risadas. Ele foge,
inclusive, do padrão de comédias que o cinema nacional tem apresentado,
saindo-se mesmo que em sua simplicidade, como um dos melhores do gênero nos
últimos tempos.
"Padecendo no paraíso" ao lado de seus filhos.
Dona Hermínia realmente é uma “peça” e sua presença no
cenário cinematográfico nacional com certeza será tão marcante como nos palcos.
Diversão certeira para toda a família, mesmo trazendo algumas falhas bobas em
sua execução.
Nota: Assista a cena final
antes dos créditos e veja a “musa inspiradora” do autor num dos melhores
momentos do filme.
Cotação: 8,0
Ficha Técnica: Minha mãe é
uma peça (Brasil, 2013). Comédia. Direção: Andre Pellenz. Elenco: Paulo
Gustavo, Rodrigo Pandolfo, Mariana Xavier, Suely Franco, Ingrid Guimarães e
Herson Capri
[1] A
Cidade onde se passa o filme, Niterói, é a cidade natal do autor (e também do
autor desse texto) e conforme apuração feita pelo blog, muitos dos personagens
são inspirados mesmo em sua experiência de vida.
[2]
Como experiência ainda mais bacana, se possível, assista-o com sua mãe ao lado.
Vale á pena.
[3] Em
dada cena, por exemplo, Juliano, filho de Dona Hermínia, estaria mexendo no
computador mas quando olhamos ele está visivelmente desligado.
Opiniões # 75 – O Homem de Aço (The Man of Steel, USA, 2013)
Por Marlon Fonseca
O Homem de Aço marca
o retorno do Superman aos cinemas trazendo um novo tom ao personagem nas mãos
da mesma equipe que brilhou na trilogia O Cavaleiro das Trevas.
Trata-se de um reinício e uma nova roupagem ao “primeiro
dos super heróis” onde acompanhamos o jovem Clark Kent (Henry Cavill) tentando
encontrar sua posição no mundo ante as qualidades únicas que possui. Quando uma
ameaça de seu extinto planeta natal vem à Terra ele finalmente percebe para que
fora destinado.
Sem a menor sombra de dúvidas é no aspecto intimista e contemplativo
que o filme tem de melhor. David Goyer e Cristopher Nolan (que aqui assume a
função de co-roterista e produtor) mais uma vez acertam a essência de um super
herói e o adaptam a partir dela.
Ciente da sua condição de alienígena e do que pode
representar seus poderes, Clark percorre o mundo em busca de respostas não
conseguindo saber onde se encaixar em um planeta que não é seu. O paralelo a
Jesus Cristo e ao seu caráter messiânico, outro ponto forte da mitologia do
herói, também é claramente enfocado.
Um herói contemplativo e solitário buscando seu lugar
Outro aspecto importantíssimo e muito bem desenvolvido no
roteiro é a forma que seus pais, tanto os biológicos como adotivos, moldaram
seu caráter. Os diálogos frequentes com ambos ao longo de todo o filme são
emblemáticos. Para isso as presenças e atuações de Kevin Costner como Jonathan
Kent e Russel Crowe como Jor El foram acertadíssimas. São responsáveis pelos
momentos mais tocantes do longa.
Mesmo sendo o mais realista possível, o filme também
expande a mitologia de Krypton não somente no interessante prólogo que a
apresenta, mas em tudo que se segue na trama e provavelmente continuará nas
sequências.
Os ensinamentos paternos como essenciais para a formação do caráter
O aspecto mais
incômodo da trama foi a mudança da dinâmica entre Clark e Lois o que acabou por
enfraquecer demais o aspecto romântico que o personagem sempre carregou. Se nos
atentarmos para a trilogia do Batman notaremos que realmente esse aspecto
também fora diligenciado por Nolan. Assim, a icônica personagem ganha outra
importância valorizando a sua intérprete, a sempre ótima Amy Adams, ainda que seja
exatamente com ela onde ocorrem as maiores forçadas de barra do roteiro.[1]
Mudança na dinãmica entre Clark e Lois pode incomodar
Zack Snyder, que já apresentará excelentes trabalhos no
gênero com 300 e Watchmen, foi o escolhido para a direção e não decepciona. Mesmo
apresentando a direção mais “convencional” de sua carreira, abandonando o seu
estilo característico, se sai muito bem tanto nas sequências dramáticas quanto
nas de ação.
Estas últimas, aliás, são excepcionais e muitíssimo bem
executadas, numa escala de grandiosidade incomparável, trazendo ao personagem
um nível de ação nunca apresentado em suas outras encarnações cinematográficas.
A brutal batalha final está entre umas das sequências mais bacanas do gênero[2].
A
trilha sonora de Hans Zimmer pode não ser icônica como a de John Wiiliams, nem
mesmo repetir a sua própria excelência como fora seu trabalho nos filmes do
Batma, mas é interessante e bonita.
A escala de ação é grandiosa
A
atuação de Henry Cavill, que por muitos anos viu seu nome cotado para ostentar
o manto do herói e precisa. Sua versão do personagem é mais sisuda, contida,
séria e até mesmo sofrida. Ele, assim, consegue passar a densidade desenvolvida
para essa nova visão do Superman.
Do
outro lado da moeda, temos Michael Shannon (que havia brilhado em dois
personagens surtadíssimos nos ótimos O
Abrigo e Possuídos)apresentando sua faceta de vilão com um
General Zod frio, determinado e insano. Reflexo dos tempos atuais o personagem
é apresentado como um sujeito que faz de todo para defender seu povo nem que
tenha que destruir outro para isso. Seu braço direito, Faora (Antje Traue) tem
bons momentos e apresenta ainda mais frieza e crueldade do que seu comandante.
O elenco de apoio é tão qualificado que ainda temos Laurence Fishburne como
Perry White.
Michael Shannon e seu obcecado Zod
Assumidamente
a Warner pretende fazer com que O Homem
de Aço seja o pontapé inicial para o inevitável encontro dos heróis DC em
um filme da Liga da Justiça[3]. Algumas referências a
este universo de fato estão presentes, ainda que discretas, e procura-las vai
ser um passatempo a mais para os fãs. E muita coisa do próprio cânone do herói
foi deixada para a confirmada sequência.
Marcando
o retorno de um ícone e estabelecendo caminhos para sua futura reunião com os
demais colegas de Liga, O Homem de Aço não decepciona. Ganha muitos pontos pelo
caráter intimista e contemplativo no qual apresenta o personagem o honrado e o
densificando. As cenas de ação extremamente bem feitas farão o público delirar,
pois o colocam em ação de forma nunca apresentada no cinema e que certamente
fará o público delirar.
Cotação:
9,0
Ficha
técnica: O Homem de Aço (The Man of Steel,
USA, 2013). Ação. Aventura. Drama. Direção: Zack Snyder. Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon,
Kevin Costner, Russel Crowe, Laurence Fishburne. Duração: 143 min.
[1] Em
um dado momento Zod chama Lois para ingressar em sua nave sem motivo algum, mas
que acaba sendo importante para a personagem descobrir informações importantes.
[2] E
a destruição gerada por ela consegue superar a vista em Os Vingadores e até
mesmo nos Transformers de Michael Bay.
[3] Na
verdade a Warner já fizera isso em Lanterna Verde, mas o fracasso de público e
crítica do filme o levaram a ser ignorado e o estúdio ainda não sabe o que
fazer com o personagem.