Cenas de Cinema Especial – A versão de Christopher Nolan para o Batman.
Por Marlon Fonseca
Ante ao fiasco de Batman e Robin, o estúdio Warner (detentor da DC comics e, em razão disso, dos direitos do Batman), ficou sem saber como abordar novamente seu lucrativo e popular personagem nos cinemas.
Depois de muitos projetos, especulações, fora anunciada a contratação do então ascendente diretor inglês Christopher Nolan para a produção de que prometia uma nova versão do personagem intitulada Batman Begins. Conforme o nome indica, a origem do personagem foi retratada sob outro enfoque, da forma mais realista possível, dando assim início a uma nova fase do homem-morcego nos cinemas.
Nunca esquecendo o desenvolvimento dos personagens, o filme aborda os anos de treinamento que Bruce Wayne se impôs para a sua formação como combatente ao crime. E mesmo tomando liberdades criativas e inovando em muitos aspectos, é visível a inspiração de histórias e sagas clássicas como Batman: Ano Um e O Longo dia das Bruxas.
Assim, sob esta ótica, o público e os fãs tiveram contato com o Batman mais palpável e fiel possível (a atuação marcante de Christian Bale faz toda a diferença). Um Batman que inflige medo aos adversários, determinado e atormentado pela escolha de vida que faz. E sua primeira aparição no filme, impondo sua voz grossa e visual assustador para um bandido fez os fãs enlouquecerem e constatarem estar diante do personagem de fato.
O medo, aliás, é uma das subtramas mais claras e interessantes do filme. Afinal de contas, e em uma cena já clássica que lembraremos agora, Bruce Wayne explica ao Alfred o porquê de vestir-se de Homem-morcego: “Morcegos me assustam. Está na hora de meus inimigos partilharem desse pavor”. A utilização do Espantalho como um dos vilões só reforçam esta ideia.
Em razão do merecido sucesso de Batman Begins, sua continuação
imediatamente passou a ser prioridade da Warner e foi objeto de demanda por
todos. E, quando finalmente lançada em 2008, se apresentou não somente superior
ao primeiro filme como uma das maiores obras do cinema.
Assumidamente
inspirado em Fogo
Contra Fogo
de Michael Mann (e observa-se esta inspiração principalmente em sua estrutura
narrativa e ligação entre os personagens), Batman-
O Cavaleiro das Trevas é cercado de infinitas qualidades. Trata-se de uma
das grandes obras do cinema moderno indo muito além do gênero “filme de
super-herói”.
Com
mais liberdade criativa e orçamento, Nolan orquestrou mais do que um filme de
ação. Trata-se de um drama policial ambientado em sua Gotham City
realista. O cuidado ao tratamento e ligação entre todos os personagens é ímpar,
fruto de um roteiro extremamente bem trabalhado.
E
não dá para falar deste filme sem falar da presença marcante do Coringa. Em
primeiro lugar destaca-se a assombrosa atuação de Heath Ledger. Toda a sua
composição (voz, gestuário, etc) para o personagem é impecável ao ponto de já
nos primeiros minutos de projeção ele “sumir” por detrás do personagem. Além
disso, a visão do Nolan sobre o palhaço do crime e seu relacionamento é
claramente inspirada em uma das mais clássicas histórias do homem-morcego, a
Graphic Novel A Piada Mortal. Nela,
Batman e Coringa são lados de uma mesma moeda. Um não vive sem o outro. “Você
me completa” diz o Coringa na fantástica seqüência de interrogatório na
delegacia de Gotham.
Um
filme marcante que termina com Batman se tornando um renegado e encarando o
peso de suas escolhas.
Estriou
na semana passada nos EUA e chega neste fim de Semana no Brasil O Cavaleiro das Trevas Ressurge que encerra esta visão do Nolan que marcou
a história do Batman e do cinema.







(1/5 - 3,5/10)




