segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cenas de Cinema # 14 - V de Vingança

Cenas de Cinema # 14 - V de Vingança

Por Marlon Fonseca


   Nesses tempos de protestos e manifestações em todo o país, uma icônica máscara passou a integrar e ser um dos símbolos desse momento. Mas será que as pessoas realmente sabem o seu significado?

     Em V de Vingança, tanto na Graphic Novel, como no filme inspirado por ela, o protagonista, V, utiliza-se uma máscara de Guy Fawkes (Guido Fawkes) na composição de seu uniforme. O inglês Fawkes[1] era um dos participantes do movimento conhecido como a conspiração da pólvora, cujo objetivo era assassinar o rei protestante Jaime I e todos os membros do parlamento durante uma sessão no ano de 1605. Guy, por ser especialista em explosivos, era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados no ato, além de ser o responsável pela detonação que nunca ocorreu.
Ilustração de Guy Fawkes

            Preso, torturado e executado, Fawkes tornou-se uma lenda na história inglesa. E no dia 05 de novembro, data de sua captura, há na Inglaterra a tradicional “noite das fogueiras” para relembrar o “único homem que entrou no parlamento com intenções honestas”.[2]

            No filme, lançado em 2006, produzido pelos irmãos Wachawski de Matrix e dirigido por James McTiegue, apesar de inúmeras alterações com relação ao material original, acompanhamos V (Hugo Weaving) em sua luta contra o governo e pela liberdade ao mesmo tempo em que se envolve com uma garota da classe trabalhadora (Natalie Portman).



            O mais importante que fica da obra é a noção de que um homem pode mudar o mundo com seus atos (evidenciada na “antológica cena do dominó” mostrada abaixo). Seja, portanto você, caro leitor, a mudança que queira ver no mundo. Para isso não há a necessidade de bombas nem atos violentos e, sim, ações de honestidade e civilidade.




Nota: Nós aqui do blog apoiamos as manifestações, principalmente sai ideologia e sua possibilidade de mudança na mentalidade do povo brasileiro. Refutamos, porém, qualquer ato de violência praticado contra pessoas e propriedades públicas e privadas.



[1] Lembrando-se que a obra original escrita por Alan Moore se passa em uma Inglaterra alternativa.
[2] No filme há menção a canção
"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro
A pólvora, a traição e o ardil;
por isso não vejo porque esquecer;
uma traição de pólvora tão vil"

sábado, 22 de junho de 2013

...CINEMA. Opiniões # 72 - Universidade Monstros

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Opiniões # 72 – Universidade Monstros (Monsters University, USA, 2013).

Por Marlon Fonseca

                Um dos primeiros e mais queridos filmes da Pixar, Monsrtros S.A, tem seu universo de sustos retomado, 12 anos depois, com uma prequel nesse Universidade Monstros. Nele, enfim sabemos como começa a amizade e parceria entre Mike (voz de Billy Cristal no original) e Sully (John Goodman) dentro da universidade de monstros, formadora de potenciais assustadores.

            Antes de tudo, insta dizer que esta animação não tem a maturidade de Valente, o lirismo de Wall-E, nem fará o espectador transbordar em lágrimas como em UP-Altas Aventuras e Toy Story 3. É um filme galgado única e exclusivamente na diversão e em um tom bem leve.

            Ainda assim, há espaço para o forte das animações da Pixar, as subtramas que no filme em questão se apoiam na busca por um sonho e na determinação para alcança-lo.

            É bastante interessante enxergar, durante a animação, como o estúdio “brinca” com os clichês de filmes ambientados em escolas ou faculdades. Está tudo lá, logicamente e de forma muito bacana, adaptado ao universo estabelecido desde o primeiro filme.
O divertido e tumultuado começo de uma amizade

            Além da dupla principal, (sendo que Mike é “o coração e alma” do filme – algo percebido, inclusive, pelo próprio Sully) o filme nos brinda com personagens secundários extremamente simpáticos o que beneficia ainda mais o filme. A parte final também, onde se define o futuro dos personagens, sai do óbvio o que é muitíssimo  bem vindo.

            No quesito técnico a animação impressiona com pelos e texturas extremamente bem feitos dando a impressão que aqueles personagens estão realmente vivos. Trata-se de um exercício interessante comparar o primeiro com este e ver o salto dado nesse aspecto em mais de uma década. Já o 3D está bem aquém do apresentado em outras animações, aparecendo de fato apenas pontualmente e em pouquíssimas ocasiões.

            Com Universidade Monstros, a Pixar volta a focar primeiramente na diversão afastando-se de uma abordagem mais profunda do que nos seus últimos filmes. Com isso, deixa espaço para o seu simpático elenco de personagens brilhar e entreter o público em um dos universos mais bacanas e curiosos que criou.  

PS: Como de costume, há um curta de animação antes do filme. Não cheguem atrasado à sessão, pois O Guarda-chuva Azul é belíssimo e merece ser conferido. Desde a exuberância da animação ao lirismo em sua execução, é um primor.

Cotação: 8,0


Ficha técnica: Universidade Monstros (Monsters University, USA, 2013). Animação. Aventura. Comédia. Direção: Dan Scanlon. Com s vozes originais de: Billy Cristal (Mike), John Goodman (Sully), Steve Buscemi (Randy), Helen Mirren (Dean Hasrdscrabble). Duração: 110 min.


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Não deixem de ler tambémCenas de Cinema sobre a Pixar 

domingo, 16 de junho de 2013

...CINEMA. Opiniões # 71 - Além da Escuridão: Star Trek

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Opiniões # 71- Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness, USA, 2013)

Por Marlon Fonseca

 
            Durante algum tempo em Hollywood, o cinema de entretenimento de qualidade, filmes voltados para a diversão do público, mas que traziam um “algo a mais” como os de Spielberg e outros cineastas, apresentava-se acéfalo e barulhento, sem um pingo de inventividade e energia de seus criadores. Felizmente, uma nova leva de talentosos diretores trouxe á tona novamente essa vertente. Cristopher Nolan com sua trilogia do Cavaleiro das Trevas e A Origem foi um deles. J. J Abrams aparece também como um dos nomes fortes.

            Em 2009, foi dado a Abrams, após seu sucesso como um dos criadores e produtores do seriado Lost e sua segurança na direção do terceiro episódio de Missão Impossível 3, a tarefa de revitalizar uma das franquias mais queridas, Star Trek, que já fora chamada por aqui de Jornada nas Estrelas.

            O Diretor, ao lado dos seus colaboradores habituais, Roberrto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof (roteiristas e produtores) e Michael Giachino (que cuida da trilha sonora de seus filmes) e de um elenco formidável, reinventou a franquia de forma a apresentar-se como um recomeço para a série, sem desrespeitar seus cânones. O resultado conseguiu agradar aos fãs antigos e trazer novos ao lado dos intrépidos tripulantes da U.S.S Enterprise em um filme muito bem feito e divertido.
Abrams sentado à frente do excelente elenco que reuniu

            Agora, passados quatro anos, era chegada a hora da tão ou ainda mais difícil tarefa de apresentar uma continuação. E Abrams e sua equipe conseguiram não só manter as qualidades do filme anterior como trazer novos e bem-vindos elementos, resultando em um filme ainda melhor que seu antecessor se saindo mais sombrio e denso, sem perder o humor e o ritmo de aventura.

            Em Além da Escuridão: Star Trek, o Capitão Kirk e seus comandados precisam combater um terrível terrorista, antigo membro da Federação, em um embate muito mais complicado e perigoso do que se apresenta.

             Todo o elenco original está de volta, apresentando aquela química perfeita estabelecida no primeiro filme, e com a possibilidade de trazer novas camadas em seus personagens. A relação de amizade e diferença de postura ante a uma situação entre Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto) continua sendo a espinha dorsal nesse sentido, mas todos os demais personagens têm seus momentos e a chance de brilhar. A Uhura de Zoe Saldana é um achado e equilibra o grupo ao lado do rabugento e divertido “Magro” de Karl Urban. Até Simon Pegg, habitual comediante inglês bastante festejado, é presenteado com uma cena mais séria do seu Scotty. Alice Eve é a nova adição é tem participação importante na trama assim como o eterno Robocop Petter Weller, que há tempos não tinha um papel de destaque.
Vilão perigoso e imprevisível
            Mas o “algo a mais” do filme reside na interpretação magnética de Benedict Cumberbatch como o vilão John Harrison. Quem acompanha o ator na excelente série Sherlock da BBC sabe que nele reside um grande talento, mas mesmo assim pode se surpreender com o que ele apresenta no filme. Há tempos não, só na franquia, mas no cinema em geral não se vê um vilão tão perigoso em uma atuação tão brilhante[1]. Sua voz grave, seu olhar oscilando entre a frieza, a raiva e a loucura são alguns dos pontos altos de sua composição.  Mesmo quando, enfim, se descobre seu objetivo fica difícil prever seu próximo passo.

            O roteiro é redondo, apresentando uma ou outra reviravolta, ainda que não tão imprevisíveis, mas prende o espectador do começo ao fim. Não há espaço nos 132 minutos de projeção para quebra de ritmo, nem mesmo nas cenas mais calmas. Os cânones da série clássica, quando utilizados, e ainda que reinventados, não ofendem o material original e agregam qualidade ao filme à mitologia de toda a série.
Os efeitos especiais e o 3D completam o espetáculo

            Contrário à utilização da conversão em 3D no início das filmagens, Abrams acabou cedendo à pressão do estúdio e, mesmo assim, apresentou a melhor utilização do formato nos últimos tempos. A divertidíssima e movimentada sequência inicial do filme é um grande exemplo disso. Os efeitos especiais estão formidáveis e dá até para perceber em alguns momentos efeitos sonoros da série clássica.

            Assim, Além da Escuridão: Star Trek alcançou todos os seus objetivos. Fortaleceu a retomada da franquia e brindou a todos com um espetáculo de entretenimento de qualidade com cérebro e coração. E mais trouxe aos cinemas um vilão que há tempos não se via e catapultou de vez ao estrelato um talento que ainda vai render muito.

Cotação: 9,0
Ficha Técnica: Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness, USA, 2013). Aventura, Ficção Científica. Direção: J.J Abrams. Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Benedict Cumberbatch, Zoe Saldana, Simon Pegg, Karl Urban, Anton Yelchin, Peter Weller, Bruce Greenwood. Duração 132 min.


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A Fronteira final de Abrams.

        
    Depois de revitalizar Star Trek, dirigir o tão aguardado episódio VII de Star Wars é a próxima missão espacial de Abrams.

            Após a aquisição dos direitos da Lucasfilm pelos estúdios Disney, imediatamente fora anunciada uma leva de filmes da saga espacial, inclusive com uma nova principal trilogia contendo os episódios VII, VII e IX. Rapidamente a Disney ofereceu a Abrams, fã confesso das trilogias anteriores, a direção.

            As filmagens acontecerão em breve e o filme tem previsão de estreia para 2015. Mark Hamill, Carrie Fischer e Harrison Ford estão confirmados para retornar como Luke, Leia e Han solo respectivamente. Ainda não se sabe o teor da trama.




[1] O último que vem a mente nesse sentido é o brilhante Coringa de Heath Ledger.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

FILMES PARA NAMORAR

FILMES PARA NAMORAR
“FALANDO DE” ELENCA, NESSE DIA DOS NAMORADOS, SEUS FILMES DE ROMANCE PREFERIDOS.

Por Marlon Fonseca

            Diante do sucesso de público e crítica sobre a postagem “filmes para casar” resolvemos, nesse dia dos namorados, trazer alguns dos filmes de romance que mais gostamos e que consideramos ideais para que sejam assistidos ou presenteados no dia de hoje.
            Se seu filme preferido não estiver aqui aproveite para indicá-lo nos comentários. Divirtam-se e feliz dia dos namorados para todos os leitores. Vamos a eles:


Bonequinha de Luxo (Brakfest At Tiffany´s, 1961): Audrey Hepburn esbanja charme e talento nessa divertida e diferente comédia romântica. Sua Holly Golightly é ainda um dos personagens femininos mais festejados de todos os tempos. Leve, bem humorado e contando com a bela canção “Moon River” para embalar os casais.







E o vento Levou/ Casablanca (Gone With the Wind, 1939/ Casablanca, 1942): dois clássicos retumbantes que devem ser vistos e revistos não somente pelos casais apaixonados como por tudo e qualquer cinéfilo que se prese. Atuações marcantes, histórias fortes e trilhas sonoras épicas fizeram desses dois filmes inesquecíveis.


Uma Linda Mulher (Pretty Woman, 1990). Filme que alavancou Julia Roberts ao estrelato e que traz uma romance pouco comum entre uma garota de programa e um solitário empresário não pode ficar de fora dessa lista. Reverenciado até hoje já está no patamar de clássico no gênero comédia romântica.




Ghost – O outro lado da Vida (Ghost, 1990): Pode o amor superar a morte? Segundo esse sucesso arrebatador sim. O saudoso Patrick Swayze não mede esforços para estar com sua amada Demi Moore mesmo após a morte. Romance, comédia e suspense reunidos de uma forma extremamente competente.





A Bela e a Fera (The Bauty and the Beast,1991): Ensinando desde sempre que no fundo o que importa é a "beleza interior", o conto da Bela e a Fera ganha sua versão definitiva com essa magnífica animação mostra os estúdios disney no seu auge com grandes canções, momentos genuinamente emocionantes e coadjuvantes simpáticos.





Um Lugar Chamado Notting Hill (Notting Hill, 1999): Julia Roberts (de novo!) estrela ao lado de Hugh Grant um competente filme que aborda o relacionamento de uma celebridade com um cara “normal”. Tudo funciona, a história, a trilha e como “bônus” trouxe a revelação Rhys Ifans.







Trilogia Antes do Amanhecer/Antes do pôr do sol/Antes do Anoitecer (1995, 2004, 2013): O Diretor Richard Linklaker e os atores Ethan Hawke e Julie Delpy nos brindam com três filmes magníficos que falam sobre o amor,os relacionamentos e a vida. O forte nessa trilogia são os diálogos e os cenários magníficos. Imperdível.


Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of a spotless Mind, 2004): Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças, lançado no ano de 2004, é um deleite, algo único que deve e merece ser apreciado. O longa dirigido por Michael Gondry traz Kate Winslet e Jim Carrey (em sua melhor atuação da carreira) como um casal não muito convencional, mas que após uma crise decide se submeter à uma nova experiência: apagar de suas mentes um ao outro. Nessa mistura de drama, comédia romântica e ficção científica, além da entrega de todo o ótimo elenco (além da dupla central, ainda temos Kirsten Dunst, Mark Ruffalo, Elijah Wood e Tom Wilkinson), somos apresentados à vários simbolismos e no fim ficamos com a lição de que a mente pode tentar esquecer mas o coração nunca o faz.

Closer – Perto Demais (Closer, 2004): Muito longe de ser um filme romântico. Closer, é um filme sobre relacionamentos e justamente na parte mais sórdida deles. Baseado em uma peça teatral e dirigido ao estilo de uma, o quarteto de protagonistas dá um verdadeiro show.




Filmes baseados nos livros de Nicholas Sparks: Adorado por muitos e odiado na mesma proporção, o autor Nicholas Sparks já teve vários de seus romances adaptados para o cinema em grande maioria com sucesso. Mesmo levando suas histórias com a mesma estrutura, elas sempre conseguem emocionar. O melhor de todos, sem dúvidas, é Diários de Uma Paixão (The Notebook, 2004) que traz todos os ingredientes para uma belíssima história de amor. Um amor para Recordar (A Walk To Remember, 2002) e Querido John (Dear John, 2010) também tiveram sua parcela de sucesso e conseguem emocionar. Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe, 2008), A Última Música (The Last Song, 2010) e Um Homem de Sorte (The Lucky One, 2012) apresentaram um resultado mais irregular.


Á Prova de Fogo (Fireproof, 2008): Esqueçam a produção modesta e o discurso religioso carregado se não for do seu agrado, o que fica nesse filme é a lição de que manter um casamento pode ser uma batalha árdua e diária, mas é magistralmente recompensada.




(500) Dias com Ela ( (500) Days With Summer, 2009): Fantástico em todos os sentidos. Leve, muito bem escrito, dirigido e interpretado, com uma trilha sonora magnífica. Logo no início já há um alerta: não é uma história de amor. Mas é sim. De um amor que aconteceu (talvez vivido por mais intensidade por um dos dois), não deu certo e acabou. No último diálogo entre o casal há a redenção com a frase mais libertadora de todas “Não era para ter sido com você”. E é isso que deve ser principalmente aprendido com este belo filme.

Amizade Colorida (Friends With Benefitis, 2011): Sem sombra de dúvidas o filme mais descolado dessa lista. Justin Timberlake e Mila Kunis apresentam uma química perfeita e contribuem muito para o bom resultado do filme que conta com dia´logos inspiradíssimos e bem sacados, e que, no fim, mostra que no amor o mais importante e inicialmente a amizade e cumplicidade.

Para Sempre (The Vow, 2013): Baseado em uma comovente história real. Se conquistar uma pessoa e mantê-la pode ser uma tarefa difícil, imagina ter que reconquistá-la novamente? O personagem de Chaning Tatum pena o filme todo e cativa o público na tentativa de fazer com que a sua desmemoriada esposa (Rachel McAdams) relembre do que sentia por ele.





          


Relembrando aos leitores que essa não é uma lista fechada tão pouco definitiva. Aproveitem e deixem nos comentários os filmes que sentiram falta e o motivo.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

...CINEMA. Opiniões #70 - Depois da Terra

...CINEMA
Opiniões # 70 – Depois da Terra (After Earth, USA, 2013).
Por Marlon Fonseca

            Discute-se há tempos o fato do aspecto comercial do cinema, o cinema-produto. Sem entrar em discussões acaloradas sobre o assunto, temos um aqui um exemplo claríssimo de tal aspecto, pois, antes de mais nada, Depois da Terra é um produto, na forma negativa dessa afirmação.

            Trata-se de uma tentativa inequívoca de Will Smith lançar seu filho ao estrelato, um filme sob encomenda cujo propósito citado é claro e inequívoco. E isso não seria demérito se o filme tivesse outros aspectos interessantes a serem considerados, mas infelizmente não é muito o caso.

            Dirigido por M. Night shyamalan, que depois dos excelentes O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais era tido como gênio por muitos[1] caiu em um espiral decadente de qualidade demolido pela arrogância, brigas com estúdios e que agora encara seu segundo projeto como “diretor de aluguel”.
O diretor no set de filmagem

            Na trama, em um futuro onde a humanidade vive longe do planeta Terra em razão de eventos catastróficos, pai e filho acabam aterrissando no planeta após um acidente e têm que, juntos, buscar um aparelho que os ajudará a voltar para casa enquanto paralelamente tentam resolver seu problema de relacionamento.

            Há um viés de drama familiar como fio condutor do filme, mas muito mal explorado e aprofundado. Para piorar ele não consegue passar tensão e emoção em momento algum. É monótono, frio, anticlimático, vazio. Trata-se de um filme sem alma, “sem sal”.

            De interessante fica a atuação de Will Smith, que faz um tipo diferente do que estamos acostumados. Seu personagem é frio, monossilábico, distante. Já seu filho Jaden, o motivo principal do filme, é bom recordar, não repete a segurança apresentada no ótimo remake de Karate Kid, tal qual seu personagem, a pressão em agradar o pai pode ter pesado.
Pai e filho lutam pela vida e por seu relacionamento

            Já Shyamalan, mostra domínio na direção sem ser brilhante, apenas correto, que é um pecado para aquela cineasta que prometia tanto. O filme apresenta trilha sonora apenas pontual como em seus demais e autorais trabalhos. O longa é também “redondinho” nos efeitos especiais.

            Depois da Terra é um filme que falha como entretenimento, arte e veículo para catapultar Jaden Smith ao estrelato. Não vai ser com ele também que Shyamalan retomará sua careira com dignidade.

Cotação: 4,5

Ficha Técnica: Depois da Terra (After Earth, USA, 2013). Ficção Científica. Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Sophie Okonedo, Zoe Kravitz. Duração: 100 min.




[1] Inclusive pelo autor desse texto

terça-feira, 4 de junho de 2013

Filmes para casar

FILMES PARA CASAR
"FALANDO DE" SELECIONA 7 FILMES QUE RETRATAM O CASAMENTO DAS MAIS VARIADAS FORMAS

Por Marlon Fonseca


O Casamento do meu melhor amigo: Para muitas noivas esse pode ser um filme mais de terror do que comédia. Afina de contas, ter Julia Roberts tentando desbancar seu casamento não parece algo agradável. Mas o filme sim. É leve e divertido e termina bem.





Noivas em Guerra: Quando duas amigas de infância resolvem se casar ao mesmo tempo uma guerra sem precedentes entre ambas começa. Divirta-se com Anne Hathaway e Kate Hudson causando caos na organização da cerimônia uma da outra enquanto a sua, cara leitora, está se saindo impecável.



Missão Madrinha de Casamento: Sucesso recente de cinema que traz um grupo de amigas completamente atrapalhadas às voltas com a organização do casamento de uma delas. Promessa de risadas garantidas, mas, meninas não façam isso no casamento de vocês.





O Pai da Noiva: Seu pai está uma “pilha” com seu casamento? ? Considere dar-lhe esse filme para que ele possa dar uma acalmada.  Sucesso da década de 90, o filme traz Steve Martin às voltas com o casamento de sua filha. Destaque também para o cerimonialista vivido por Martin Short.





Eu te amo cara: Para o noivo se divertir um pouco.  Homem prestes a se casar percebe não ter amigos para chamar para padrinho. Após algumas “entrevistas” para essa finalidade ele conhece um que considera ideal. Mas não esperava encontrar tanta confusão e um verdadeiro amigo.




Melancolia: Esse é para a noiva mais cult, descolada e bem-resolvida. No dia da cerimônia de seu casamento uma mulher passa a sofrer de uma incrível depressão. Paralelamente, a aproximação de um cometa à Terra deixa sua irmã bastante apreensiva.





Em breve nos cinemas:

O Casamento do ano: Al (Ben Barnes) esta prestes a se casar com Missy (Amanda Seyfried) quando recebe a notícia de que sua mãe biológica, uma católica fervorosa, virá ao casamento. A partir daí, seus pais adotivos Don (Robert de Niro) e Ellie (Diane Keaton), que são separados há anos precisarão fingir serem casados novamente para não decepcioná-la. Mas a farsa leva toda a família a relembrar os laços que os uniram, numa história comovente e engraçada durante o que será o casamento do ano.







NOTA: Esse texto faz parte de um trabalho para a Faculdade de Jornalismo que consta na criação de uma revista de noiva e esse texto é parte integrante dela.

domingo, 2 de junho de 2013

...CINEMA. Opiniões #69 - Faroeste Caboclo

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Opiniões # 69 – Faroeste Caboclo (Brasil, 2013).

Por Marlon Fonseca


               Transformar uma música em um longa metragem é um expediente não muito frequente no cinema, mas já deu bons resultados como por exemplo Veludo Azul e Yellow Submarine. Ao se ouvir a música Faroeste Caboclo, hit da banda Legião Urbana era impossível não imaginar e recriar na cabeça a história que tocava durante aqueles 9 minutos. Agora ela ganhou vida nas telas.


            Dirigido por Rene Sampaio, o filme traz a história de João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) traficante do Distrito Federal, sua conturbada história de amor com Maria Lúcia (Isis Valverde) e seu embate trágico e violento com o perigoso rival Jeremias (Felipe Abib).

            A trama se passa na Brasília da década de 80, exatamente no mesmo momento de Somos Tão Jovens, filme que trouxe o início da carreira de Renato Russo[1], e possui uma reconstituição de época discreta, mas eficaz.[2]

Para que a música se encaixe no formato cinematográfico e na duração de 100 minutos, a história de Jeremias foi positivamente expandida. Por meio de flashbacks, conhecemos sua infância e juventude miserável ao lado de seus pais e momentos que foram importantes para definir sua personalidade.
Romance conturbado

Graças a isso e ao trabalho competente de seu intérprete, João de Santo Cristo se qualifica a figurar dentre os grandes anti-heróis do cinema nacional moderno ao lado de Zé Pequeno e Capitão Nascimento.

            O roteiro, ainda que longe de ser complexo, soube pegar os elementos-chave da música e transformá-la em uma história coesa e interessante com um ritmo equilibrado. Bacana também destacar algumas sequências e tomadas remetendo aos filmes de faroeste de antigamente como uma da bota se aproximando ao duelo, por exemplo.
A trágica e violenta rivalidade com Jeremias

            Faroeste Caboclo se sai bem como adaptação da mística música de Renato Russo. Faz jus ao protagonista criado por ela e toda a sua trajetória, resultando em um filme simples e competente.

Cotação: 8,5

Ficha Técnica: Faroeste Caboclo (Brasil, 2013). Drama. Direção: Rene Sampaio. Elenco: Fabricio Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, antonio Calloni, Marcos Paulo e César Troncoso. 105 min.


Nota: O filme marca o último trabalho do talentoso ator e diretor Marcos Paulo que aqui interpreta o severo pai de Mária Lúcia



[2] Em um momento extremamente inspirado o protagonista se encontra em um show onde Renato russo está tocando.